Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Carta ao "anônimo"

Tem uma coisa engraçada que acontece com as pessoas em geral: podemos falar mal da nossa família, mas ninguém pode falar mal da familia da gente. O mesmo se aplica ao nosso país. Mas o interessante é que tenho percebido que parece que os brasileiros que não estão mais morando no Brasil, perdem o “direito” de reclamar do país sem correr o risco de irritar algumas pessoas que estão no Brasil. Não consigo explicar porque este “fenômeno” acontece, mas recebi um comentário neste blog de um anônimo, por sinal bem conhecido, que demonstrava esta irritação dizendo que eu não sofri nenhuma violência enquanto vivi no Brasil, apenas aproveitei a riqueza do país e que eu nunca fiz nada para melhorar o Brasil, nem mesmo caridade.

Fiquei pensando sobre isso e também sobre as pessoas que tanto falam sobre o amor ao Brasil. Quando as pessoas, ou eu mesma, me refiro ao Brasil, o que queremos dizer? Estamos falando de um território demarcado geograficamente, estamos falando do governo, do clima, da situação, da cultura ou das pessoas? Acho que isto precisa ser mencionado. O clima brasileiro é maravilhoso, assim como as paisagens e lugares. O povo brasileiro em geral, é muito simpático, acolhedor, criativo, alegre e também muito trabalhador. O governo brasileiro é incompetente, corrupto, cruel. Por conta disso, a situação do nosso país está um caos. A última VEJA ilustra isso claramente:

a classe média está sendo esmagada não conseguindo nem poupar, nem adquirir patrimônio devido à alta carga tributária (113 dias de trabalho no ano), sem ter nenhum retorno deste “investimento”. Além disso, precisa sustentar a política assistencialista do governo. Cada vez mais pessoas da classe média estão precisando tirar os filhos das escolas particulares pois não tem mais como arcar com este gasto e com outros que seriam obrigação do governo prover. E obviamente toda esta perda no poder de consumo também afeta outras pessoas da classe média que possuem empresas. Neste ritmo, fico pensando até quando vai existir classe média no Brasil. O pior é que a maioria das pessoas da classe média é assalariada e se perde o emprego depois dos 35, dificilmente consegue uma recolocação. E aí, vai viver do que?
a violência no Brasil está cada dia mais assustadora. Nesta edição da Veja consta a história da família que foi queimada viva em um assalto e também são relembrados outros casos de violência gratuita. Alguns dirão que isso acontece em todos os lugares. Pois é, mas no Brasil isso acontece quase todos os dias por conta da impunidade. Nosso sistema judiciário permitiu que um dos assassinos, que já tinha sido condenado por matar uma pessoa anteriormente, estivesse nas ruas. O mapa da violência divulgado no mês passado pela Organização Ibero-Americanos para a educação, ciência e cultura (OEI) mostrou que o Brasil ocupa o vergonhoso 3º. lugar entre 84 países no que se refere ao taxa de homicídios de jovens, perdendo apenas para a Colômbia e Venezuela. Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor da pesquisa, os números são reflexos da desigualdade social no país: “Basicamente, esse caráter de exclusão faz com que a vida não tenha valor. Nossas pesquisas mostram que 60% das vítimas não atuam profissionalmente no crime. São jovens que, por motivos banais, matam e morrem com facilidade”.
Outra reportagem da revista fala sobre os controladores de vôo que estavam trabalhando na ocasião do acidente da Gol e que estão sendo culpados pelo acidente. Entretanto, uma auditoria feita no sistema aéreo brasileiro demonstrou que a crise no setor é provocada pelo corte de verbas e falta de investimentos.
E com toda esta situação no país, ainda aparece na mesma revista a notícia de que os parlamentares se deram um aumento de 91% em seus salários...

Por que nossos governantes são assim? Acredito que porque são pessoas que não tiveram uma criação que lhes ensinassem valores como a honestidade e o respeito aos outros seres humanos. Não consigo entender como estas pessoas que desviam fortunas do orçamento, dinheiro este que deveria ser usado para o bem da população, consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir à noite.

