Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Pimentinha trabalhando



Para todos que estavam na torcida, uma boa notícia: a Pimentinha já está trabalhando mas não é na Wishbone. É na panificadora de um mercado.

Apesar do cansaço, pois tem sido bastante pesado para ela e para o Felipe, os dois estão bem animados pois poderão rapidamente conseguir dinheiro para fazer uma viagem para a ilha sul.

Tenho certeza que valerá a pena o esforço!











Pronta para ir para o trabalho!

Wellington pela manhã


Eu realmente adoro esta cidade. Se não fosse o clima, eu diria que é quase perfeita. É uma cidade com poucos habitantes, por volta de 300 mil. Tem um centro pequeno onde ficam os prédios e as empresas, e os bairros, onde só existem casas, são bem espalhados e arborizados. É uma cidade organizada, limpa, sem poluição, tranquila, segura e ainda por cima, tem mar!

Nos horários de pico, antes das 9h da manhã e por volta das 17h, ocorre um congestionamento entre os bairros e o centro. Mas, como a cidade é linda, os menos estressados podem ir admirando a paisagem pelo caminho. Mas este "congestionamento" chega ser uma piada se comparado com o que vemos nas capitais brasileiras.

Apesar da cidade ser pequena, a capital oferece muitos empregos no governo. Além disso tem muitas grandes empresas instaladas aqui justamente prestando serviço para o governo, o que gera mais empregos. Obviamente, como consequência, o comércio é bem movimentado gerando ainda mais oportunidades. A diferença entre os menores e os maiores salários é pequena o que faz com que todos tenham padrão de vida muito parecidos. Por exemplo, o que o Felipe ganha trabalhando no mercado e no bar, é um pouco menos da metade do meu salário como gerente de projetos. Com o salário dele somando com o da Ana, eles poderiam ter uma vida bem confortável mesmo sem a nossa ajuda.

Vou tentar compartilhar com vocês a beleza que eu vejo nesta cidade através de umas fotos que eu tirei pela manhã, a caminho do trabalho.


Ainda dentro do ônibus que é muito tranquilo e confortável. Vejam que o próprio motorista faz a cobrança da passagem cujo preço depende do lugar que você informa que pretende descer. Tudo na base da confiança!
A maioria das pessoas tem um cartão magnético com crédito para as passagens que facilita o pagamento e dá direito a um bom desconto.











Vejam como o nosso bairro é arborizado.

Aqui, já no centro, é a estação do trem, ou metrô se preferirem. Muitas pessoas utilizam este tipo de transporte que aliás tem uma expansão prevista pelo governo.

Ainda a estação do metrô
As pessoas indo tranquilamente para o trabalho.


Cada um fazendo a sua própria moda, sem se incomodar com o que os outros pensam...



Eu costumo descer bem antes do meu escritório para caminhar um pouco. Eu acho isso muito agradável e adoro ir observando e admirando a cidade. Esta é uma praça por onde costumo passar.




Farmes é uma grande loja de departamento, mais ou menos no estilo da Mesbla no Brasil, só que eu diria que com produtos de qualidade superior.
Kirkcaldie é a loja de departamentos mais requintada e mais cara da cidade. Realmente tem produtos muito bons e é uma loja muito bonita.

A linha verde é dedicada aos ônibus.




A cidade é cheia de cafés (cafeterias) e muitas tem estas mesinhas para fora que sempre estão cheias pela manhã quando o pessoal saboreia os deliciosos cafés cremosos que servem aqui.





Whitcoulls é uma grande livraria/papelaria da cidade
Banheiro público, com papel higiênico, sabonete e muito limpo.





Starbucks também com as mesinhas












Este é o prédio "Old bank arcade" que além dos escritórios, também tem uma galeria de lojas, cafés e restaurantes. Aliás uma coisa bem interessante é que no centro da cidade estes prédios possuem galerias subterrâneas interligadas. Então você pode ir da galeria de um prédio para outra sem precisar passar pela rua.


