segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

The end

Ano passado este blog completou 5 anos. Achei que era um bom momento para encerrá-lo. Mas antes disso, eu queria receber o texto do Rod pois achei interessante compartilhar a visão de um neozelandês que mora no Brasil sobre como é a vida por lá. O post fez muito sucesso e recebi muitos comentários positivos e alguns negativos como já era de se esperar. Me senti motivada então a escrever o post anterior.

Mas, agora que eu já publiquei o texto do Rod, eu decidi que é hora de encerrar o meu blog como um marco de início de uma nova fase da minha vida. Este ano eu quero cuidar mais de mim, investir em atividades outdoor e ficar menos tempo na frente do computador.

Eu sempre acreditei que a vida não tem propósito se não ajudarmos uns aos outros. A felicidade verdadeira para mim está muito associada a sentir que você fez diferença na vida de alguém. E este blog me fez muito feliz neste aspecto. Feliz de verdade. Outras vezes me fez passar raiva ou chorar de emoção. Me fez refletir sobre tantas coisas importantes e me ajudou a organizar meus pensamentos. Foi uma experiência muito enriquecedora e emocionante e que valeu a pena.

Agradeço de coração à todas as pessoas que torceram por nós, mandaram palavras de carinho e apoio, e que de perto ou à distância participaram da nossa história. Muito obrigada!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Lutar para mudar o Brasil mesmo à distância – um exercício de cidadania e demostração de amor por uma nação

Me entristece muito ver brasileiros que perdem a compostura quando um brasileiro que não mora mais no Brasil, ou um estrangeiro, lamentam exatamente pelos mesmos problemas que estes mesmos brasileiros vivem a se queixar no dia a dia. No meu último post publiquei um depoimento de um Kiwi que mora no Brasil e a percepção dele sobre o país. Ele, em nenhum momento faltou com o respeito pelo Brasil e muito menos pelos brasileiros, muito pelo contrário. Ele comentou que acha muito injusto os brasileiros trabalharem duro para colocar comida na mesa em um país que é muito rico, somente porque que uma minoria se privilegia do sistema corrupto do país desviando milhões de reais para seus próprios benefícios. Considerei que o Rod se preocupa e se importa mais com os brasileiros do que a maioria dos brasileiros o faz.

Via de regra, infelizmente cada um só se preocupa com sua vidinha e não quer se envolver em nada que tome seu tempo para transformar tantas injusticas sociais que ocorrem no Brasil. E a minoria que tenta mudar, sofre para conseguir adesão das pessoas para tentar melhorar qualquer coisas. Posso dizer que eu fiz parte desta minoria, e só me decepcionei ao tentar mudar coisas pequenas, mas que poderiam ajudar a melhorar a vida de algumas pessoas desprivilegiadas. A maioria não quer se envolver e parece que nem se importa. Infelizmente estas coisas tão negativas como as diferenças sociais absurdas, a violência e a corrupção, se banalizaram no Brasil e quando a maioria dos brasileiros se deparam com cenas chocantes como uma criança dormindo na rua ou passando fome,  eles simplesmente desviam. Isso é muito triste, mas talvez seja a estratégia de sobrevivência de cada um em um lugar tão injusto que é o Brasil. Eu não consegui me adaptar a isso. Eu nunca me conformei em ver tanta riqueza e pobreza no mesmo lugar. E a consciência de que, enquanto a maioria da população brasileira não se revoltar com tanta injustiça, e que, não é uma, ou poucas “andorinhas que vão fazer o verão”, me fez decidir me mudar e trazer meus filhos para um lugar onde já é pelo menos “primavera”.

Eu tinha uma vida muito boa no Brasil se formos considerar apenas o conforto e bens materiais. Ainda hoje, se eu decidisse voltar ao Brasil, tenho certeza que com a minha experiência profissional eu poderia ganhar muito mais por lá do que ganho aqui. Acontece, que o que as pessoas não conseguem entender, é que existem coisas que não tem preço, que simplesmente não podem ser compradas. Por exemplo, como eu poderia comprar a tranquilidade de saber que quando meu filho sai à noite para uma festa, eu não preciso me preocupar pois ele não corre risco de ser sequestrado ou assassinado como aconteceu com centenas de jovens brasileiros? Quem tiver interesse pode chorar ao ler algumas histórias tristes neste site: Album de vitimas Este tipo de tranquilidade simplesmente não pode ser comprada, não importa o quanto dinheiro você tenha. Claro, que quanto mais rico você é, mais você pode se proteger disso, mas ainda assim, não deixa de correr o risco. Eu optei pela tranquilidade, paz e simplicidade ao invés de luxo, dinheiro e medo.

Mas não pensem que tudo são flores. Quando decidimos mudar para outro país a nossa adaptação à uma nova cultura é um desafio imenso, assim como viver longe do lugar que por anos foi a nossa casa e onde estão muitos dos nossos familiares e amigos. Então nós também perdemos muitas coisas por conta dos problemas que não conseguimos tolerar no Brasil e que nos fizeram procurar por outro lar. E todos nós sonhamos que um dia o Brasil possa oferecer as mesmas condições dignas que encontramos em lugares onde, apesar de sermos estrangeiros, somos muito mais bem tratados e respeitados do que éramos no país onde nascemos.

Se acessarmos qualquer jornal do Brasil e lermos os comentários de brasileiros que vivem no Brasil, podemos ver palavras de indignação e revolta com relação aos mesmos assuntos citado no meu post anterior: corrupção, desigualdade social, violência, assuntos que, enquanto no meu blog são tratados com seriedade e respeito, , é comum acharmos nestes comentários feitos por brasileiros que residem no Brasil muitos ataques pesados e desrespeitosos ao Brasil. Entretanto, só porque não moro no Brasil eu perdi o direito de falar das coisas que todos sabem que acontecem por lá.  Eu simplesmente não entendo esta reação, em que pessoas chegam ao ponto de faltar com a educação e respeito usando palavrões de baixo calão e palavras ofensivas por óbvia falta de argumentos. Afinal, como eles poderiam refutar pesquisas internacionais que comparam os índices de corrupção, violência e qualidade de vida, que ano após ano revelam a realidade triste do nosso país? A única forma de contra argumentar é através da agressão. E este tipo de comportamento grosseiro e desrespeitoso de alguns brasileiros, nos deixa ainda mais envergonhados da nossa cultura, que tem tantas coisas bacanas que poderiam nos trazer orgulho, mas que simplesmente se perdem diante de um comportamento assim.

Eu não entendo porque as pessoas têm esta obsessão de defender o indefensável. Tendo morado longe do Brasil, em um país que não é corrupto e onde existe uma preocupação forte com a comunidade, tudo que passa pela nossa cabeça, é que o Brasil poderia ser assim e até muito melhor, se não houvesse corrupção e se as pessoas fossem mais engajadas em causas comunitárias. Quando passeamos por parques aqui, e vemos tudo tão limpo e bem cuidado, pensamos que os parques do Brasil poderiam ser tão bonitos como esses se as pessoas fossem mais educadas e se o governo investisse mais na preservação e cuidado da natureza maravilhosa que ainda existe no nosso país. E acima de tudo, quando percebemos a preocupação que ainda existe com a vida de cada ser humano aqui, percebemos como a violência está banalizada no Brasil e que a vida do ser humano perdeu o seu valor.

Entendo então, que os brasileiros que ainda não tiveram esta experiência, deveriam ter um pouco de humildade para nos ouvir, sem querer nos atacar, para também poderem enxergar através dos nossos olhos e acreditar que existem outros “mundos” em quais o Brasil poderia se espelhar, e acreditar de verdade que é possível sim construir uma sociedade mais solidária e mais justa. Tudo que nós que vivemos fora do Brasil queremos quando escancaramos os problemas do Brasil, e mostramos como é diferente aqui, é dizer que é possível ser melhor. Nós poderíamos simplesmente esquecer que existe um país chamado Brasil e seguir com as nossas vidas tranquilas no novo lar que adotamos para nós. Mas por que não nos conformamos, nós continuamos, mesmo à distância, tentando mudar um país que tinha tudo para ser o paraíso.

“Our lives begin to end the day we become silent about things that matter”

In the End, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends”

– Martin Luther King Jr

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Brasil por um neozelandês – Living in Brasil – going the other way

Desde que chegamos aqui, é sempre comum os neozelandeses nos perguntarem porque deixamos o Brasil. E aqueles que já passaram férias lá, custam a entender o que nos fez deixar de um país tão bonito, com espírito constante de festa, com um clima quente, para virmos morar nesta ilha longe de tudo. Acontece que passar férias no Brasil é bem diferente de viver lá. Até mesmo brasileiros que moram aqui e passam  férias no Brasil acabam criando uma ilusão de que tudo por lá é maravilhoso. Aqueles que decidem voltar baseados nesta ilusão, normalmente se arrependem.

Assim, achei muito legal ter conversado com o Rod Halliday, que é um neozelandês com uma história bem diferente da maioria. Ele conheceu a namorada brasileira aqui, e quando ela decidiu voltar para o Brasil, ele decidiu acompanhá-la. Mais uma história de amor muito bonita!

Encontrei o Rod em uma festa de amigos comuns quando ele veio passear aqui durante a copa de rugby. Achei muito interessante ouvir a opinião de um Kiwi que realmente se mudou para o Brasil para viver lá. E, como já era de se esperar, viver no Brasil tem sido um grande desafio para ele.

Eu pedi para ele escrever um post para mim e ele gentilmente aceitou colaborar com meu blog. Abaixo o texto dele já traduzido para o português. Depois a versão original em inglês.