Por que os brasileiros não reagem diante disso? Acredito que principalmente porque as pessoas já se conformaram com isso. Sabe aquela história de que se você colocar um sapo em uma panela de água fria, ele morre cozido sem tentar fugir pois vai se acostumando ao calor? Acho que é bem por aí. A situação está pegando fogo e o Lula foi eleito o melhor dos presidentes. É inacreditável... Além disso, muita gente não reage pelo medo. Depois de algumas mortes inexplicadas envolvendo alguns políticos e promotores, é realmente temeroso pensar em falar um pouco mais alto. Mesmo porque, de que adianta? Tantas denúncias foram feitas e provadas de crimes de desvio de verbas no escândalo do mensalão, sanguessugas, etc e a maioria dos crimimosos foram absolvidos. Nem sequer tiveram que devolver o dinheiro que roubaram do povo.

Então, ao meu “amigo” “anônimo” eu respondo o seguinte: se eu fosse fazer uma conta de quanto contribuí para o Brasil governo e o quanto eu tive de benefícios, com certeza absoluta eu teria que mandar uma notinha para cobrar a diferença. Comecei trabalhar aos 17 anos e me mudei para cá com 39 o que significa mais de 20 anos pagando imposto de renda, INSS, IPVA, IPTU, todos os embutidos nos produtos que comprei e de um bom tempo para cá a CPMF. Qual o retorno que tive disso? Vejamos, no “meu tempo” pude fazer o segundo grau e a faculdade em escolas públicas. Creio que foi um dos poucos benefícios que tive do governo. Nunca pude usar o sistema de saúde, tive que arcar com os altos custos das escolas particulares para meus filhos, planos de saude particulares, pedágio das estradas, condomínio alto para garantir a segurança que o governo nem pensa em fornecer, etc. E com relação à violência que sofri, realmente eu tive bastante sorte pois saí viva quando um cara encostou uma arma na minha barriga às 9h da manhã para roubar meu carro na rua da Gloria onde eu trabalhava, ou quando entraram no meu apartamento na pacata cidade de Ponta Grossa e roubaram tudo que tinha de valor, ou, na última vez no centro de Curitiba quando me neguei a dar gorjeta para o guardador e ele me ameaçou fazendo referência ao PCC. Infelizmente muitas pessoas, como a família que morreu queimada, não teve a mesma sorte que eu. Mas, como cita a minha “ídola” Lya Luft em seu artigo, as pessoas estão fissuradas em seus ossos individuais para enganar a fome e, enquanto essas coisas só acontecem com os outros, a maioria das pessoas lamenta sim, mas vai levando.

Eu não aceito esta postura de “ir levando”. Eu não me conformo. Por isso, durante todos os anos que estava no Brasil, sempre reclamei, exigi meus direitos, briguei, fiz campanhas políticas (inclusive para pessoas erradas), fiz greve, discuti, enfim, usei a arma que eu tinha para tentar mudar alguma coisa. Acho que a única mudança que consegui foi uma no estatuto do meu condomínio... Bem, já é alguma coisa. Mas cansa, sabem? Principalmente quando esta postura de indignação gera até antipatia. Ninguém sequer gosta de falar sobre os problemas do Brasil. É mais agradável falar sobre futebol. E eu não aguento o discurso ingênuo de muitos brasileiros argumentando que a situação vai melhorar, que tem esperança em um futuro melhor porque todos os indíces demonstram que a situação só tem piorado e não há absolutamente nada que indique uma melhora, não há absolutamente nada sendo feito de bom que possa refletir em uma melhora no futuro do país.

O descaso do governo brasileiro com a população tirou de mim e de muitos outros brasileiros que vivem no exterior, o direito de levarmos uma vida com dignidade no país onde nascemos e perto das nossas famílias e amigos. Eu fico impressionada com o número de emails que o Andreas e eu temos recebido de outros brasileiros desesperados tentando sair do país com medo da violência, buscando oportunidades profissionais e uma vida tranquila. Nós temos dados várias dicas mas gostaríamos de poder fazer muito mais do que isso. Eu chego a chorar lendo as histórias que o pessoal nos envia demostrando um desejo desesperado por uma vida melhor. E na maioria são pessoas decentes, experientes, querendo trabalhar, com filhos para criar e que simplesmente não conseguem um emprego principalmente os que tem mais que 35 anos. São pessoas que perceberam que a “água da panela está esquentando” e precisam buscar outra alternativa de vida.

