Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Samba, requeijão, coxinha e churrasco no carvão!

Este final de semana foi simplesmente maravilhoso! Começou com a festa de aniversário da Paula na sexta-feira no bar Southern Cross. Já foi muito legal reencontrar um pessoal que eu não via há algum tempo. No sábado então foi demais. A nova banda criada pela Isabella chamada BraZealand arrasou no mesmo bar. E olha que como o dono do bar não conhecia o trabalho deles, ele deu a oportunidade para eles se apresentarem em um horário meio ingrato: 2 às 4 da tarde de sábado. Mas mesmo assim, posso falar sem medo de errar, que foi o melhor show que vi aqui na Nova Zelândia. Rolou uma energia super positiva que só acontece mesmo em eventos brasileiros.
Acima eu dançando forró com o Claus. Aliás eu dancei samba também. Obviamente eu não tenho nem de longe o talento da Clô que deu um show de dança na festa! Eu fiquei de queixo caído e morrendo de inveja... ;-) Quero ver agora se me matriculo no curso dela que dá aulas regularmente às quintas-feiras, das 6 às 7:30 da tarde no Aro Valley Community centre. Reservas e mais informações no site http://clomudrik.cjb.net/.
Depois de sambarmos bastante e queimarmos bastante calorias, pudemos nos dar o prazer de comer as deliciosas coxinhas de frango da Cláudia, na casa dela, onde conhecemos um casal francês demais de simpático. A Arlete, que na verdade é africana mas morou muitos anos na França e é casada com o Jean, levou um prato com uma combinação que eu jamais poderia imaginar que ficasse tão gostosa. Ela colocou em uma travessa rasa uma camada de cream cheese, depois uma camada de abacate (isso mesmo!), uma camada de tomate picadinho sem semente e um pouco de cebola roxa. Aí comemos com umas bolachinhas de arroz, como se fosse um patê. Não façam cara feia não! Vale a pena experimentar pois é divino.


Falando em cream cheese, quem foi que disse que não existe requeijão na Nova Zelândia?! Fui eu mesma... Pois é, eu estava errada. Olha só o que achamos no mercado:


É igualzinho à requeijão, delicioso para comer com o pão de queijo que é vendido agora congelado nos supermercados da Nova Zelândia. Prestem atenção pois não está na sessão de frios. Está nas outras prateleiras.


Continuando a minha história sobre o fim de semana, no domingo nós fomos a um churrasco na casa do Rafael e da Luciana que estava excelente. O Rafael criou com uma espécie de tambor deitado, uma churrasqueira brasileira, isto é, que leva carvão, que ficou nota 10! O papo e a carne estavam tão bons, que acabamos ficando lá até quase meia-noite conversando com o pessoal. Quando comentei que a minha irmã estava indo embora porque ela não gostou daqui, o pessoal perguntou a opinião do Francisco. Ele só falou coisas boas. Parece que ele adora a Nova Zelândia tanto quanto eu. Ufa, respirei aliviada. Vou poder continuar contando com a presença dele e da Nara na nossa vida aqui neste país maravilhoso.

Falando em maravilhoso, o próximo final de semana também promete! Como a Gisele está indo embora, eu não poderia deixar ela ir sem que ela conhecesse a ilha sul. Na sexta pela manhã pegaremos um vôo para Christchurch onde pegaremos um carro que eu reservei e iremos para a indescritivelmente linda Queenstown e a tão linda quanto Wanaka. No caminho passaremos pelo Lago Tekapo. Dizem que já está nevando na ilha sul. Vai ser demais!

Ah, e antes que eu me esqueça, amanhã estaremos indo prestigiar um show da brasileira talentosa Alda Rezende que promete ser espetacular. Além dela, terão outros músicos de Belo Horizonte para caprichar ainda mais no show.

No final de semana seguinte teremos um jantar brasileiro aqui em casa para finalmente comemorarmos o emprego do Francisco e nos despedirmos com tristeza da Gisele. Quem ler este blog e não estiver na minha lista de convidados por favor se manifeste deixando um comentário aqui, uma vez que já fui intitulada a divulgadora-mor entre os brasileiros em Wellington.