“Tendo nascido Kiwi e sendo criado como tal, que ama o rugby e a uma bebedeira de vez em quando, nunca imaginei que me encontraria com uma menina bonita brasileira e acabaria vivendo no Brasil. Mas quando o amor toma conta do seu coração você nunca sabe exatamente onde você vai acabar na vida. De todos os brasileiros que conheci na Nova Zelândia eu estimo que cerca de 80% deles pretendem ficar na Nova Zelândia e começar uma vida nova. Mas eu acabei conhecendo alguém que estava entre os outros 20% que não querem ficar longe do Brasil. Então, no ano passado, fizemos as malas e viemos para o Brasil para criar uma nova vida. Eu deixei para trás meu próprio negócio, uma profissão e, claro, meus amigos e família.

Vivemos aqui por mais de um ano em uma cidade linda do litoral em Santa Catarina, que tem um clima fantástico. Eu gosto de meu churrasco semanal e eu estou aprendendo um novo idioma, o que sempre foi um dos meus objetivos na vida. O português é uma língua difícil, mas estou melhorando, dia após dia. Com certeza, não há melhor lugar para aprender uma língua do que no próprio país em que ela é o primeiro idioma. Embora o começo de vida em qualquer país novo seja sempre difícil, há um monte de coisas aqui no Brasil que fazem esse processo mais difícil e às vezes incrivelmente frustrante.

A primeira meta ao chegar em qualquer país novo, é encontrar alguma renda através de um emprego. Chegar no Brasil sem um monte de dinheiro foi um grande erro para nós. Apesar de termos um apartamento para viver (muita sorte), você ainda precisa comer e pagar as contas e encontrar um emprego aqui acabou por ser muito difícil. Minha companheira é uma profissional qualificada da área de saúde e após a aplicação para vários cargos públicos com um salário de mais ou menos R$1200/mês, ela continua desempregada depois de um ano e não recebeu uma única carta ou e-mail vinda de qualquer empregador informando que ela não havia sido escolhida. Um emprego na iniciativa privada, perto da costa bonita de 'Bombinhas', teve 200 candidatos e estava pagando o salário mínimo. Ela não entendeu, e se decepcionou ainda mais, quando descobriu que teria que pagar R$100 pelo “privilégio” de fazer um exame de 3 horas em um domingo de manhã. Tentar ganhar dinheiro é incrívelmente difícil aqui e eu cheguei à conclusão de que o Brasil é muito mais um país sobre "quem você conhece” e não tanto sobre "o que você conhece", como é na Nova Zelândia. O salário mínimo aqui no Brasil é ridiculamente baixo e é um insulto, especialmente para aqueles que têm alguma formação. Na maioria dos casos, o salário mínimo só permite que uma pessoa possa sobreviver se ela viver com seus pais.

A maioria das coisas boas que aconteceram para nós desde que chegamos no Brasil surgiram como resultado de conexões familiares, amigos ou colegas de trabalho. O Brasil é como uma teia de aranha grande e complicada que conecta uma enorme gama de pessoas, mas que é impossível de ver ou compreender. Para conseguir um bom trabalho em uma empresa privada, você realmente precisa fazer parte da “teia” correta. E para conseguir um bom trabalho no setor público, você precisa para estar no topo dos 2% de pessoas intelectuais já que todos os cargos no setor público são baseados em Concursos que aparecem apenas para testar o intelecto e conhecimentos gerais, em oposição à experiência, conhecimento técnico, habilidade de tomada de decisão, habilidades interpessoais ou outros atributos-chave que pode fazer alguém mais apropriado para um trabalho mais do que uma pessoa com conhecimento puramente acadêmico.

Então, da minha experiência aqui, eu vejo a grande maioria dos jovens caindo em um buraco de desesperança. Isso é estranho porque no Brasil é dada uma enorme importância ao grau de formação da pessoa, até mais do que na Nova Zelândia, e há muitos profissionais altamente qualificados aqui. Mas aonde estão os postos de trabalho e onde está o salário que reflete as qualificações que muitas pessoas possuem é o que eu me pergunto.

Dada esta situação, o problema maciço de crimes violentos no Brasil começa a fazer algum sentido para mim. Sem emprego e sem um sistema de bem-estar para à população para atender as necessidades básicas, as pessoas com famílias que não podem ter alimentos para si ou para seus filhos, naturalmente, vão sair e roubar. Eu faria o mesmo se eu estivesse em uma situação desesperada e tivesse uma família com fome em casa? Provavelmente! É um instinto básico de sobrevivência e e de proteção à sua família e em tempos de desespero assim, a moral e a  consciência social saem pela janela. Adicione a isso os traficantes que vendem drogas para essas pessoas sem esperança e você tem um grande problema social. Assim sendo, você tem sempre que ter cuidado no Brasil. Eu aprendi a estar sempre atento ao que acontece à minha volta e nunca baixar a guarda. Isto pode ser muito cansativo e é algo que eu não costumava precisar fazer.

Acima de tudo, o que mais me decepciona no Brasil são as histórias sem fim de corrupção. Todas as noites assistindo o Jornal Nacional, é sempre a mesma coisa. A maioria das notícias são cheias de histórias de crime e corrupção e, como Kiwi eu não posso tolerar a injustiça ou abuso de poder que é o que está acontecendo em uma escala inacreditável no Brasil. De políticos, à policiais e prefeito, a corrupção é ilimitada.

Dê poder ou responsabilidade a alguém, combinado com acesso ao dinheiro, e a tentação de abusar dessa posição é vergonhosamente alta. Infelizmente, este país está tomado pelo câncer da corrupção ao mais alto nível e que parece impossível de ser eliminado. É muito difícil para mim, ouvir histórias de crime de colarinho branco na casa dos milhões de reais sendo cometidos diariamente, quando todos ao meu redor são pessoas lutando para pagar contas ou colocar comida na mesa.

O Brasil tem tanto potencial com o seu vasto território e recursos naturais abundantes, como petróleo, gás, açúcar, feijão e café; e tem a capacidade inata de ganhar muito dinheiro vendendo estes produtos para o mundo. O Brasil não é como alguns outros países onde não há recursos naturais para o comércio. Aqui tem muita coisa para fazer muito dinheiro. Por isso, não posso aceitar comentários que ouço de que o Brasil é pobre, ou se referindo a outros países, por exemplo, a Europa, como sendo tão rica. O Brasil é rico. Há também um monte de terra não utilizada disponível para pasto ou a produção de alimentos que ainda tem que ser aproveitada e isso não inclui áreas ecologicamente importantes. Fiquei sabendo recentemente que apenas 20% de terra disponível no Brasil está sendo utilizada para agricultura. E mesmo sendo este o caso, a Brasil recentemente subiu para a sexta maior economia do mundo e agora está acima da Grã-Bretanha. Quando esta notícia chegou ao Brasil, as pessoas ficaram muito orgulhosas de seu país. E com razão. Mas, apesar do Brasil estar rapidamente se tornando uma potência econômica no mundo, a distribuição de sua riqueza é o onde as coisas vão muito mal. Para o brasileiro da classe média, a vida ainda é difícil, os salários são espantosamente baixos, eles trabalham longas horas e os indíces de violência são muito altos.

É comum ouvir as pessoas aqui reclamando sobre a corrupção entre os políticos, dos altos impostos e da falta de planejamento de infra-estrutura. Eu estava em um churrasco no último fim de semana com as colegas de faculdade da minha namorada, conversando com duas pessoas que eu nunca tinha conhecido e não demorou muito para elas expressarem sua frustração com o sistema aqui no Brasil. “Não votem para os políticos corruptos ", eles comentaram, “e virá outro grupo de reformistas promissores que muitas vezes vêem a mesma oportunidade de ouro para roubar". Depois de ouvir isso, eu sempre pergunto então qual é a solução para o Brasil . E a resposta é sempre a mesma. "Não tem solução". A cultura é arraigada no sistema. É como um câncer terminal. Você pode tentar operar e cortá-lo, mas ele simplesmente continua voltando. A melhor resposta que me foi dada até agora é que foram os colonizadores Portugueses, 500 anos atrás, que trouxeram a mentalidade da corrupção que instalou-se no sistema político que existe até hoje.

Esta mentalidade e atitude também pode explicar a minha observação de que o número de regras e leis que devem ser obedecidas no Brasil é diretamente proporcional à quantidade de poder e dinheiro que você tem. Quanto mais dinheiro você tem, mais problemas você pode resolver na conversa ou comprar uma “solução”. Eu percebi que no Brasil, um monte de coisas (e funcionários) estão à venda. O cara dirigindo a 150km/hr na BR101 ou o cara que tenta cortar a fila na loteria. É tudo a mesma coisa para mim. Classe social é predominante aqui e é tudo baseado em torno do poder e dinheiro. A arrogância desse tipo de pessoas faz meu sangue ferver. Na Nova Zelândia, alguém que age como se fosse o dono do lugar ou age como alguém que se acha melhor ou mais importante que os outros, é imediatamente “cortado”. Esta aversão dos neozelandeses à pessoas que “se acham”, é chamado de "tall poppy syndrome" e é visto como um aspecto negativo da cultura da Nova Zelândia porque é prejudicial para o crescimento pessoal e empresarial. Mas pelo menos  isso ajuda a eliminar atitudes baseadas em classes sociais. Talvez o Brasil precisasse de uma dose disso.