Eu simplesmente não sou de ficar na “panela cozinhando”, fazendo de conta que está tudo bem, vivendo com insegurança e sabendo do futuro incerto que o Brasil reserva para nossos filhos. Essa é uma das razões que me fizeram vir para cá. Mas é porque acredito que o povo brasileiro não merece estar nesta “panela”, sem poder ter sequer ter uma perspectiva de uma vida melhor, é que eu, apesar de estar vivendo temporariamente em outro país, com todas as vantagens que isto me trouxe, continuo interessada nas notícias do Brasil, continuo me indignando sobre o que acontece por lá e continuo falando no assunto. E ninguém vai me tirar este direito.

Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

Decorando nossa árvore de natal


Com a família aqui, pudemos decorar a nossa árvore!!!

Vejam que linda ficou nossa árvore de natal!!!

No aconchego do novo lar


Tempo para descansar e tomar um bom vinho neozelandês...

Praia perdida


Ontem no final da tarde decidimos sair fazer um passeio e acabamos descobrindo um lugar muito lindo onde o Andreas e eu ainda não tínhamos ido.




Um abraço para esquentar...

Todos adoraram esta praia pois ficava em um lugar bem isolado e tinha um cenário bem neozelandês!



















Esta foto foi tirada no caminho. Vejam que lindo o rio entre as montanhas...

Esta foto, do pôr-do-sol em Wellington nós também tiramos no caminho.

Provando o café da Nova Zelândia


Um capuccino para esquentar vai sempre bem nesta terra!

Lembram que eu comentei que um dos primeiros lugares onde eu queria levar a minha mãe era para tomar um café bem cremoso? Tá aí o sonho realizado!

Sul de Wellington

Estas fotos foram tiradas em uma praia no sul de Wellington onde nós estivemos, adoramos e obviamente levamos a turma para conhecer.

Confiram a beleza do lugar.



Ai que frio!!!
O vento estragando a escova da Ana...
Eu feliz da vida com meus amados por perto e ainda ganhando um beijo do Julinho!
Só alegria!!!

Meu gatinho!

Brincando no vento


Lembra que eu comentei aqui sobre o vento fortíssimo no Oriental Bay?
Meu pessoal curtiu brincar no vento! Exceto minha mãe que ficou bem protegida dentro do carro enquanto os mais novos se divertiam...



Curtindo o Te Papa


Um dos primeiros lugares que o pessoal quis conferir foi o museu TePapa.



Fotos do reencontro feliz


Confiram a quantidade de malas... e a alegria, apesar do cansaço...

Vejam o trailler atrás do carro que precisamos alugar para podermos trazer todas as malas!

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Reencontro feliz

Saímos de Wellington na quarta depois de alugarmos uma espécie de carreta fechada para podermos trazer as 8 malas de 32kg.... A viagem até Auckland foi tranquila, apesar de termos perdido mais ou menos 1 hora por termos errado o caminho.

Chegamos em Auckland quase 2h da manhã e fomos direto ao aeroporto. Deitamos os bancos e dormimos na própria van até às 6h. Esperamos ansiosos por 1 hora e meia o nosso pessoal aparecer na porta do desembarque.

O primeiro que eu vi foi o Felipe, sorridente, lindo! Depois apareceu a Aninha, linda e até maquiada. Depois vi o meu Julinho com aquele sorriso malandro de sempre. E em seguida a minha mãezinha! Ai que delícia abraçar todas essas pessoas que tanto amo depois de 5 meses de distância. Depois dos abraços, ficava difícil conversar pois todos queriam falar ao mesmo tempo...