Domingo, 11 de Maio de 2008

Comemorando o prazer de ter o que comemorar

Final de semana frio e chuvoso na cidade de Wellington. Hoje escrevo do meu novo notebook que resolvi me dar de presente na semana passada. Também estou escutando minhas músicas do meu novo i-POD com speakers que também comprei para mim. Agora tenho um canto no meu quarto onde posso escrever ouvindo músicas e apreciando a paisagem da minha janela. E isso me dá muito prazer e muita paz.
Hoje é dia das mães e já recebi abraços e beijos dos meus filhos e da minha nora querida e também ganhei de presente o último livro do John Grisham. Também recebi emails carinhosos da minha mãe.
Ontem o Julio fez a prova teórica de motorista e acertou 100%. Com isso ele recebe a autorização para dirigir tendo alguém ao lado com carteira. Depois de 6 meses sem nenhum incidente, ele pode fazer a prova prática e receber a carteira definitiva. Acho interessante este sistema aqui. Então ontem ele já veio feliz da vida dirigindo o carro e o fez muito bem.
Ainda não comemoramos oficialmente o emprego do meu irmão, que como advogado que é, só me autorizou a comemorar depois que tiver toda a papelada assinada e carimbada... ;-) Mas espero que no próximo final de semana já possamos comemorar apropriadamente.
Interessante como as pessoas são diferentes. Eu acho que a gente precisa comemorar tudo de bom que acontece e acho que a gente comemora muito pouco. Então porque não comemorar o fato de terem dito que vão dar a job offer? Depois a gente pode comemorar de novo quando o visto sair... Fico pensando o que se tem a perder quando se comemora? Se o motivo da comemoração não se confirmar a pessoa vai ficar triste tendo ou não comemorado, certo? Então a única diferença é que tendo a comemoração ela vai ter um momento muito feliz. Será que as pessoas temem ser felizes? Ou será o medo de parecerem ridículas perante os outros por terem comemorado por um motivo que não se confirma. Eu da minha parte já não tenho medo de ser ridícula pois percebi faz tempo que pessoas muito felizes sempre parecem ridículas para pessoas mais céticas. Eu sou uma pessoa de picos, que sofro muito mas também curto muito os momentos felizes. Gosto de curtir tudo intensamente, seja a felicidade ou a tristeza. Essa sempre foi a minha natureza e nunca vou mudar, por mais ridícula que eu possa parecer muitas vezes... ;-) No fundo eu acho que eu até gosto de ser assim pois acredito ser uma forma mais completa de se viver a vida, se expondo, se permitindo errar e aprendendo com os erros. Para mim a vida é uma viagem de aprimoramento e quando mais você se conter por causa de medos até bobos, menos se aproveita desta viagem.
Enfim, eu só tenho no momento motivos para comemorar a minha vida por aqui. E não vou deixar de fazer isso porque eu não tenho nenhum medo de ser ridiculamente feliz.. ;-)

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Boa notícia!!!

Depois de 3 meses de angústia, meu irmão finalmente recebeu a tão esperada job offer! Ficamos muito felizes pois agora ele vai obter o visto, vai conseguir ter a experiência que ele tanto queria na área de TI (informática) e vai poder ficar aqui comigo por quanto tempo quiser. De sobremesa ainda a Nara vai poder também obter o visto por partnership e eu vou continuar tendo uma amigona por aqui.

A notícia foi um alívio para nós. Eu particularmente não conseguia entender como um cara inteligentíssimo, que fala inglês, francês e espanhol, que tem mestrado e que ainda por cima tem muito carisma, ainda não tinha conseguido um emprego aqui. Não é por que é meu irmão, mas ele é brilhante!!! Bem, vocês já devem ter percebido pelos textos que às vezes ele nos dá o prazer de escrever aqui.

Agora é só comemoração! Uhuuuuuuu!!!!

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

E vamos levando!

Ontem tivemos um churrasco aqui em casa, marcado meio que de última hora, mas que foi muito divertido. O Francisco até improvisou uma churrasqueira para ser usada com carvão, ao estilo brasileiro, que funcionou razoalmente bem, até começar a chover. Engraçado foi ver meu colega do BNZ, Brendon, dando dicas de como colocar o carvão na churrasqueira a gás para dar o gosto.

O Camilo me trouxe de presente uma caixinha de pão de queijo da Yoki, semi pronto que agora tem à venda nos mercados daqui. Depois do churrasco, quando bateu a fome novamente, assamos os pãezinhos e ficou bem gostoso.