Costumo olhar para fora da janela do nosso apartamento para a cidade agitada e fico imaginando como algumas indústrias, setores e sistemas realmente funcionam. Com tanta desorganização, demora e atraso no mundo dos negócios, a corrupção e desonestidade, de algum modo as coisas ainda acontecem. É um sistema único, que tem uma forma única e, muitas vezes caótica de funcionar. Isto é Brasil. Ame-o ou o odeie, é deste jeito que as coisas são e é provável que sejam por um tempo muito longo. Se o resto do mundo pode fazer negócios com um sistema como este é algo questionável. Mas estou certo de que o mundo vai encontrar um caminho. O Brasil é muito importante para ser ignorado. Quando cheguei no Brasil eu estava ciente de que o Brasil estava crescendo, e procurei por oportunidades de negócios. Eu gastei literalmente centenas de horas pesquisando várias possibilidades desde exportação de café à exportação de cerveja, mas eu cheguei sempre à mesma conclusão de que, como um gringo que não conhece ninguém aqui, é muito difícil. Há muita corrupção, incerteza e eu não acho que haja igualdade de condições, quando se trata de negócios aqui. Você tem que estar conectado e se manter fora do caminho dos 'big boys'. Achei impossível montar um modelo financeiro confiável de todos os custos e retornos. Havia muitas incertezas e incógnitas para mim para tentar alguma coisa, e nos negócios, são as  "incógnitas" que irão destruí-lo. A única maneira que eu consideraria um negócio aqui é se eu pudesse encontrar uma pessoa bem relacionada em quem eu pudesse confiar 100%.

A grande maioria das pessoas aqui trabalham duro, muitas vezes fazendo longas horas e ganhando pouco. Mas, quando o trabalho termina, os brasileiros gostam de ver a família, socializar, tomar uma bebida e festar. Isto é o que eu gosto daqui. Os neozelandeses são um pouco “Ingleses” e um pouco chatos, enquanto que aqui parece que há mais brilho e vida nas pessoas. Talvez o calor tenha algo a ver com isso.

No geral, eu tenho a dizer que viver no Brasil é muito mais difícil do que eu pensava que seria. Se você está bem conectado com as pessoas em posições influentes e que têm dinheiro, a vida no Brasil pode ser muito boa, de fato. Se você não for, então boa sorte para você. Mas  a experiência de viver aqui e entender a cultura da minha namorada tem sido muito boa para mim. Eu entendi agora de onde vêm muitas de suas idéias, atitudes e opiniões e isso nos ajudou a compreender melhor um ao outro.

Agora eu entendo porque ela nunca ficava animada sobre nada até que aquilo se tornasse real. É porque no Brasil você nunca pode contar com suas galinhas até que choquem (traduzi literalmente mas acho que fez sentido; a outra opção seria uma expressão muito feia para colocar aqui no blog ;-). Tantas coisas podem mudar aqui e ali e tem muita conversa e promessas que nunca se concretizam. Isso me leva à loucura, mas por enquanto vamos continuar tentando, e desfrutando da experiência de viver nesse lugar muitas vezes louco. A vida é sobre desafios pessoais e este é certamente um deles para mim.”

 

Original version:

“Living in Brasil – Going the other way – 23rd January 2012

As a born and bred Kiwi who loves rugby and the occasional drinking binge I never imagined I would meet a beautiful Brasilian girl and end up living in Brasil. But when love takes hold of your heart you never really know just where you will end up in life. Of all the Brasilians I have met in New Zealand I estimate that about 80% of them hope to stay in New Zealand and make a new life. But I just so happened to meet one of the 20% who didn’t. So last year we packed our bags and headed for Brasil to set up a new life. I left behind my own business, a profession and of course my friends and family.

We have been living here now for over 1 year in a lovely coastal City in Santa Catarina that has a fantastic climate. I enjoy my weekly churrasco and I am learning a new language which has always been one of my goals in life. Portuguese is a tough language but I’m slowing improving, day by day. For sure, there’s no better place to learn a language than in the actual country. Although setting up life in any new country is always difficult, there are a lot of things here in Brasil that make that process just that little bit harder and at times incredibly frustrating.

The first goal when arriving in any new country is to find some income in the form of a job. Arriving in Brasil without a lot of money was a big mistake for us as despite having an apartment to live in (very lucky), you still need to eat and pay bills, and finding work has turned out to be very difficult. My partner is a qualified health professional and after applying for several public positions paying around R$1200/month, is still unemployed after a year and did not get a single letter or email from any employer advising that she had been unsuccessful. One particular job, near the beautiful coast of ‘bombinhas’ had 200 applicants and was paying the minimum wage. She didn’t get it, and on top of that disappointment she had to pay R$100 for the privilege of sitting the 3 hour exam (on a Sunday morning). Trying to earn the currency and live off it is incredible tough here and I’ve come to the conclusion that it’s very much a country of ‘who you know’ and not so much about ‘what you know’ like it is in New Zealand. The minimum wage being offered here in Brasil is ridiculously low and is an insult, especially to those who are tertiary qualified. In most cases the minimum wage would only allow a person to exist by living with their parents.

Most of the good things that have happened to us since arriving in Brasil have come about as a result of family connections, friends or work colleagues. Brasil is like a large complicated spider’s web that connects a massive range of people but is impossible to see or understand. To land a great job in a private sector company you really need to be part of the right spider’s web. And to land a great job in the public sector you need to be in the top 2% of intellectuals as all positions in the public sector are based on concursos that appear only to test intellect and general knowledge as opposed to experience, technical knowledge, decision-making ability, interpersonal skills or other key attributes that might make someone more suitable for a job over an academic.

So from my experience here I see the vast majority of young people falling into a massive hole of hopelessness. This is strange because in Brasil there is huge importance placed on getting educated to a high level, even more so than in NZ, and there are many highly skilled and qualified professionals here. But where are the jobs. And where the wages that reflect the qualifications that many people possess.

Given this situation, the massive problem of violent crime in Brasil starts to make some sense to me. Without a job and no welfare system to provide for peoples basic needs, people with families who cannot provide food for themselves or their children are of course going to go out and steal. Would I do the same if I was in a hopeless situation and had a hungry family at home? Probably! It’s a basic instinct to survive and provide for your siblings and in desperate times you morals and social conscience goes out the window. Add to this the drug dealers who sell these hopeless people drugs and you have a big social problem. So you have to always be careful in Brasil. I’ve learnt to always be aware of your surroundings and never let your guard down. This can be very exhausting and something I am not use to doing.

Above all else, what disappoints me the most in Brasil are the endless stories of corruption. Every night watching Journal National news, it’s always the same. It’s full of stories of crime and corruption and as a kiwi I cannot tolerate unfairness or abuse of power which is what is happening on an unbelievable scale in Brasil. From politicians to policeman to the prefeito, it’s limitless. Give someone power or responsibility and combine that with access to money; and the temptation to abuse that position is shamefully high. Unfortunately, this country is riddled with the cancer of corruption at the highest levels and it appears impossible to eliminate. It’s very difficult for me to hear stories of white collar crime in the millions of reais being committed daily, when all around me I see people struggling to pay bills or put food on the table.

Brasil has so much potential with its vast land mass and abundant natural resources like oil, gas, sugar, bean and coffee; and has the innate ability to earn substantial income from selling these commodities to the world. Brasil is not like some other nations where there are no natural resources to trade. It has plenty and its makes a lot of money. I therefore do not accept comments I hear that Brasil is poor, or refer to other countries for example in Europe, as rich. Brasil is rich. There is also a lot of unutilised land available for grazing or food production that has yet to be tapped and this does not include ecologically significant areas. It was recently quoted to me only 20% of available land in Brasil is being used for agricultural use. And even with this being the case, Brasil has recently risen to the 6th biggest economy in the world and now sits above Great Britain. When this news hit Brasil, the people in Brasil were all very proud of their country. And rightly so. But despite Brasil fast becoming an economic powerhouse of the world, the distribution of its wealth is where things go horribly wrong. For the average Brasilian, life is still tough, the wages are appallingly low, they work long hours and crime is still high.

It’s easy to get people here complaining about the corruption among politicians, high taxes and the lack of infrastructure planning. I was at a churrascho last weekend with my girlfriends university colleagues talking to two people I had never met and it didn’t take long to ignite their fires of frustration with the system here in Brasil. ‘Vote out the corrupt politicians’ they said ‘and in will come another batch of promising reformists who all too often see the same golden opportunity to steal’. After listening I always ask.....so what is the answer for Brasil’. And the answer is always the same. “Nao Tem repostas”. Its cultural and its entrenched in the system. It’s like terminal cancer. You can try to operate and cut it out, but it just keeps coming back. The best answer I have been given so far is that it comes from the Portuguese colonists 500 years ago who brought the mentality of corruption and installed it in the political system that exists today.

This mentality and attitude may also explain my observation that the number of rules and laws you must abide by in Brasil is directly proportional to the amount of power and money that you have. The more money you have the more trouble you can talk or buy your way out of because I’ve realised that in Brasil, a lot of things (and officials) are for sale. The guy going 150km/hr on the BR101 or the guy trying to cut the queue at the loteria. It’s all the same to me. Social class is prevalent here and it’s all based around power and money. The arrogance of these types of people makes my blood boil. In New Zealand, someone who acts as if they own a place or is better or more important than you gets ‘cut down’. Very fast. This is usually referred to as the ‘tall poppy syndrome’ and is seen as a negative aspect of the New Zealand culture, because it is detrimental to personal and business growth. But at least it helps break down social class attitudes and perhaps Brasil needs a dose of this.