Eles adoraram a scoobyvan! Logo a seguir pegamos a estrada. Todos felizes, contando as novidades. Muita energia positiva, muito amor, muito carinho. O Felipe contando da agonia cirurgia bem sucedida que a vó dele patrocinou e que permitiu que ele pudesse enxergar claramente sem mais precisar usar lentes; a Ana contando as aventuras da viagem, como foi tranquilo conversar em inglês com os oficiais da imigração; a mãe tadinha, cansada, contando o desgaste que foi o preparo de todas as malas. E o Julio só ria...

Ficamos sabendo que a turma arriscou perder a viagem quando perdeu o vôo de Curitiba para SP. Depois de terem feito o check-in, investiram muito tempo nas despedidas e lágrimas e quando foram embarcar o avião já tinha ido... Só minha família mesmo para perder um vôo desses. Por sorte (e nós sempre temos sorte), eles conseguiram pegar o próximo vôo.

Fiquei sabendo que tinha mais de 20 pessoas no aeroporto de Curitiba para a despedida e só senti não ter curtido este momento. Deve ter sido incrivelmente emocionante. Estavam presentes o pai e a mãe da Ana, seus irmãos, o pai do Felipe, sua mulher Juçara, os avós do Felipe, meu pai, meus irmãos, a Nara, o Eloir, e vários amigos. Nestas horas que a gente sente como é amado!!!

Soube que até a minha mãe acabou dando uma entrevista para a rede globo sobre os recorrentes atrasos nos aeroportos do Brasil!

O resto da viagem deles foi tranquila. A passagem pela imigração chegou a ser divertida. Eles comentaram que os oficiais brincaram com eles e demonstraram muita simpatia quando falaram que eram brasileiros. O Felipe até foi chamado para ser intérprete de um brasileiro que estava chegando e não falava inglês. Bom começo na Nova Zelândia hein?!

Nossa primeira parada foi para um cafézinho neozelandes. Depois seguimos viagem. Só fomos comer novamente mais de 5 horas depois quando a Ana já não aguentava mais de fome... Foi uma briga pois o Felipe queria experimentar um sanduiche chamado Hell haizer, do BurgerKing e tava difícil achar um pelo caminho, apesar de existirem milhares.... E a Ana queria parar no primeiro McDonalds... Quando finalmente o Felipe desistiu e concordou com o McD, achamos do lado um BurgerKing.

Chegamos em casa lá por 19h e abrimos um vinho para comemorarmos! Meu pessoal amou a nova casa e hoje ficaram por lá descansando.

Estou saindo agora para encontrá-los e darmos uma passeada aqui pelo centro.

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

Véspera de viagem

Quarta-feira, 13-dez, 10:45. Estou aqui no meu trabalho angustiada, roendo as minhas unhas, esperando dar 13h para poder sair, encontrar o Andreas e irmos para Auckland buscar minha família. A viagem será longa, quase 10 horas na estrada. Em Auckland precisaremos arrumar um lugar para dormirmos pois eles só chegam amanhã cedinho.

Eu queria tanto que meu pai, minha irmã e meu cunhado, meu irmão e minha cunhadinha, também estivessem vindo passar o natal com a gente! De preferência que se mudassem logo para cá para ficarmos todos pertos e unidos. Isso ainda é um sonho. Mas quem sabe isso ainda se realiza?

E o relógio não anda... Agora são 10:55 ainda... Nem acredito que amanhã a casa vai estar cheia e na sexta-feira vamos enfim decorar a nossa árvore de natal!

Brasil

Mais um dia de vento frio e chuva na capital Wellington. Sinto falta do calor do Brasil. Sinto falta da sensação de “estar em casa” que eu sentia no Brasil. Mas ando bem confusa em relação à esta saudade. Tenho comentado com meus colegas sobre as notícias que leio sobre o Brasil.