Fiquei um pouco preocupada em transmitir a minha doença para os convidados e isso me fez pensar no porquê a médica não me alertou sobre o risco de transmissão. Então hoje eu resolvi pesquisar mais sobre o meu problema, e acho que não é caxumba o que eu tenho. A médica disse que era infecção da parótida e quando pesquisei na Internet todos os sites que olhei diziam que isto era caxumba. Com mais calma hoje eu achei mais informações e tudo indica que esta minha infecção foi causada por obstrução dos dutos de drenagem destas glândulas por cálculos (pedrinhas), que combina mais com a explicação que a médica me deu. Ufa, que alívio!

Enfim, fomos até a meia noite conversando, ouvindo música, comendo e bebendo. Acabei exagerando e fiquei bem "tchuquinha". Mas foi bem legal. Um dos assuntos da noite foi o comportamento das mulheres neozelandesas. O Denis, um novo convidado, comentou que elas são muito fáceis e para os nossos padrões seriam consideradas mulheres vulgares. Um cara lá do banco já tinha comentado comigo que as neozelandesas são as mulheres mais promíscuas do mundo, segundo uma pesquisa que ele leu. Então resolvi perguntar para o Brendon e ele confirmou a história. Quando eu disse que achava que eram as brasileiras que tinham esta fama ele discordou. Apesar dele não apoiar o comportamento das kiwis, ele tentou defendê-las dizendo que a NZ foi o primeiro país onde as mulheres conquistaram o direito do voto e que as atitudes das mesmas são consequência da consciência da igualdade sexual que existe aqui. Então, teoricamente, esta liberdade sexual não traz nenhum tipo de preconceito por parte dos homens, pelo menos dos kiwis... Será mesmo?!

Semana passada foi aniversário da minha mãe e fiquei super feliz em saber que ela fez um super jantar, convidou uma porção de amigas e também ganhou diversos presentes. É sempre muito bom saber que meus pais estão felizes. Aliás, eu recebi muitos e-mails de carinho para o meu último post em que mencionei que estava meio melancólica. Em um deles, a Veronika comentou que daqui para frente a saudade será uma constante na minha vida, independente de onde eu decidir morar, já que o Felipe e a Ana não pretendem ir embora tão cedo. Ela está certa. A Helena, de Portugal, me disse para não esquecer que os motivos que me trouxeram para cá, continuam lá, nada mudou. É sempre muito bom receber estas mensagens pois nos dão a oportunidade de refletirmos considerando outros pontos de vista.

Esta semana teremos a comemoração do aniversário do Felipe em um bar lá no centro. Quero aproveitar para dançar bastante, algo que adoro e que não faço faz muito tempo. Enfim, chega de lamentações e vamos voltar a curtir as coisas boas que a vida nos oferece aqui na terra do Senhor dos Anéis.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Refletindo sobre a vida

Meu irmão Francisco já está aqui há quase 3 meses e até agora não conseguiu emprego. Eu não consigo entender muito bem a lógica disso mas ao menos tempo, isso pode ser usado como um bom exemplo de que as coisas não são tão fáceis assim, como alguns dizem.

A minha irmã Gisele já decidiu que quer voltar. Ela não gostou de viver aqui, não se sente feliz. Eu entendo que o inglês pode ser uma barreira muito grande para algumas pessoas, apesar de ter certeza de que se ela realmente quisesse ficar, ela poderia se esforçar mais para vencer esta barreira. Sei que tem muitos brasileiros que gostariam de ter uma oportunidade como esta, mas sei também que quando a gente não se sente bem em um lugar, não adianta insistir. Afinal, a paisagem é tão bonita quanto os olhos querem enxergar. Isso também é um bom exemplo de que nem todos vão enxergar a Nova Zelândia como eu vejo.

Como eu já comentei anteriormente, nem tudo é perfeito por aqui.