I often look out of the window of our apartment to the bustling city and wonder how some industries, sectors and systems actually function. With so much disorganisation, lateness and tardiness in the business world, corruption and dishonesty, it somehow ‘just does’. It’s a unique system that has a unique and often chaotic way of working. This is Brasil. Love it or hate it, it is the way it is; and the way it is likely to be for a very long time. Whether the rest of the world can do business with a system like that is questionable. But I am sure that the world will find a way. Brasil is just too important now not to. When I arrived in Brasil I was very aware of how Brasil was growing, and looked around for business opportunities. I have literally spent hundreds of hours researching various possibilities ranging from exporting coffee beans to beer but I kept arriving at the same conclusion. That as a gringo who knows nobody, it’s just too hard. There’s too much corruption, uncertainty and I don’t think it’s is a level-playing field when it comes to business here. You have to be connected and keep out of the way of the ‘big boys’. I found it impossible to put together a reliable financial model of all costs and returns. There were too many uncertainties and unknowns for me to try something, and in business, it’s the ‘unknowns’ that will destroy you. The only way I would consider a business here is if I could find a well-connected person who I could trust 100%.

The vast majority of people here are very hard workers, often working long hours and earning little but when the work is finished they love to see family, socialise, have a drink and party. This is what I like about living here. New Zealanders are bit more English and a bit more boring whereas here there’s a bit more spark and life in everyone. Perhaps the heat has something to do with it.

Overall, I have to say living in Brasil is much harder than I thought it would be. If you are well connected to people in influential positions and have money, then life in Brasil can be very sweet indeed. If you’re not, then its good luck to you. But it has been good for me to experience living here and understand my partner’s culture. I have been able to see where a lot of her ideas, attitudes and opinions come from and it has helped us understand each other better. I now understand why she never used to get excited about anything until it actually happened or she could see it or hold it. It’s because in Brasil you never count your chickens until they hatch. So many things can change here and there is a lot of talk and promises that never come to fruition. This drives me insane; but for now we will keep trying, and enjoy the experience of living in this often crazy place. Life is about personal challenges as this is certainly one of those for me.”

Thanks Rod!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo!

Se eu pudesse escolher o que eu quero para os próximos anos eu diria que quero o mesmo que tive nos últimos anos. Meu amigo Charlles Veraz disse que você percebe que é feliz quando sente saudades daquilo que ainda não acabou. Eu definitivamente não posso reclamar da vida e só de pensar que qualquer coisa mudar, eu já sinto saudades da vida que temos hoje.

Eu passei o último dia de 2011 emocionada fazendo uma homenagem singela a todos os amigos que participaram da minha vida aqui na Nova Zelândia, uns apenas temporariamente, e outros mais intensamente se tornando parte da família. Todos de alguma forma influenciaram a minha vida ao descer nesta estação que eu chamo de Nossa vida na Nova Zelândia. Obrigada a todos por terem passado pela nossa vida outros por ainda fazerem parte. O video mostra fotos de vários passageiros que tive o privilégio de conhecer nesta viagem, e também registros de momentos especiais da minha família nos últimos anos aqui na Nova Zelândia.

Todos nós, passageiros desta estação, temos muita coisa em comum. Nós todos tivemos que recomeçar as nossas vidas, às vezes tendo a impressão de que demos uns passos para trás, principalmente profissionalmente, enfrentamos um desafio imenso de adaptação à uma nova cultura, cometemos diversas gafes com o novo idioma e aprendemos a rir disso, sofremos para tomar a decisão de sair da nossa zona de conforto, decidimos correr um risco que nem todos se dispôem e hoje não sabemos mais onde é o nosso lar, somos cidadãos do mundo. Por estas e outras, nunca mais veremos o mundo como antes.

Para vocês um texto bacana sobre o assunto e um vídeo em homenagem a todos os amigos que só passaram ou continuam nesta estação e à minha família. E o desejo de um ano novo muito especial, em que todos consigam ir atrás dos seus sonhos.

Um agradecimento extra especial à minha família que é o centro da minha vida e que é a razão do meu equilíbrio e da minha felicidade. Meus amigos e minha família são meus maiores tesouros.

“A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: NOSSOS PAIS. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão orfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível.. mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio, outros encontrarão nessa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos, com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... porém, jamais, retornos.

Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades... Acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranquila, que tenha valido à pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.”

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A minha história de amor

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Sempre fui uma pessoa romântica e sempre busquei encontrar um companheiro para a minha vida. Passei por diversos relacionamentos infelizes nesta busca. Tentei mudar pessoas para se adequarem às minhas expectativas e tentei me mudar para ser feliz ao lado destas pessoas. Descobri que ninguém muda de fato. Então, ao invés de ficar tentando mudar as pessoas, o melhor mesmo é achar aquela pessoa que te faz feliz e a quem você é capaz de fazer feliz sem que nenhum dos dois tenha que mudar. Mas obviamente não é fácil achar a pessoa certa e por isso eu me sinto privilegiada.

Para dizer a verdade eu já tinha quase desistido. Eu nunca me conformei em ter um companheiro que não me completasse. Algumas pessoas me disseram que eu era muito exigente e que a pessoa ideal que eu procurava não existia. Que relacionamentos são sempre difíceis e que a gente tem que abrir mão de muita coisa. Que eu era muito ingênua e que histórias de amor só aconteciam em novelas, filmes e livros. Então, para contrariar toda este discurso descrente de pessoas que se conformam em relacionamentos infelizes, eu tenho que dizer que isso não é bem verdade. É óbvio que o ideal para mim pode não ser o ideal para outras pessoas, mas é possível sim você achar aquela pessoa ideal para você. Digamos assim, aquela pessoa que tem as qualidades mais importantes que você buscava e cujos defeitos não te incomodam. Eu achei o meu companheiro ideal e posso dizer que nunca fui tão feliz em um relacionamento como sou hoje.

Em 2008 eu saí de um relacionamento muito difícil e quando fui ao Brasil, no final de 2008, eu até evitava ir em lugares onde eu poderia conhecer pessoas. Primeiro, porque eu estava meio traumatizada com meu relacionamento anterior, e segundo, porque eu não queria me envolver com um brasileiro, já que a minha vida já estava aqui na Nova Zelândia. Mas o destino é “forte e implacável”. Justo quando eu não procurava alguém eu achei. Ou foi ele quem me achou?

Cinco dias antes da minha viagem de volta eu fui com a minha grande amiga Lizete tomar um choppinho e comer uma “carne de onça” no Bar do Alemão. Na verdade nós até tínhamos desistido de ir lá porque começou a chover, mas depois de passarmos pelos barzinhos muito burgueses da Av Batel, decidimos ir para o Alemão mesmo. Mal sabia eu que estava tomando uma decisão que iria mudar a minha vida para sempre. Depois de uns choppinhos a Liz comentou sobre uma mesa que tinha dois caras sozinhos. Eu fiquei olhando um deles que estava de costas, pois fiquei curiosa para ver o rosto dele. Subitamente ele vira o rosto para mim e eu não consegui conter um sorriso. Ele sorriu de volta. Um pouco depois ele veio pedir para sentar com o amigo na nossa mesa. Batemos um longo papo e quanto mais eu ouvia ele, mais eu gostava do jeito dele. Depois ele nos convidou para irmos a um outro lugar para dançarmos. Pensei comigo, fala sobre assuntos que eu gosto, gosta de dançar, é cavalheiro e romântico, e estava aqui exatamente quando eu vim, parece muita coincidência. Seria uma armação da minha amiga Lizete?

Quando chegamos no Victoria Villa, estava super lotado, e ele pegou na minha mão para cuidar de mim. Acho que me apaixonei neste instante. Dançamos bastante todas aquelas músicas bregas sertanejas que são mais que perfeitas quando a gente está se apaixonando. Notei que ele foi super querido com a minha amiga, dançando também com ela algumas vezes, para que ela não ficasse sozinha. Ele sugeriu um beijo enquanto esperávamos pela cerveja, e é claro que não neguei. (Comentário: o primeiro beijo é sempre decisivo porque se não for bom a relação não vai para frente e se for, não vai dar certo). Eu adorei os beijos dele, o carinho, os elogios. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim. Mas, eu um momento eu tive que comentar com ele que não morava no Brasil e que só teria mais alguns dias por lá. Ele, muito seguro, respondeu dizendo que não estava procurando um relacionamento, que queria mesmo ser um boêmio solitário, e então eu propus que curtíssemos juntos os poucos dias que tínhamos e ele concordou. Eu só não mencionei que no dia seguinte voltaria para Ponta Grossa, onde meus pais moram, e só voltaria para Curitiba no dia da viagem. Na hora de nos despedirmos ele pediu meu telefone e só faltou a minha amiga dar o número do meu CPF e PIS, tamanha era a empolgação dela ao me ver tão feliz. Por essas e outras nós consideramos ela a nossa madrinha de relacionamento.

Ele me ligou no dia seguinte e saímos juntos novamente. Eu comentei com ele que há muito tempo eu não me sentia mulher e que ele estava sendo um marco na minha vida. Eu falei isso sem me dar conta que parecia um jogo de palavras já que o nome dele era Marco. Rimos juntos naquele momento. Meu amigo Charles Veraz escreveu no Facebook dele “Você percebe que é feliz quando sente saudade daquilo que ainda não acabou”. Pois é, antes de me despedir do Marco eu já estava com saudades.