Ontem mesmo falei sobre o casal e filho de 5 anos que foram assaltados e queimados vivos em Bragança Paulista. Antes de ontem, comentei sobre uma tia que sequestrou o sobrinho de 8 anos, para garantir uma parcela maior da herança, que acabou morrendo sufocado no porta-malas. Teve também a notícia de toda a incompetência envolvida no acidente do avião da Gol, aquela outra da mulher que ateou fogo na velhinha na fila do INSS e sobre a mulher que foi presa e perdeu a guarda do filho só porque roubou manteiga no mercado. Também comentei sobre a quantidade de policiais de foram assassinados pelo PCC alguns dias antes de eu vir para cá e sobre os carcereiros que foram assassinados um a um, nos dias que se seguiram, sem poder contar com a proteção da polícia.

Notícias como estas não faltam quando acesso os jornais brasileiros pela Internet. A princípio eu contava as notícias com uma certa naturalidade. Mas, depois de perceber a reação das pessoas aqui quando ouvem estas notícias, eu cheguei a me sentir envergonhada e algo mudou na maneira como eu tenho encarado encarado estes acontecimentos. Parece que estou falando de um país extremamente violento, em guerra civil e não do país em que eu vivia há 5 meses atrás. Me dei conta que nós brasileiros desenvolvemos algum mecanismo para evitarmos enxergar a realidade. A violência se banalizou para nós. Virou coisa normal. Mas aqui, isso ainda é visto com horror, como se eu estivesse falando do inferno. Quem me conhece sabe que eu sempre fui muito revoltada com relação à situação do país mas eu mesma já estava meio anestesiada por conviver com isso diariamente. Mas, olhando as coisas de longe agora, e ao me deparar com esta reação diferente de pessoas que vivem uma outra realidade, eu comecei a perceber o Brasil com outros olhos e com muito mais clareza.

Também comento aqui sobre a corrupção, sobre todas as denúncias feitas e comprovadas que não mandaram nenhum político para a cadeia, o imposto que é descontado do nosso salário e em cada coisa que compramos e que não é usado em benefício das pessoas, as pessoas morrem nas filas dos hospitais esperando atendimento, sobre a dificuldade de conseguir um bom emprego pois o governo não se preocupa com isso, o dinheiro descontado das operações financeiras que não sabemos para onde vai. Quando comento essas coisas, as pessoas aqui me perguntam porque o povo brasileiro aceita isso e não faz alguma coisa. Eu pensei muito e não tenho a resposta. Aliás, o que ocorre é os brasileiros consideram chato falar sobre esses assuntos e preferem continuar na ilusão patética de que as coisas vão melhorar. Mesmo que absolutamente nada esteja sendo feito para que isso aconteça, muito pelo contrário.

Eu li em um artigo da Lya Luft o seguinte questionamento: “Afinal, que povo somos? Uma nação folclórica e atrasada? Um povo humilde e sofredor que se contenta com muito pouco, ou gente alienada que não enxerga além da borda do prato? Um povo fissurado no osso individual que engana a fome, ou na fútil ilusão de estabilidade? Um povo que escolhe ignorar os desmandos, a impunidade e a estagnação que contaminam a nossa pátria e não deixam dormir os que ainda pensam?”. Então me dei conta que não estou sozinha. Parece que ela também não tem a resposta.

Me sinto agora sem um “lar” para voltar. Mas acho que posso me acostumar com as baixas temperaturas da Nova Zelândia. Isso vai manter meus filhos bem longe do inferno que virou o meu país.

Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Tá chegando a hora

Como vocês devem saber, meus filhos, minha norinha e a minha mãe estão vindo para cá e chegarão dia 14 da próxima semana. Estou contando nos dedos os dias que faltam para eles chegarem. A saudade é muito grande. Nunca fiquei tanto tempo longe dos meus meninos.

Então, dia 13, estaremos pegando a nossa scoobyvan, acoplando uma carretinha atrás para acomodarmos as malas e viajando até Auckland. Devemos chegar bem tarde lá e a idéia será dormirmos na nossa mystery machine.

Depois da recepção no aeroporto, com direito a muitos abraços e lágrimas, pretendemos voltar direto para cá. A idéia será manter a turma acordada para eles já irem se adaptando ao novo fuso horário. E para isso vamos contar com a beleza das paisagens neozelandesas para entretê-los.