  • Pela manhã temos problemas de trânsito com bastante congestionamento. Se saio no horário do rush levo meia hora para chegar ao centro. O governo está até pensando em começar a cobrar pedágio para os carros entrarem no centro da cidade.
  • Existe também um índice bem alto de violência doméstica, o que eu considero uma vergonha para o país.
  • Falta mão de obra especializada, inclusive na área de saúde.
  • Os impostos são altos e podem chegar até a quase 40%, dependendo da faixa salarial.
  • Imoveis, tanto para alugar, como para comprar, são caríssimos.
  • A alimentação é muito cara por aqui também.
  • Não se pode esperar aprender muita coisa nova nas profissões ligadas à tecnologia. Na minha área de gerenciamento de projetos eles são quase amadores se eu comparar com o nível dos profissionais que conheci no Brasil.

Um dia desses eu estava pensando que quando eu estava bem empregada no Brasil, creio que a minha vida era mais confortável do que a que tenho aqui. Eu tinha TV a cabo, que não tenho aqui; tinha empregada todos os dias da semana para cozinhar, limpar, lavar e passar; tinha até um carro melhor do que eu tenho aqui; tinha manicure, depiladora e cabelereiro a um preço acessível que me permitia ir ao salão todas as semanas. Mas ainda assim, cada vez que cogito a hipótese de voltar para o Brasil, me dá um frio na espinha. Primeiro porque sei que as chances de conseguir um bom emprego por lá para poder voltar a ter uma vida confortável não são muito grandes. Segundo porque a violência no Brasil me assusta muito. Um dia desses li uma reportagem que mostrava que os índices de violência em Curitiba estão bem mais altos do que em São Paulo e isso me aterrorizou.

O Francisco falou algo interessante hoje. Existem pessoas que usam seus exemplos pessoais como regra geral. Ele por exemplo, poderia dizer que é muito difícil conseguir emprego aqui na NZ se se baseasse apenas na experiência dele. Sabemos que não é bem assim. Eu também não posso afirmar que é muito fácil conseguir emprego, apenas porque foi fácil para mim. Por isso muitas pessoas não concordam que o Brasil tem problemas sérios de violência, argumentando que nada nunca aconteceu com elas. Um dia desses mesmo, não me lembro bem que foi, que comentou comigo que morou muitos anos no Rio e que nunca teve nenhum problema de violência. Então tudo depende da situação, no exemplo dos empregos, depende da área e da experiência de cada um; no caso da violência, de onde a pessoa mora, por onde ela passa, os cuidados que ela toma, etc. Mas também tudo depende muito da sorte de cada um. Na verdade qualquer afirmação só pode ser feita com base em estatística que é algo probabilístico e não determinístico. Assim, é muito mais provável ser vítima de violência morando no Brasil, do que na NZ. Mas isso não significa que não existe uma chance disso acontecer aqui. Já comentei uma vez isso, mas vou comentar novamente. Para mim, o maior problema não é exatamente quando a violência acontece. O problema é passar anos com medo de que aconteça. E no caso do Brasil, com base nas estatísticas, muitas pessoas sofrem com este medo constantemente. Então, para se viver bem no Brasil, ou se faz alguma coisa para mudar, algo muito difícil, ou então se faz de conta que o que aparece nos noticiários são coisas que jamais aconteceriam com você. Não sei se eu conseguiria viver esta ilusão novamente.

Acho que estou meio melancólica hoje. Talvez porque ontem descobri que estou com infecção da parótida, ou seja, caxumba... Meu rosto não está inchado, nem nada, mas estou com bastante dor e não consigo nem mastigar direito. Ontem fui à minha médica e ela receitou um antibiótico. Segundo a minha irmã, este antibiótico no Brasil custa mais de 100 reais e aqui eu paguei 3 dólares. Dá para acreditar?!

Mas na verdade, todos estes pensamentos vieram à minha cabeça porque eu realmente comecei a cogitar a hipótese de voltar. O Andreas e eu nos separamos há algumas semanas atrás. Foi uma decisão que ficamos adiando por muito tempo e que agora eu tenho certeza que não tem volta. Apesar de ter sido uma decisão difícil, foi o melhor para nós dois. Então agora estou começando uma nova vida, e se meus dois irmãos voltarem, creio que seria meio triste para mim ficar aqui. Sinto muita falta dos meus pais e ficar longe também dos meus irmãos, seria ainda mais complicado. O Felipe e a Ana já têm a vidinha deles e o Julio tá cada dia mais perto de ser um adulto e querer levar sua própria vida. Ele inclusive já está até trabalhando, no mesmo mercado que o irmão. É muito engraçado ver ele de uniforme que leva até gravata. Afinal, ele sempre será meu bebezinho.