Voltei para a Nova Zelândia com o acordo de que não iríamos dar continuidade ao relacionamento. Até que ele me enviou um email com a música da Maysa, Caminhos Cruzados, que diz: “Quando um coração que está cansado de sofrer, encontra um coração também cansado de sofrer, é tempo de se pensar que o amor possa de repente chegar”… Depois disso não teve jeito, eu percebi que ele tinha tudo para ser aquela pessoa que eu procurava há tanto tempo. Passamos 3 meses trocando emails e conversando pelo Skype. Foi uma oportunidade de nos conhecermos muito, saber o que o outro pensava sobre muitos assuntos, trocar idéias, falar sobre a nossa vida, o nosso passado e o futuro que dificilmente teríamos juntos. Foi então que a crise financeira mundial veio contribuir para o nosso reencontro.

Em Abril eu perdi meu emprego no BNZ. Como foi uma demissão por redundância e assim eu recebi uma compensação financeira que me ajudaria a me manter pelos próximos 3-4 meses. E aí, estando desempregada e tendo achado por acaso uma promoção de passagem pela Aerolineas Argentinas, eu decidi voltar ao Brasil para conferir o que aquele relacionamento tinha de real. Só que eu não contei a ele que eu estava indo para o Brasil. Eu disse que iria para a Australia.

E aí eu comecei a planejar como iria fazer a surpresa para ele. Pensei em encontrá-lo na saída do trabalho e perguntar as horas para ele, pensei em usar uma peruca para ele ficar incerto se era eu mesmo, pensei em estacionar meu carro na frente da casa dele e ficar trocando mensagens e pedir para ele sair para fora para olhar o céu, enfim pensei em muitas idéias e só de pensar nelas eu já me sentia muito emocionada. O que eu fiz foi um pouco diferente.

Pedi para ele ir no apartamento da Lizete para nós 3 conversarmos juntos pelo Skype. Ele não queria ir porque não a conhecia muito bem mas eu insisti e ele concordou. Quando ele chegou lá, eu estava escondida em um dos quartos. Ele e a Liz conversaram bastante e eu estava tremendo de emoção lá dentro, depois de ter ouvido a voz dele. Eles conectaram no MSN e ficamos conversando um pouco. Ele me perguntou como estava na Australia, o tempo, etc etc. A Liz então disse que iria dar um pulo no mercado para comprar alguma coisa para eles beliscarem. Assim que ela saiu eu disse que tinha um presentinho surpresa para ele. Pedi primeiro que ele desse PLAY no aparelho de CD onde já tinha um CD que a Liz gravou para mim com algumas músicas que selecionei a dedo. A música que começou a tocar foi “Vem andar comigo” do Jota Quest.

“Basta olhar no fundo dos meus olhos

para ver que já não sou como era antes

tudo que eu preciso é de uma chance, de alguns instantes

Sinceramente ainda acredito

Em um destino forte e implacável,

que tudo que nós temos para viver é muito mais do que sonhamos…”

Ele voltou ao computador e eu o instruí onde procurar o meu presente, que eu comentei que teria o meu perfume. Quando ele abriu a porta, lá estava eu, nervosa, emocionada, com o coração na mão. Ele não hesitou e me abraçou sem parar, nós dois chorando, dançando, nos beijando e ele com aquele olhar de quem não acreditava que aquilo poderia ser real. Foi um dos momentos mais emocionantes e felizes da minha vida. Fico com água nos olhos só de contar aqui. A gente passou várias músicas sem tentar entender o que estava acontecendo, só sentindo um ao outro, tentando matar aquela saudade de 3 meses de distância.

Passamos o outro dia tagarelando sem parar, eu contando como planejei tudo, ele confidenciando que ficou muito triste por eu ter decidido ir para a Australia ao invés de ir ao Brasil revê-lo. Passeamos bastante, voltamos ao Bar do Alemão, ele me levou para conhecer a família e os amigos dele, eu levei ele para conhecer a minha famíla e amigos em Ponta Grossa, e curtíamos cada minuto juntos com medo de pensar no dia da minha volta.

Aliás, eu fui antes para Ponta Grossa para preparar o terreno, mas niguém sabia que eu estava no Brasil. Então foi muito emocionante. Apertei o interfone do prédio e minha irmã atendeu e teve que ir na janela para acreditar que era eu mesmo. Depois quando a minha mãe chegou em casa, fiquei na cama da minha irmã coberta, fingindo que era ela, e quando a minha mãe puxou a coberta para ver se a minha irmã estava bem ela deu um pulo para trás de susto ao me ver ali. Nós três nos abraçamos, choramos, pulamos juntas. Depois fiz o mesmo com meu pai que também derrubou muitas lágrimas de felicidade ao me abraçar. Acho que foi uma das melhores viagens que eu já fiz na vida. Que decisão mais acertada ter ido para lá!

Depois de pensar muito convidei o Marco para se mudar para cá comigo. Ele não respondeu na hora e eu já estava quase certa de que ele não viria. Mas para minha surpresa ele concordou. A partir daí a nossa felicidade não poderia ser medida. Começaram os planos para o nosso futuro juntos, que pela primeira vez pareciam possíveis. Decidimos que precisávamos de uma lua de mel e passamos momentos maravilhos em Florianópolis. Fomos aos meus lugares favoritos em Floripa: a praia de Daniela, o restaurante Ponta das caranhas e o Bar do Arantes, entre outros. No Bar do Arantes, depois de muita cerveja e cachaça da casa (imperdível) deixamos uma promessa de amor em um papelzinho entre tantos outros colados na parede:

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Depois passamos mais uns dias com a família e enfim embarcamos rumo a um futuro juntos na Nova Zelândia.

A família aqui estava ansiosa para conhecer o Marco. Viemos de Auckland para cá de carro e o Marco ficou muito nervoso quando estávamos chegando. Afinal ele iria conhecer os 3 homens mais importantes da minha vida, além do meu pai: meus filhos e meu irmão. Mas todos receberam ele de braços abertos e a adaptação dele à nova família foi muito mais fácil do que eu esperava. Desde o início até hoje eles se dão super bem e o Marco adora todos.

Muita gente achou loucura tudo que eu fiz. Talvez tenha sido mesmo. Se foi, então eu acho que a gente deveria cometer mais loucuras na vida e não ficar só no tradicional, seguindo convenções e com medo de correr riscos. A vida é para ser vivida intensamente, sem medo de errar, lutando pelo que acreditamos, indo em busca do que queremos. Vejo tantas pessoas infelizes vivendo de acordo com os “padrões” e sempre me pergunto porque não fugir um pouco disso para tentar alternativas na vida que possam trazer mais prazer, mais felicidade, mais inspiração?  Mesmo que o Marco tivesse decidido não vir, ainda assim teria valido a pena só pelo momento inesquecível que foi o nosso reencontro. Quantas vezes na nossa vida a gente tem a oportunidade de ter um momento de êxtase assim, em que o coração parece que não cabe no peito, tamanha a felicidade que se sente? E porque nos privamos tanto de sentir tudo isso por medo de cometer loucuras?

Em Janeiro faz 3 anos que estamos juntos e eu nunca fui tão feliz em um relacionamento antes. Posso dizer que o Marco é tudo que eu buscava em um companheiro. Aliás eu nem fazia idéia que poderia ser possível ter uma relação sem brigas, com respeito, muito amor e romance. Não sei sobre o futuro mas até o momento eu posso garantir que esta é uma história de amor com final feliz.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Midwives e o mito do parto natural

Aqui na Nova Zelândia os partos são feitos pelas chamadas Midwives, que são profissionais com formação universitária na área. Elas acompanham a mulher durante toda a gravidez mas obviamente só são qualificadas para fazer partos normais. Caso seja necessário uma cesárea, o médico obstetra de plantão assume o comando.

Quando a Nara estava grávida ela ficou muito em dúvida sobre o que fazer. Existe uma pressão muito forte aqui para que as mulheres tenham filhos de parto natural. E quem mais faz pressão são as próprias mulheres. É como se as que optam por cesárea fossem covardes e não super mães que suportam a dor do parto para dar à luz a seus filhos. Eu deixei a Nara tomar a decisão que ela achasse melhor, mas eu sempre tive uma opinião muito formada sobre o assunto. Para mim, parto normal é coisa ultrapassada e é um absurdo deixar uma mulher sofrendo que nem um animal para ter um filho. Sei que muitas pessoas pensam diferente e cada um deve decidir o que achar melhor. O maior medo da Nara era de precisar de uma cesárea de emergência pois seria atendida por um médico que nunca viu antes e sabe-se lá quais seriam as consequências de uma cirurgia de emergência. Além disso, ela temia sofrer todas as dores do parto normal para no final ter que fazer a cesárea de qualquer forma, como acontece com muitas mulheres. Ela optou em ser atendida por uma obstetra desde o início da gravidez e no final decidiu fazer cesárea. Infelizmente neste caso, a saúde pública não paga pelo médico, apenas pelo hospital. Mesmo assim consideramos que foi barato. A Nara pagou NZ$3,000 pelo atendimento durante toda a gravidez e a própria cesárea. O valor também incluía o atendimento de um pediatra no nascimento e uma consulta com o mesmo mais tarde. A obstetra foi excelente e tudo correu muito bem e sem sofrimento. Apoiei completamente a decisão dela e hoje ela considera que não poderia ter tomado uma decisão mais acertada.

Vindo de um país onde as gravidas são acompanhadas por um médico, eu sempre achei meio arcaico esta história de midwives. Interessante é que não é só na NZ que as grávidas são acompanhadas por midwives e não médicos. Outros países desenvolvidos também seguem este mesmo sistema. Cheguei a me questionar se eu estaria com a impressão errada. Entretanto, depois que li uma reportagem na edição de Agosto de 20011 da revista neozelandeza North&South,  eu cheguei à conclusão que a eficiência deste sistema realmente deixa muito a desejar.