Não vejo a hora de abraçar todos eles... Ai que saudades!!!

Andando de ônibus

Depois de termos experimentado deixar o carro na garagem e virmos para o trabalho de ônibus, chegamos à conclusão que esta sem dúvida é a melhor opção.

Quando a gente vem de carro, gasta com combustível e estacionamento além de se estressar no trânsito. Temos também que deixar o carro em um estacionamento meio longinho do nosso trabalho o que é um problema quando chove.

Pegamos o ônibus em um ponto à meia quadra de casa. O ônibus é super confortável, passa de 5 em 5 minutos e para pertinho do nosso trabalho.

O que me impressiona é que existe uma tabela de horários marcando a hora que o ônibus vai passar em cada ponto. Não sei como eles conseguem este sincronismo. Também tem um mapinha mostrando a rota completa que o ônibus faz.

Pedras no caminho

Hoje eu li no jornal Globo.com uma história de uma série chamada "Pedras no caminho", em que uma reporter que se passou por paraplégica para sentir as dificuldades que atravessam as pessoas que utilizam cadeiras de rodas. Obviamente a experiência foi terrível. Mesmo para entrar no metrô e no ônibus, ela precisou ser carregada.

Aqui na Nova Zelândia parece que tudo foi pensando para atender as pessoas que usam cadeiras de rodas. Os ônibus são como em Curitiba que baixam uma rampinha para eles subirem, todas as calçadas têm rampinhas apropriadas e inclusive nós já vimos várias pessoas andando em cadeiras de rodas motorizadas tranquilamente pelo centro da cidade.

No Brasil, acho que a única coisa que funciona são as vagas para deficientes nos estacionamentos. Mas considero isso até uma hipocrisia pois em muitas lojas existe a vaga mas para entrar no estabelecimento existe um degrau.... Então, estas vagas praticamente não são utilizadas. Tanto é assim, que quando alguém vê um carro estacionado em uma dessas vagas, já sai criticando pois nem chega a considerar a hipótese de um deficiente ter estacionado ali...

Considero extremamente triste que uma pessoa tenha que ficar trancada em casa ou então dependa da ajuda dos outros para se locomover. Por isso, acho importantíssimo que a estrutura da cidade também atenda as pessoas que utilizam cadeiras.

Mas o que seu estou falando se quando morava em Curitiba eu reclamei no atendimento da prefeitura várias vezes sobre um terreno, perto da minha casa, sem calçada no cruzamento de uma via expressa e a caminho de uma escola e até hoje absolutamente nada foi feito. Eu via os carros passarem "raspando" nas crianças e chegava a me dar calafrios! Quer dizer, as prefeituras não atendem nem quem anda com suas próprias pernas, que dirá quem precisa de estrutura especial para andar de cadeira de rodas...

Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

Árvore de Natal e Scoobyvan


No caminho da nossa viagem ontem, paramos em uma fazenda que vendia árvores de natal para comprarmos a nossa primeira árvore de natal de verdade. O Andreas lembrou da infância dele quando seu pai sempre saía para comprar uma árvore para o natal da família dele. Por sorte estamos com este carrão, a nossa scoobyvan ! Aliás, eu já o batizei de “Mystery Machine” e me sinto no filme do Scooby doo quando passeamos com neste carro.
Na volta ainda paramos para comprarmos acessórios para enfeitarmos a nossa árvore.
Quando estávamos chegando em casa, um incidente: eu vi uma aranha pernuda na minha perna, provavelmente vindo da árvore e comecei a gritar e chorar. O Andreas não parava de ir e parou o carro e eu saí correndo. Depois que ele me mostrou que não havia mais nada ali do meu banco, eu subi novamente no carro. Mas

depois disso fiquei com um pouco de medo das aranhas que possam vir desta árvore....

















A nossa árvore acomodada na MM (Mistery Machine). O carro ficou cheirando verde!



















As velhinhas muitíssimo simpáticas que vendem as árvores!