Então, fico torcendo para que meu irmão consiga um emprego para podermos ficar mais tempo por aqui e que para que ele e a Nara consigam sair desta angústia da procura de emprego, para uma situação em que eles possam realmente curtir tudo de bom que a Nova Zelândia tem para oferecer, mesmo que seja para mais tarde voltarem. Mas pelo menos, estarão com um espírito tranquilo para poderem curtir a paisagem durante esta viagem.

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Saúde na Nova Zelândia

Acho que eu vou "morder a língua" a respeito das críticas que tenho feito ao sistema de saúde deste país. Explico o porquê:
- A Pimentinha um dia desses machucou o dedo do pé e até achou que tinha quebrado. Não consigo imaginar como ela conseguiu isso... (risos) Talvez da mesma forma que ela derruba tudo ao redor, vive quebrando os copos, espirra os molhos da cozinha nos olhos, etc, etc... Não sei por quem puxou... (risos) Enfim, ela precisou ir ao hospital para tirar um raio-x. Foi atendida por uma enfermeira, tirou o raio-x, foi medicada e gastou.................................... nadinha. Acontece que a Nova Zelândia tem um programa financiado pelo governo chamado ACC (www.acc.co.nz) que cobre custos médicos para acidentes de qualquer um, inclusive turistas. Isso inclui: ambulância, hospital, médico, raio-x, cirurgia, medicamentos e até transporte. Ufa, não precisamos mais nos preocupar (tanto) com a nossa Pimentinha!
- Desde que eu me conheço por gente, eu sempre tive problemas de eczema no ouvido. Isso sempre foi muito inconveniente devido principalmente à coceira que provoca. Já fui a vários otorrinos no Brasil e já me receitaram diversos tipos de pomadas, remédios para pingar no ouvido, e até uma vez a médica sugeriu que eu usasse um daqueles aparelhos parecidos com os para surdez, para tomar banho e evitar que a água entrasse no meu ouvido. A minha GP (clínica geral) daqui, pediu um exame de laboratório da secreção do meu ouvido, detectou um fungo e me receitou um remédio específico para combater aquele tipo de fungo. Não quero ficar muito animada, mas tudo indica que a minha eczema, que me atormentou por anos, está curada!
- Tenho também uma hérnia de hiato (coisa de velho!) que requer acompanhamento. Por isso fui a um gastroenterologista aqui para fazer uma endoscopia e ver como andava a minha hérnia. Todos os médicos no Brasil queriam fazer cirurgia. Este médico neozelandês, me deu uma aula sobre o aparelho digestivo, o que era a hérnia de hiato, o que causava, quais as possíveis consequências, utilizando para isso 2 telas de computadores e em uma delas ele desenhava em cima de diversas figuras na tela, para esclarecer o assunto. Me explicou sobre as desvantagens da cirurgia e foi muito convincente. Depois disso ele fez o exame, do qual eu felizmente não lembro de nada por estar dopada. Eu acordei em uma confortável "cadeira do papai" e ganhei um delicioso sanduiche. Então o médico voltou e me explicou que apesar de ainda ter a hérnia, ela não estava provocando nenhum dano ao meu organismo e portanto eu só precisaria tomar um medicamento para controlar os sintomas. Tenho que confessar que foi o melhor gastro que eu fui até hoje!
Enfim, até o momento, não tenho do que reclamar do sistema de saúde na Nova Zelândia. Espero que continue assim.

Vida social agitada

Sempre comento que aqui em Wellington a minha vida social é bem mais animada do que a que eu tinha no Brasil. Nesses últimos dias tivemos:

Boliche

Passeio para Masterston North
E ainda aproveitando o final de verão, churrasco no Queen Elizabeth Park







Com direito a pôr do sol na praia...





Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Coquetel com comida brasileira

No sábado passado eu ajudei a organizar um coquetel naquele restaurante, Dine and dream, que eu já mencionei aqui, cuja chef é uma brasileira. Foi muito legal! Foram mais de 30 brasileiros vários dos quais eu ainda não conhecia.