Aí a parte interna do Old Bank Arcade. É um prédio muito bonito.
O pessoal indo trabalhar de bicicleta. Aqui muitas pessoas optaram por esta prática saudável.
Polícia da cidade. Reparem que eles sempre colocam o nome do local em maori embaixo do nome em inglês.
Esta é a biblioteca pública da cidade que possui um grande acervo de livros, CDs e DVDs.
Ainda a bonita biblioteca da cidade.








Este é o Visitor Centre, o "i". Lembram que eu comentei o quanto útil estes centros foram para a nossa viagem pela ilha norte?
A biblioteca vista pela lateral e também a entrada para a galeria de artes da cidade
Entrada lateral da prefeitura











Ainda o centro cívico

Muitas mulheres adotam a prática de usar tênis para andar confortávelmente até o trabalho e de levar o sapatinho de salto na bolsa ou mochila para usar no escritório.





Passando pela rua Cuba






Este é o café Wishbone, que fez a oferta de trabalho para a nossa Pimentinha.
Vejam o rapaz atravessando a rua tranquilamente na sua cadeira de rodas elétrica. Aqui em Wellington, quem usa cadeira de rodas consegue andar pela cidade inteira e inclusive pegar ônibus sem a menor dificuldade.
Um dos teatros da cidade
Eu não poderia deixar de colocar aqui este cartaz que é de uma propaganda muito engraçada que passa na TV de uma bala mentolada. De tão refrescante, olhe o efeito no rapaz!!! Na TV, ele consegue até apertar o botão do elevador com o mamilo... ;-)











Outro banheiro público na praça Te Aro.








Para finalizar, vejam que criativa esta propaganda contra o consumo excessivo de álcool.
















Dilema de brasileiro

Um dia desses uma pessoa me perguntou na comunidade do Orkut, se os kiwis eram receptivos e se colaboravam para que os estrangeiros se sentissem em casa. Respondi para ela que nós como brasileiros, nunca deixaremos de nos sentir estrangeiros quando morando fora do Brasil. Então ela comentou que já morou nos Estados Unidos e em Portugal e atualmente se sente uma estrangeira vivendo no Brasil.
Isso me fez pensar. Será que quando ( e se) voltarmos a morar no Brasil ainda nos sentiremos em casa?

Creio que não. E isso é muito difícil de reconhecer e dói só de pensar.

Fiquei pensando que morar um tempo no exterior, é como escolher a pílula vermelha do filme Matrix, lembram? É engolir aquela pílula que vai te fazer enxergar afinal, toda a verdade, neste caso, sobre o seu país. E depois de tomada a pílula, nunca mais você enxergará as coisas como via antes.

Várias pessoas com quem conversamos que moraram fora do Brasil e depois voltaram, se arrependeram amargamente de terem voltado e gostariam de voltar a morar longe do Brasil. Só que nem sempre é possível voltar atrás.

Pensar sobre isso chegou a me dar um arrependimento de ter vindo. Enquanto eu só conhecia a vida no Brasil, não podia imaginar as vantagens de viver em um país como a Nova Zelândia. E tudo aquilo que a gente não conhece, obviamente a gente não sente falta.

Por outro lado, eu jamais poderei ser completamente feliz aqui tendo a minha família e meus amigos tão longe.

Parece um dilema sem solução.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Coisas de kiwis

Eu já comentei em outro tópico, sobre a diferença cultural que existe entre kiwis e brasileiros, principalmente no que se refere à, digamos, regras de etiqueta. Só não esqueçam que isso não se aplica somente aos neozelandeses pois os brasileiros que moram no Canadá também reclamam da mesma coisa: gases e arrotos em público, sem o menor constrangimento, jeito animalesco de comer, etc.

Eu já tinha visto uma guria andar descalça aqui no meu trabalho. Mas hoje eu vi uma cena ainda mais hilária: o gerente de programa chegou na reunião (Change Control Board – Conselho de controle de mudanças) de meias!!! E o mais engraçado é que uma meia era colorida e a outra era preta :-D Eu tive que me conter para não cair na risada. Gente, eu nunca vi isso na minha vida! E ninguém fez nenhum comentário ou olhou atravessado. Todos encararam a situação de maneira natural.