A reportagem começa comentando que seria muito bom que pudéssemos dar a luz como as mamães macacos, que o fazem de croque, o seu filhote nasce olhando para ela e é forte o suficiente para agarrar o corpo da mamãe e puxar seu corpinho para fora. O canal por onde o bebê sai tem o mesma forma oval da entrada até a saída e é do mesmo tamanho da cabeça do bebê dando a ele um caminho suave desobstruído para a vida. Já o canal dos seres humanos tem as dimensões variando de cima para baixo e de um lado para o outro, o que torna uma verdadeira jornada olímpica para o bebê nascer. A razão dessa diferença é justamente a evolução do ser humano, desde as modificações que ocorreram na pelvis que nos permite andar de pé, até o tamanho do nosso cérebro que nos faz termos uma cabeça muito grande em proporção ao tamanho do nosso corpo. Assim sendo, o nascimento de um bebê é difícil e sempre um risco para a maioria das mães e bebês humanos. Por isso que o ser humano, ao contrário de todos os outros animais, precisa de assistência na hora do parto. Nos últimos 21 anos na NZ, a responsabilidade por fornecer esta assistência, passou de médicos para midwives, que se auto intitulam especialistas em parto normal. A revista questiona o quanto frequente se espera normalidade em um parto. E se as coisas derem errado, as expectativas de que as midwives podem dar conta do recado colocam em risco a vida das mães e dos bebês?

O artigo da revista então descreve vários casos de atendimentos pelas midwives mal sucedidos, alguns deles resultando na morte da mãe e/ou do bebê, principalmente pelos seguintes motivos:

  • Atrasos perigosos no diagnóstico e ação quando a gravidez ou trabalho de parto se desvia do normal;
  • Confusão entre midwives e médicos sobre quem está no comando;
  • Complicações inesperadas que ocorrem nos partos em casa ou unidades de partos normais que estão quilometros de distância de hospitais;
  • A irrealista expectativa de que não existem riscos quando a mulher é nova e saudável.

A reportagem explica que a partir de 1990 as mudanças na assistência fornecida pelo governo obrigaram as mulheres a escolher entre midwives e médicos. O valor pago aos médicos era tão baixo que muitos deixaram de atuar na área de obstetrícia, deixando às mulheres uma única opção, as midwives. Inacreditavelmente não existe nenhum banco de dados que registre os casos de insucesso a partir desta mudança. Portanto não há como avaliar o impacto desta reforma.

A médica Lynda Exto, que é co-fundadora do grupo AIM (Action to improve maternity), publicou um livro chamado “The baby business”, em que critica esta mudança e a associa com tendências preocupantes e com o retardo do declínio na mortalidade de mortes perinatais. Segundo ela. aproximadamente 600 bebês morrem por ano após 20 semanas de gestação o que significa uma taxa de 10 mortes por nascimentos. A médica comenta, “parece para mim que nos últimos 20 anos o sistema de maternidade da NZ tem sido completamente oprimido pela idéia de que o nascimento é um evento natural da vida, deixando de se focar na vida e saúde da mãe e do bebê e tem sistematicamente ignorado e negligenciado a possibilidade de erros humanos. Ainda, segundo ela, pesquisas na NZ indicam que metade dos casos de gravidez e partos requerem alguma assistência médica e que mais de 1/3 dos partos requerem intervenção. Ela mesma foi vítima do sistema de maternidade, quando há 6 anos atrás sua filha teve danos permanentes no cérebro por ter sido privada de oxigênio durante o seu nascimento, que foi assistido por duas midwives.

Peter Gluckman, um ex fisiologista perinatal que é atualmente o cientista acessor chefe do Primeiro Ministro da NZ critica o efeito da mudança que eliminou a necessidade de acompanhamento médico durante a gravidez e que se sua filha estivesse grávida, ele recomendaria que ela fosse acompanhada por um obstetra.

O ministro da saúde da NZ, quando entrevistado pela revista, diz que o governo tem focado em iniciativas possíveis de serem implementadas, entre elas o desenvolvimento de um banco de dados para registrar informações sobre os partos na NZ, mas não sabe quando a coleta dos dados irá começar. Ele também está discutindo com o “Mildwifery Concil” a possibilidade das midwives graduadas passarem um primeiro ano supervisionado nos hospitais, mas considera muito alto o impacto financeiro desta prática.

A reportagem enfim, conta muitas histórias tristes de problemas no parto e entrevista as mães que se arrependem de não terem optado por um obstetra. Uma das histórias que mais me chocou foi a do bebê Cameron Elliot, que morreu em casa depois de sofrer danos na coluna e asfixia porque sua cabecinha levou 11 minutos para sair do corpo da sua mãe. Uma outra foi do bebê Kobie que pesava 4,791kg e que também morreu neste caso porque apesar da sua cabecinha ter saído para fora, ele não conseguia respirar pois seu peito estava preso no canal de parto. Quando o especialista chegou para atender a mãe, ele precisou enfiar a cabeça do bebê para dentro para correr com ela para a sala de cirurgia e fazer uma cesárea. E eu pergunto, porque correr este risco se isso pode afetar a vida de quem mais amamos no mundo e por quem daríamos tudo no mundo para evitar que sofressem? Gastamos tanto dinheiro em seguros de carro, seguro de casa, seguro de malas, tomamos tanto cuidado para protegermos as coisas materiais para não corrermos riscos e em uma situação dessas vamos correr o risco de perder a vida da coisa mais preciosa que são os nossos filhos por causa de um mito de que o parto natural é lindo e que as midwives são as profissionais certas para assumir um risco tão grande?

Eu procurei fazer um resumo aqui, mas a reportagem aborda muitos outros aspectos sobre o assunto.

Para mim é óbvio que o governo economiza muito dinheiro tendo midwives acompanhando as mulheres grávidas no sistema público ao invés de médicos. E considero que é muita ingenuidade das mulheres considerarem que as midwives são a melhor opção de atendimento. Se tudo correr bem, elas podem até achar que foi a melhor opção. O problema é que não há como saber se tudo vai correr bem. E no caso de um imprevisto as consequências podem ser muito sérias e irreversíveis.

Vamos tentar analisar a situação racionalmente. Como gerente de projetos eu aprendi a tratar os riscos de acordo com a sua pontuação, que é calculada considerando probabilidade e consequência. Se a probabilidade é baixa e a consequência também, normalmente a decisão tomada é aceitar os riscos. Mas neste caso, em que a probabilidade é de pelo menos 30% e a consequência pode ser dramaticamente alta, qualquer um faria de tudo para diminuir ao máximo o risco. Nesta situação isso significaria ter acompanhamento por um obstetra.

No seu livro Lynda Exton diz o seguinte:

“Ser um especialista em parto normal é como ser um metereologista que é especialista só em tempo bom”

Acho que esta frase diz tudo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Mudanças no processo de imigração para profissionais da área de IT

As regras do processo de imigração mudam constantemente. Por isso, ninguém pode se basear na nossa experiência de 5 anos atrás para saber se é elegível ou não, e nem mesmo achar que poderá seguir os mesmos passos. Além disso, a dificuldade/facilidade de conseguir o visto também depende muito da situação do mercado de trabalho que muda todos os dias. Assim, eu não posso dar nenhum conselho para ninguém sobre o assunto, primeiro porque eu não estou sempre me atualizando sobre as regras, e segundo porque eu não sou uma profissional da área e assim nem sou autorizada à dar conselhos para ninguém.

Um dia desses a Grabriella que está com o namorado em Auckland, ambos com o work holiday visa me contactou dizendo que as empresas de IT não dão emprego para quem tem este visto. Eu não sabia disso, mas faz sentido, afinal o visto só é válido por 1 ano. Decidi dar uma olhada no site da imigração e me deparei com um site reformulado e muito mais fácil de navegar. Confirmei a informação da Gabriella e também descobri outras mudanças.

Uma delas foi a criação de uma nova modalidade de visto que se chama “Silver Fern” e na minha interpretação parece ser um work holiday para a categoria “skilled worker”. Este visto, “Silver Fern Job Search”, permite a entrada e estada no país por 9 meses especificamente para procurar emprego. Há um limite de 300 vistos por ano. Para ser elegível à este visto, a pessoa tem que estar fora da NZ, ter entre 20 e 35 anos e atender todos os requisitos de qualificação e de inglês, e provar que tem como se sustentar durante este período no país. A qualificação deverá ser reconhecida pelo NZQA. Os que conseguirem emprego poderão aplicar para o “Silver Fern Practical Experience visa” que permite que o profissional trabalhe aqui por 2 anos. Achei isso bem bacana pois acaba com aquela hipocrisia de ter que dizer que veio como turista mesmo a imigração sabendo que você poderia estar vindo a procura de emprego e inclusive permitir isso depois que você estava dentro do país. Mais informações no seguinte link: http://www.immigration.govt.nz/migrant/stream/work/silverfern/jobsearch.htm

Outra coisa que mudou é que as profissões da área de IT não estão mais na “Immediate Skill Shortage list (ISSL), somente na “Long Term Skill Shortage List (LTSSL)”. Isso complica um pouco as coisas para quem quer vir para cá trabalhar na área de informática, porque para quem não tem a profissão na ISSL, não é possível aplicar para o work visa como fizemos. Mas é possível aplicar para um visto chamado “Work to residence”. Este visto fornece um work visa por 2 anos e só depois disso é possível aplicar para a residência. O problema é que as exigências para aplicar para este visto são maiores. O primeiro deles é atender aos requisitos das profissões da LTSSL que são mais exigentes do que a ISSL. Para a área de IT, que eles classificam como ICT, Electronics and Communications os requisitos são: Bachelor Degree (Level 7) qualification majoring in computer science, information science or information technology AND three years of relevant work experience. Sendo assim, além dos 3 anos de experiência, é necessário ter um diploma na área e submetê-lo ao processo de reconhecimento pelo NZQA.