Teve pão de queijo:

Quibe:
Coxinha de frango:
Sopa de feijão:
Camarão na moranga, carne seca na moranga, lombinho com abacaxi, salada de beterraba... hummmm que delícia!Chico balanceado (banana flambada com creme de limão), mousse de maracujá, brigadeiro, beijinho...
Da esquerda para a direita, Nara, Pimentinha, Alessandra, Angela e Luciana

Na mesma ordem: Gabriel, Lucas, Felipão, Francisco e Alexandre
Também tivemos a famosa cantora de bossa nova aqui na Nova Zelândia, Alda Rezende. Com ela abaixo o Julio e a Isabella que nos embalou com música brasileira nesta festa!
A Clô, que é professora de samba aqui em Wellington, o namorado dela, a Isabella, euzinha e meu filhote Julio.
E a festa seguiu animada...

Até a Pimentinha entrou no embalo.
E me tirou para dançar um sambinha...Abaixo o marido da Alda, o Rafael e o Cristiano.Meu irmão Francisco, o Alexandre, o Lucas, a Laura, a Roberta, o Gabriel e o Felipe.
Felipe e Tia Lele (Gisele).
Alessandra, Angela e Pimentinha saboreando uma deliciosa sopa de feijão.

Meu filho adotivo Guilherme

O Camilo e o Julio mostrando o amor à pátria...
O pessoal trocando informações de contato. Abaixo a Zelita, de preto, que mora há 11 anos aqui na NZ e o marido dela Phillip(de blusa listrada).
Comida brasileira até sentado no chão fica bom... ;-) Abaixo a minha cunhada preferida (e única) e meu irmão amado.

Aí já estamos relaxando no sofá.
À direita a gaúcha Paula.

A Jânia, que mora há 20 anos aqui, eu e a Zelita.
O Julio também ajudou a animar a festa.


Aqui a nossa Pimentinha depois de ter tomado a garrafa toda... ;-)
O Rafael também colaborou com a festa.
Enfim, foi mais um dos momentos inesquecíveis em que os brasileiros que vivem na Nova Zelândia puderam se sentir um pouco mais em casa inclusive com comida "caseira". Tava bom demais!!! Parabéns Cláudia pelo sucesso total!

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Restaurante especial com comida brasileira

Na semana passada as "meninas" da casa foram as convidadas de honra de um restaurante, aqui em Wellington, muito especial. Quem nos convidou foi a nossa amiga Claudia, que é brasileira e chef de cozinha deste restaurante. O restaurante é especial por diversos motivos:

- Só atende 1 grupo por noite, que pode ser um casal ou até 8 pessoas para jantar. Com isso, os clientes tem a exclusividade do restaurante;
- Você pode ficar lá até amanhecer o dia se quiser, não tem pressa para ir embora e portanto é possível comer tranquilamente;
- O ambiente é composto pela sala de jantar, sala de estar e uma área externa que pode ser bem aproveitada nas noites quentes. Na sala de estar tem uma televisão bem bacana com DVD e você pode levar os filmes que quiser para assistir após ou antes do jantar tranquilamente, inclusive espichado no sofá se quiser... ;-)
- A vista é para o porto de Wellington e é maravilhosa;
- O atendimento é de primeira! Os donos são dois sócios, uma chinesa e um inglês, super simpáticos e que nos deixaram super à vontade!
- Você pode levar a sua própria bebida;
- Mas o melhor de tudo, sem dúvida, é a comida... só de falar já me deu água na boca. Olha só o que nos serviram:
1- Coxinha de frango (maravilhosa), empadinha de palmito (pasme!) e acarajé (dá para acreditar?). A Nara eu eu fomos experimentar acarajé, pela primeira vez na vida, na Nova Zelândia;
2- Um prato feito com um peixe crú, marinado no limão, com alface e pimenta;
3- Uma sopa de feijão apimentada na dose certa e inclusive com paio... que delícia!!! A Nara já estava pedindo para a Cláudia servir a sopa em balde...
4- Duas morangas (abóbora), uma recheada com camarão ao molho branco e outra com carne seca. Nossa, vocês não fazem idéia do sabor destes pratos... Foi servido com um arroz que eu queria saber como a Cláudia conseguiu deixar tão saboroso. Foi difícil parar de comer...
5- Sobremesa: banana flambada coberta com creme de limão, 1 beijinho, 1 cajuzinho e um brigadeiro!!!