Final de semana enrolarado

Este final de semana foi muito legal. Acordamos na nossa casinha bem cedo e nos preparamos para recebermos nosso sofá, nossas camas e nossa geladeira. Demos uma geral na casa e como o dia estava lindo, decidimos sair passear. Passamos por Paraparaumu, uma praia há 50km daqui e fomos até Palmerston North, Woodville, Eketahuna, todas cidades bem planas, arborizadas e muito tranquilas.

Decidimos voltar por um caminho diferente que passa pelo Hutt Valley. Valeu a pena. O caminho é lindíssimo! Quando estávamos em uma estrada, perto de um precipício, no meio do nada, vimos uma plaquinha de um café. Quase não acreditamos. Aqui na Nova Zelândia tem café em todo lugar mesmo... O café se chamava Beyond the bridge e, como o próprio nome diz, ficava depois de uma ponte. Infelizmente estava fechado. Vimos que lá tinha opção para passeios de cavalos e decidimos que voltaríamos ali no domingo. Foi o que fizemos.

O que se percebe é que mesmo as cidades pequenininhas aqui possuem uma boa estrada para acesso. E eles conseguiram disponibilizar esta infra-estrutura sem estragar a natureza.

Outra vantagem é que como o país não tem uma população muito grande, aqui não vemos multidões ou filas para coisa nenhuma.

As praias não são bonitas. Em compensação as montanhas, a vegetação e os rios, são de tirar o fôlego. Difícil captar estas imagens em fotografias, mas eu tentei. Confiram:


Hutt Valley

Encontramos uma porção de motoqueiros passeando no domingo pelo Hutt Valley.




Café Beyond the bridge


Infelizmente este Café também servia moccacino com mashmallow...








Estas coisas gigantes utilizam o vento para gerar energia.









Praia (como sempre) sem graça da Nova Zelândia


Palmerston north













Fotos do nosso bairro e da nossa casinha


Vista da janela do nosso quarto. No topo da colina podemos ver vaquinhas e ovelinhas pastando. Da janela do meu banheiro pela manhã sempre posso ouvir uma porção de passarinhos cantando...


Nossa casinha vista pelos fundos
Nossa rua...





































A frente da nossa casa



Redondeza

Comemoração de natal da minha empresa


Sexta-feira tivemos a comemoração de natal aqui da empresa. Nos encontramos na estação ferroviária, às 8h da manhã e tomamos um trem em direção à Featherston. No trem a empresa tinha um espaço especial reservado para nós e cada um recebeu uma sacola com uma garrafa de vinho, morangos, salgadinhos e queijo. Começamos a beber às 9:30..... No caminho pudemos observar pela janela uma paisagem muito linda com montanhas e rios. Chegamos em Featherston e tinha um ônibus esperando a turma. Fomos tomar um café no “Lady Featherston Café”. Pedi um moccacino e percebi que dentro dele veio uns mashmallows cor-de-rosa. Não gostei. Depois fomos visitar umas vinículas e provar as opções de vinhos que eles tinham. A última parada foi em uma vinícula onde almoçamos e trocamos presentes. Eles adotaram um esquema brasileiro que eu sugeri para distribuição de presentes e adoraram. Logo após o almoço eu fui para o ônibus pois estava “prá lá de bagdá”... Voltamos pelo mesmo caminho e chegando no centro tomamos um taxi para casa (também pago pela empresa). Fui dormir antes das 21h e só acordei no outro dia. Confiram as fotos!



Andreas e eu no trem.
Andreas e a minha colega Anita em uma das vinículas que visitamos.
Paisagem do trem.







Meu colega bonitão James.
Anita e eu.





Minha "chefa"

















Fim de festa...

Cinema diferente

Na semana passada finalmente fomos conhecer o cinema que comentei com vocês. Fomos assistir o filme “A good year”. O cinema é bem legal pois você pode comprar seu vinho, café, refrigerante, tortas, sanduíches, etc e um garçom leva para você na sala do filme, onde tem um sofázinho bem confortável e uma mesinha ao lado. Quanto ao filme, honestamente eu não curti muito , mas o cinema eu adorei!