Na época que viemos para cá, a área de IT estava na ISSL e portanto o diploma era só algo desejável, mas não obrigatório. Isso era legal para quem tinha experiência mas não tinha formação na área, ou mesmo para quem não tinha tanta experiência e queria migrar para a área de informática.

O que mudou então, na minha opinião?

  • É necessário esperar 2 anos para aplicar para a residência;
  • É necessário ter diploma na área reconhecido pelo NZQA (mais gastos)

Outra opção é aplicar direto para o visto de residência pela categoria Skilled worker e obter o visto antes de vir. Neste caso é necessário atender a pontuação mínima exigida para este processo.

Comentário importante: isso é apenas a minha interpretação das mudanças e eu não sou profissional na área de imigração, portanto quem tem interesse no assunto deve tirar suas próprias conclusões lendo as instruções do site de imigração: http://www.immigration.govt.nz

domingo, 16 de outubro de 2011

New Zealand por Ana e Miguel

Ana e Miguel, uma história de amor

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O primeiro contato que tive com este casal foi em Março de 2009, quando a Ana me enviou um email muito simpático me contando sobre a vida deles e como a idéia de procurar, nas palavras dela, “um lugar ao sol” começou. Ela também comentou sobre os incentivos para “chutar o pau da barraca” que receberam de um amigo que já morava aqui. Ela me fez 2 perguntas no email: como a crise estava impactando a área de TI e se ao chegarem eles poderiam me visitar. Ela também comentou que o marido dela não conseguia acreditar como uma pessoa poderia escrever tanto como eu fazia no meu blog.  

Para a Ana, que é super ligada à família e aos amigos, este interesse pelo meu blog e o contato que fez comigo, foram uma tentativa de garantir que ela já teria uma amiga por aqui. Ela já estava plantando as sementes para uma amizade no outro lado do mundo. Já o Miguel, como bom representante da teimosia masculina, se recusava a ser influenciado pelas opiniões de uma blogueira que ele nem conhecia. Mas o fato é que tanto eu, como minha família, já fazíamos parte da vida do casal, uma vez que já éramos assuntos de discussão entre eles.

Um mês depois, os dois “chutaram o pau da barraca” e vieram em busca do “lugar ao sol”. Para um casal que vinha de Fortaleza eu imaginei que eles não achariam muito sol por aqui, pelo menos não no sentido literal da palavra. ;-) Demoraram um pouquinho, mas também vieram para a tal da visita combinada já através de email.

Quando eu os conheci pessoalmente, eu gostei mais ainda deles, principalmente depois de ouvir a história da vida do Miguel. Como uma eterna romântica que sou, eu adoro histórias de lutas que acabam com final feliz. E este é o estilo da história da vida do Miguel, que tinha tudo para dar errado. Começou muito difícil, mas através da força e persistência dele, se transformou em uma vida muito bacana e de realizações. E a Ana soube rapidamente reconhecer nele, um grande vencedor, e o escolheu para seu príncipe encantado. Desde então, ele nunca mais se sentiu sozinho pois tem ela caminhando ao lado dele como sua melhor amiga e companheira em todos os momentos. Não parece um conto de fadas? Eu fiquei muito emocionada com a história deles e orgulhosa de ter me tornado amiga deste casal tão querido. De lá para cá, a nossa amizade só cresceu. Eu sinto que eles são aquele tipo de amigos com quem a gente pode contar até debaixo d’água. E o que também confirma que estou diante de verdadeiros amigos, é que eu não me sinto nem um pouco constrangida quando preciso pedir qualquer coisa para eles. E isso é tão gostoso e precioso! O Miguel e a Ana já fazem parte da família, e somos muito gratos de termos estas pessoas tão especiais fazendo parte da nossa história.      

Nos primeiros meses aqui, a Ana reclamava muito do país e tivemos muitas discussões comparando o Brasil e a Nova Zelândia. Mas mesmo sofrendo por estar longe de pessoas que amava e em um lugar que não estava gostando, ela não desistiu por amor. Ela sabia que isso era muito importante para o Miguel e apesar de todas as dificuldades, para ela o mais importante era estar ao lado do seu companheiro. Então ela aguentou firme e hoje, a opinião dela mudou, e ela gosta muito de estar aqui. Ela vê a Nova Zelândia com outros olhos. Isto é, ela conseguiu superar aquela rejeição inicial que a maioria das pessoas sente quando chega aqui e isso foi algo muito importante e determinante para a felicidade do casal.

Em um dos emails que a Ana me escreveu antes de vir ela disse: “Um dia quero responder ao questionário no seu blog, já li do seu filho e do seu irmão, foram informações muito válidas.” E o dia chegou mais rápido do que ela esperava. Mal sabia ela, que no mesmo dia em que ela responderia à minha entrevista, ela também nos daria a notícia maravilhosa que ia se tornar mamãe! Tenho certeza de que eles serão pais maravilhosos e esta criança tem muita sorte, primeiro por ser filho(a) deles e segundo por nascer aqui em um lugar tão tranquilo e lindo para crescer. 

Vejam abaixo a contribuição da Ana e do Miguel para o meu blog:

1. Por que NZ?

Escolhemos a Nova Zelândia porque não estávamos dispostos a passar pelo processo exigido por outros países de pedir residência e ficar esperando. Queríamos vir e aplicar para o visto.

Outro fator determinante foi a ajuda de um casal de amigos brasileiros, o Manoel e a Patricia, que nos fizeram conhecer a opção NZ, até então desconhecida por nós. Eles também nos deram muito apoio e infomações sobre conseguir emprego e o processo com a imigração. O Manoel foi quem nos recebeu em Wellington, conseguiu um flatmate para morarmos nas primeiras semanas e nos deu um suporte até conseguir um emprego. Até a empresa que estou trabalhando atualmente foi por indicação dele.

2. Há quanto tempo moram aqui?

2 anos e 4 meses

3. Maiores dificuldades encontradas

Ana: ficar longe da familia, pois eu sempre vivi muito perto da minha familia. Nos sentiamos muito sozinhos. Eu eu ainda tinha que ser forte para dar apoio para o Miguel e força para ele conseguir alcançar o objetivo dele. Foi um exercício de crescimento, e eu melhorei muito como pessoa depois que vim para cá. Não foi fácil, eu dependia do Miguel para qualquer coisa, como telefonar, ou resolver problemas. Mas eu procurei me expôr para aprender inglês o mais rápido possível. Interessante que como eu não conseguia me comunicar, eu precisei me calar muitas vezes quando eu queria reclamar ou xingar. Tive que aprender a aceitar tudo sem falar nada, nem sequer dar minha opinião. Isso me ajudou também a me tornar uma pessoa mais tolerante, mais calma, falar menos e me controlar mais.

Miguel: Prá começar o idioma, pois não tive boa formação, apesar de ter frequentado cursos, maior parte do que aprendi em inglês foi estudando sozinho. Outra dificuldade foi conseguir um emprego. Eu apliquei para mais de 150 vagas e levou 1 mês e 20 dias para eu conseguir uma job offer. Olhando para trás agora, já nem acho que isso foi um tempo muito longo, mas não foi fácil receber todos os “nãos” que recebi. Na época eu me senti muito para baixo por ter a impressão de que nada estava dando certo. Eu ficava arrasado quando tinha algum feriado pois significaria mais tempo sem receber notícia das empresas.

4. Coisas que não gostam

Miguel: além dos choques eletrostáticos até quando se pega no computador, nas pessoas, e nas coisas no mercado? O isolamento. A NZ fica longe de tudo e isso ficou muito evidente depois da erupção do vulcão no Chile. O único jeito de chegar aqui é de avião, pela Europa ou pela América do Sul e quando esta rota pela America do Sul se fechou isso dificultou muito a chegada aqui.

Outra coisa é que em alguns setores eles não tem servicos tão profissionais, como por exemplo, atendimento e parte de gerenciamento/liderança também deixa a desejar.

Ana: Sinto falta da sensação de festa o tempo todo que existe no Brasil e que não existe aqui. Falta da energia positiva que existe no Brasil. Também não gosto que seja tão longe do Brasil, e as passagens sejam tão caras.

5. Como conseguiram o visto e com o que trabalham?

Chegamos aqui em Wellington e 1 mês e 20 dias depois, o Miguel recebeu uma job offer para trabalhar em Auckland. Foi uma grande sorte pois além da experiência de desenvolvimento .net, eles também se interessaram pelo conhecimento dele na área de eletrônica, já que era uma empresa deste ramo. Moramos em Auckland por 8 meses mas ainda gostaríamos de voltar a morar lá, especialmente por causa do clima.

6. O que mais sentem falta do Brasil?

Ana: muita falta da familia, a convivência com meus pais, a convivência com a minha sobrinha. Sinto falta dos meus amigos pois aqui as amizades são muito recentes, ao contrário das amizades que eu tinha no Brasil com pessoas que eu conhecia desde pequena. Acho que o que prejudica o desenvolvimento das amizades é que aqui as pessoas vêm e vão muito rápido, então não tem como manter um relacionamento mais forte. Também o fato de que na nossa idade nós já temos uma certa barreira/preconceito e somos mais seletivos para fazer amizade. Eu sempre fui uma pessoa muito próxima dos meus amigos e sinto falta deste tipo de  relacionamento, mas tenho que aprender a lidar com isso.