Sem dúvida nenhuma eu afirmo categoricamente que este foi o MELHOR restaurante que já fui aqui na Nova Zelândia e melhor em todos os aspectos!

Mas quem por acaso não curtir este tipo de comida, também pode reservar outros estilos.

O preço é NZ$95 por pessoa, o que não é nada caro para os padrões da cidade e inclui uma noite inteira neste lugar tão bacana. Estou louca para organizar um jantar com meus amigos kiwis para eles se lambuzarem com a maravilhosa comida brasileira.

Esta é a sala de jantar:
Aqui é a área externa onde saboreamos a sobremesa.
A Cláudia nos explicando como serviria os pratos.
Uhmmmmmmmm.... o camarão na moranga!
As "meninas" se sentido princesas e esperando a foto ser tirada para atacar os pratos!

Abaixo a sala de estar, onde se pode relaxar depois de tanta comilança:
A TV e DVD para curtir um filminho. Quando chegamos lá estava tocando Marisa Monte. Dava para ser melhor do que isso?! E para os mais românticos, ainda existe a opção de pernoitar no local após um jantar à luz de velas. O preço para o casal é NZ$300 e inclui o jantar e o café da manhã.

O nome do restaurante é Dine and Dream e fica no Mt Victoria. Vejam a brochura abaixo com mais informações:




Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Quer trabalhar na Nova Zelândia?

Muitas pessoas estão acompanhando, já há mais de ano, a “trama” de sucesso que Jeanine, Andreas, Felipe, Júlio e Ana tiveram até agora. A “trama” interessa não só parentes e amigos, mas também outras pessoas que, por um motivo ou outro, gostariam de deixar o Brasilzão e tentar começar uma nova vida em um País desenvolvido. São os “aventureiros”.

Por isso mesmo, e apenas no intuito de prestar uma espécie de “serviço de utilidade pública”, eu gostaria de apresentar uma breve visão do desenrolar dessa “trama”, da perspectiva de alguém que ainda a está vivendo.

Quer construir uma carreira de sucesso na Nova Zelândia? Você só precisa de duas coisas – e uma delas é uma carreira de sucesso. A outra, obviamente, é falar inglês.

Já fui a mais de uma dezena de entevistas, já me candidatei (os neobrasileirandeses falam “aplicar” para uma vaga, numa curiosa “tradução” do verbo “to apply”) a mais de uma centena de vagas, e ainda não consegui ser contratado, apesar de ser fluente na língua inglesa. Sabe o que me falta? Uma carreira na área de informática no Brasil, antes de ter vindo para cá.

A minha “trama” particular é um pouco complicada. Sou um brasileiro formado em Direito. Além da graduação tenho um daqueles títulos metidos a besta – o Mestrado. Fui Professor de uma disciplina do Curso de Direito. Cheguei a exercer a Coordenação de um Curso de 2004 a 2007. Logo que saí da Faculdade na qual trabalhava (2007), comecei a trabalhar em uma empresa de informática, para aprender uma carreira a exercer na Nova Zelândia, porque já sabia que vinha para cá.

A sala da Nara: a maioria dos imigrantes são asiáticos

Então, como você já percebeu, me falta uma carreira consolidada na área certa para ter sucesso por aqui. Todos os meus títulos. graduação e experiência em Direito e Docência valem tanto quanto um micróbio por aqui (menos, dependendo do micróbio). E minha experiência na área de IT (informática, na língua inglesa) é insuficiente para obter as vagas por aqui.

É interessante perceber que a minha experiência permitiria ser contratado para cargos mais modestos na área de IT. Cargos como “desktop support” ou “help desk” precisam de pouca experiência. E isso eu posso oferecer. Mas não tenho obtido sucesso nelas, apesar da abundância de vagas.

O fato é que os estrangeiros são muito bem-vindos para cargos que exijam bastante experiência. Para os cargos menores, em que pouca experiência é necessária, há uma óbvia preferência pelos neozelandeses. E no que se refere aos empregos não especializados, para os quais nenhuma experiência anterior é necessária, estes não dão direito ao work permit. A teoria é que esses empregos devem ser reservados aos cidadãos kiwis. Se um empregador quiser insistir no estrangeiro, precisa publicar a vaga em jornal de ampla circulação, por várias vezes, e não havendo “aplicações” kiwis, pode então usar mão-de-obra estrangeira.'

Eu conheci vários neobrasileirandeses que tiveram suas passagens, estadia, e custos de imigração todos pagos pela empresa contratante. Não preciso nem mencionar que eles são muito experientes e bem-sucedidos em suas áreas, como os “aventureiros” Jeanine e Andreas.

Quando o “aventureiro” chega na Nova Zelândia, se não for um dos sortudos contratados à distância, deve passar pelo processo “ordinário” de imigração por aqui. Ao chegar, você recebe um visto de turista por x meses (sendo “x” uma variável, que atualmente está em 3). Esse visto pode ser renovado desde que você demonstre que tem dinheiro. Dizem que não é muito difícil conseguir ficar até 9 meses enrolando a Imigração com visto de turista.



Motorista não dá direito ao "work permit"



Seguindo o processo “ordinário”, você se candidata e consegue um emprego, mas não pode ainda trabalhar. O seu “promitente-empregador” (a empresa que vai te contratar) te dá uma carta chamada “offer of employment”, e nela devem constar as funções especiais que você e suas qualificações conseguem realizar. Essa carta será então protocolizada na Imigração, para que eles avaliem se a função para a qual você será contratado consta da “shortage list” (lista de mão-de-obra especializada em falta na Nova Zelândia). Se tudo correr bem, você obterá uma “work permit” (permissão de trabalho), e, com ela, o direito de trabalhar e a felicidade eterna. A partir daí, tudo fica fácil, e para conseguir a residência, basta preencher alguns requisitos burocráticos e pronto! É possível iniciar o processo postulando a residência diretamente, mas aí é outro caso.

Como se vê, o gargalo aqui é a “work permit”. Como disse, você só precisa da “offer of employment” para consegui-la. Mas não é que muitas empresas te pedem a “work permit” antes de te oferecer o emprego?!? Se você quiser se candidatar a uma vaga na Universidade Vitória, por exemplo, e no formulário declarar que não é residente, nem tem permissão de trabalho, o próprio formulário eletrônico bloqueia o processo, e você não é sequer considerado! Já tentei persuadir o formulário, mas ele tem sido inflexível. É aqui que você se vê no dilema do ovo e da galinha.

Eu acredito que vou conseguir esse círculo galináceo, obtendo a oferta de emprego. Acredito que é só uma questão de tempo. Meu inglês é fundamental e minhas habilidades de relacionamento interpessoal ajudam bastante. Mas não há nada de fácil neste cenário.

E é por isso que estou escrevendo esse tema. Gostaria que as pessoas que planejam vir para cá ao preço de grandes sacrifícios, tivessem uma visão mais aproximada da dura realidade que um “aventureiro” deve esperar e enfrentar.

Há quem pense que o voluntarismo, e a fé cega em algum objetivo, bastam para obtê-lo. Eu não compartilho dessa opinião (que para mim é mais um sentimento do que opinião). Neste passo, eu estou de acordo com o pensamento de Maquiavel. A sorte é como um fluxo de água que desce um morro, para desaguar numa planície. A água pode desembocar em vários locais na planície, e isso depende, em parte, de vários fatores alheios à vontade humana. Mas você pode interferir no processo, e, por meio de algum planejamento e esforço, levar a sorte a um destino vantajoso para você. Assim, construindo algumas barragens, e apondo alguns obstáculos ao fluxo de água da nossa metáfora, podemos levar a água a desembocar mais ou menos onde queremos. Para mim, esse é o sentido real da expressão “a fé move montanhas” (embora na nossa situação, seria melhor dizer que a fé move águas).

Os aventureiros precisam de um equacionamento entre o necessário planejamento e esforço prévio, sem o qual a aventura está fadada ao fracasso e à desilusão, e aquela inabalável fé nas suas decisões, sem a qual o tormento da dúvida corrói e dilui a força de vontade.

Para ter sucesso numa terra estrangeira, seu intelecto precisa do inglês e do domínio de uma
profissão, como já mencionei. Mas creio que é preciso mais. O espírito precisa também ter em sua substância a garra revelada pela determinação, e um pouco daquela fibra inexpugnável que recobre o espírito dos grandes desbravadores. Essa é a conclusão à qual cheguei aqui, e que é confirmada a cada dia que permaneço aqui.





Será que essa é considerada mão-de-obra especializada?