Também sinto falta da comida, mas com o tempo vai começando a gostar das comidas ruins daqui (risos). Sinto falta do calor e das praias de Fortaleza.

Miguel: pessoas (amigos e familia), alguns lugares que eu gostava de ir, comida. Quanto ao clima eu prefiro a friaca de Wellington.

7. O que não sentem falta do Brasil?

Ana: Quase tudo que sai no jornal, o trânsito, a sensação de prisão, você não sentir a liberdade que temos aqui por medo da violência.

Miguel: tirando as coisas óbvias(política, violência, etc), eu não sinto falta da incapacidade do povo de se organizar como sociedade.  Os interesses particulares sempre se sobressaem aos interesses coletivos. Isso me frustrava muito. Não sinto falta de como me sentia como cidadão em vários aspectos como consumidor, como eleitor, como contribuinte,etc. O descaso com o cidadão nesses papéis me trazia muita indignação. Não sinto falta dos cuidados que eu tinha que ter comigo mesmo com relação à segurança, para fazer uma compra, para fazer um negócio, tudo por causa da desconfianca entre as pessoas e a falta de confiança nas instituições (polícia, justiça, etc).

8. Experiências engraçadas

Ana: fui na academia pedir para cancelarem a minha “citizenship”. Depois de muita discussão a moça acabou entendendo que eu queria dizer “membership” (muitos risos)

Miguel: o cara chega na empresa e pergunta “I am looking for the toilet” e eu, sem entender direito, respondo que não conheço esta pessoa. (mais risos)

Outra vez pegamos o ônibus sem saber se era o correto e quando falamos para a motorista para onde íamos ela disse algo que eu não entendi. Eu perguntei mais duas vezes e ainda não conseguia entender a resposta dela. Aí a Ana perguntou para mim o que ela estava dizendo e eu respondi: “Não tenho certeza, mas ela tá com cara de brava, eu acho que ela está me chamando de idiota e está me mandando pegar outro onibus que é mais barato e mais rápido”. E tinha mesmo o tal do ônibus.

9. Tiveram alguma experiência de discriminação?

Nada que possa ser entendido como discriminação.

10. Qual a impressão geral sobre os kiwis?

Resposta: São muito prestativos, educados, cortezes, mas é difícil criar laços com eles.

11. O que gostam daqui?

Ana: tranquilidade, viver em paz

Miguel: a não evidência de diferença de classes sociais, apesar da diferença em termos de etnias, com o preconceito contra asiáticos, indianos, maoris e pacificos. Apesar disso, a diferença é muito menor que no Brasil, todos frequentam os mesmos lugares e são vistos como iguais, todos são respeitados. Possibilidade de qualquer trabalhador conseguir ganhar o mínimo para viver com dignidade, o que contribuí para a diminuição da violência e para uma vida tranquila pra todos. Até a relação dentro das empresas não é hierárquica como no Brasil. Outra coisa que acho bacana é a relação de confianca entre as pessoas. Você não precisa apresentar mil provas para respaldar o que está dizendo, as pessoas acreditam em você. Todo mundo tem vez no trânsito: o ciclista, o pedestre, o cadeirante e até os animais. Na minha rua é comum ver os motoristas pararem quando os patos estão atravessando a rua. Um dia eu ainda vou filmar isso.

12. Boas experiências na NZ

Resposta:

Ana: quando a gente ainda estava no Brasil, a gente não pretendia se envolver com brasileiros aqui, pois tínhamos a impressão de que os brasileiros que vivem em outros países poderiam ser aquele tipo que passa a perna nos outros. Mas depois eu conheci seu blog e a melhor experiência foi encontrar vocês e outros brasileiros pois percebemos que tinham outros brasileiros na mesma situação que a nossa, um apoiando o outro. Este momento foi importantíssimo para nós.

Miguel: a ida para Auckland, o que inicialmente tínhamos uma grande resistência em aceitar, pois à primeira vista Auckland não pareceu uma boa cidade para se viver, foi onde tivemos muitas boas experiencias com relação à amizades. Foi uma das fases mais dificeis na NZ e a fase que nós mais tivemos apoio das pessoas. Inclusive no trabalho. Apesar de eu estar trabalhando em uma péssima empresa, os colegas eram muito solidários. Certa vez eu tive que ir para uma entrevista de emprego em Napier e eu precisava faltar o dia de trabalho. Meus colegas clamufaram que eu estava na empresa, colocando um casaco na minha cadeira, ligando o computador como se estivesse sendo usado, e até colocaram uma caneca de café na mesa e uma embalagem de uma barra de cereal como se eu tivesse acabado de comer. A empresa era tão rígida que até para você faltar era chato, e complicado para justificar. Havia uma certa hostilidade quando você faltava. Nessa mesma empresa, eu estava comentando com um colega no almoço que havia decidido viajar no feriado mas não estava mais conseguindo alugar carro porque todas as empresas já estavam com todos os carros reservados, então outro colega que eu nem tinha muito contato, ao ouvir isso me disse prontamente, eu vou viajar de avião então você pode ficar com o meu carro no feriado.

Apesar da ajuda de brasileiros ter sido muito mais relevante, como eu não esperava a ajuda dos colegas de outras nacionalidades, esta foi uma grata surpresa. Também fiquei surpreso positivamente com a facilidade de alugar um carro, um apartamento que mesmo como turista se consegue facilmente alugar. 

Conhecer a Jeanine foi um marco porque antes disso eu sentia até vergonha da situação que eu me encontrava. Vir para cá procurar emprego, eu me sentia como se estivesse invadindo um espaço. Tinha vergonha de revelar esta posição. Quando eu conheci a Jeanine e conversei com ela sobre isso, eu percebi que isso era bem comum aqui.

Comentário da Jeanine: apesar da insistência da Ana ele se recusou a ler meu blog, do contrario saberia disso de antemão ;-)

Comentário da Ana: eu li o seu blog, vi que você tinha familia, que tinha várias pessoas seguindo o blog e portanto não poderia ser qualquer doidinha escrevendo qualquer coisa e isso me trouxe segurança.

Miguel: você foi uma pessoa que me orientou muito  aqui. Não apenas sobre imigracao, mas sobre outras coisas como trabalho e diferenças culturais. Eu vim totalmente despreparado e eu enfrentava um problema, uma dúvida, uma nova rejeição a cada dia e não tinha com quem dividir isso nem com a Ana, pois ela não entenderia minhas dificuldades específicas no processo de busca de emprego. Eu falo para o Ed (Edgar do Casal Borboleto) e para você, que vocês dois têm uma importância muito grande na minha vida aqui na NZ porque vcs me orientaram muito, eu escutei muita coisa que eu precisava escutar de vocês dois. A coisa mais importante que eu tive aqui foi a orientação de vocês. Você nem imagina o quanto ajudou. Eu lembro de algumas vezes que eu tava muito mal em Auckland e tinha dias que eu parava, olhava para o tempo e pensava: pôxa, eu tô aqui fazendo o que? E tinha alguns dias que eu ligava para você, apesar de ficar meio sem graça de ligar porque sempre acabava ficando mais de 1 hora batendo papo, mas eu me sentia tão melhor, você me dava tanto material para eu pensar, aquelas conversas foram muito importantes. Naquela época se não tivesse alguém para dizer para mim , “olha a vida na NZ não é isso q você está vivendo aí”, eu teria ido embora com toda certeza.

(lágrimas e muita emoção)

Comentários da Jeanine: Nessas horas eu sinto que a minha existência faz sentido. Acho que não existe uma felicidade maior, mais verdadeira, mais profunda no coração da gente, do que saber que fez diferença na vida de outras pessoas, ainda mais quanto são pessoas que merecem tudo do melhor como o Miguel e a Ana.

13. Futuramente desejam mudar para outro país?

Ana: eu não tenho vontade pois considero que nós encontramos aqui tudo que queríamos. Mas o problema é que o Miguel não está realizado profissionalmente e talvez isso possa ser possivel Austrália. Só que teria que analisar todo o custo envolvido. Também queria passar um período no Brasil para meu filho convivesse com a minha familia, mas isso só depois que conseguirmos a residência permanente na NZ. Enfim, não descarto a ida para um outro país

Miguel: Eu viveria feliz para o resto da minha vida aqui na NZ, mas se eu tivesse oportunidade eu gostaria de ter uma experiência em outro país, como a Australia ou alguns países da Europa. Eu também tenho planos para voltar para o Brasil para ficar lá por 1 ano ou 2, especialmente depois que nosso filho nascer, para ele(a) ter convivência com a familia e a cultura.

Neste momento o Marco interrompe a entrevista para parabenizar o Miguel pelo aniversário dele. Já era 12:01 do dia 3/9. Mais um motivo para comemorar!

14. Algum conselho para quem quer vir para cá?

Miguel: avalie bem se você está preparado para sair do seu país e se adaptar à uma nova cultura; se você consegue se inserir e as possibilidades de emprego, de encarar as dificuldades com o idioma.

Ana (como esposa de um cara da área de TI): existem algumas vantagens e muitas desvantagens, mas apesar delas, tem que focar no objetivo, ter paciência, perseverança, pois vão ter muitas barreiras, vão ter mais momentos tristes do que felizes, mais momentos dificeis do que fáceis e você tem que persistir e olhar só para o seu objetivo. Depois as coisas começam a melhorar. Para as mulheres que vem com os maridos, meu conselho é que elas tentem dar o maior apoio possível e tirar força sabe lá de onde para dar tudo certo.

15. Valeu a pena?

Resposta: Com certeza! (a foto abaixo confirma!)

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