Diferenças de comportamento surpreendentes como essa são inesperadas, quase inacreditáveis, mas não atrapalham a nossa vida. Entretanto, outras diferenças tem trazido uma certa frustração para mim e para o Andreas no que se refere ao ambiente profissional. Como a maioria das pessoas se conhecem, eles não sentem necessidade de definir normas e procedimentos. Por exemplo, se é necessário fazer uma manutenção em um sistema, o responsável vai lá, faz e aí avisa os outros, muitas vezes apenas verbalmente. Outra coisa é saber quem é o responsável pois para não magoar o ego de alguns, a gerência não deixa bem claro os limites de responsabilidade e muito menos os níveis de autoridade. Afinal, todos precisam ser “amigos”. Só que isso acaba criando mais confusão e conflitos. Na empresa que o Andreas trabalha tem um único cara, que trabalha lá desde o século passado ;-), responsável por diversos sistemas. Se o cara capotar amanhã, tudo pára na empresa. Aqui na organização onde estou trabalhando, temos uma situação semelhante. O programa tem mais de 20 projetos e um deles está no caminho crítico e é o mais importante de todos. Só que todo o conhecimento sobre os requisitos e mesmo sobre a lógica de programação do sistema, feito em Cobol, está na cabeça de um casal. Isso mesmo, um casal casado ;-) Quando eles tiram férias, tudo pára. E eles fazem aquele papel de vitima e mártir: ficam reclamando que trabalham mais de 10 horas por dia e se vangloriam em dizer o quanto o programa depende deles e o quanto eles se esforçam. Se este casal sofrer um acidente de carro vindo para o trabalho, o programa tão importante do governo, pode ser extremamente prejudicado Eu já tentei sugerir aqui técnicas interessantíssimas de gerenciamento de projetos que seriam super úteis, mas todas foram descartadas devido a este ambiente político de pessoas que não conseguem se entender e precisam manter o ego inflado. Isso realmente frustra pois é um ambiente pouco profissional, onde experiência e conhecimento acaba não tendo muita utilidade. Nos dá a nítida sensação, de que em muitos aspectos, as empresas aqui estão bem atrasadas comparando com as empresas que trabalhamos no Brasil.
Por outro lado, se aprendermos a relaxar, pode ser o melhor lugar do mundo para se trabalhar. Principalmente para quem ainda não tem o domínio do idioma. Então, o Andreas e eu combinamos que vamos tentar não levar tão a sério a situação e vamos aproveitar estes meses iniciais para aprimorarmos o nosso inglês. Não temos nada a perder com isso. Mas será necessário uma boa dose de humildade, o que não deixa de ser um aprendizado importante para nossas vidas.
Algo que me assusta é que ouvi dizer que isso também se aplica à medicina praticada aqui. Isso realmente me deixa muito preocupada e morrendo de medo que qualquer um de nós possa precisar de um atendimento mais especializado. E o pior é que obviamente não estamos mais pagando plano de saúde no Brasil. Então nem adiantaria querer "correr" para lá em uma situação de emergência. Mas o que estou dizendo? Se estivéssemos ainda no Brasil muito provavelmente estaríamos sem plano porque estaríamos sem dinheiro para pagar...

Sábado, 21 de Abril de 2007

Festival de cinema da América Latina

Esta semana a minha amiga Cristina me convidou para irmos ao coquetel de abertura do 6o. festival de cinema da América Latina quando seria exibido o filme chileno "Sagrada Família". No coquetel, tomei um delicioso vinho chileno e uma batidinha de maracujá feita com a cachaça 51. Foi servido pão de queijo, empadinha, empanada e outras comidas típicas dos países da América Latina. As pessoas que estavam lá eram principalmente de embaixadas de diversos países.

O evento foi em um cinema onde o filme Senhor dos Anéis foi exibido pela primeira vez, tendo como público na ocasião, astros e estrelas de Hollywood. É realmente um teatro muito bonito e funciona também como cinema. Chama-se Embassy Theatre.

Tudo foi legal, exceto o filme que foi realmente uma grande porcaria em todos os aspectos. Fico pensando o que levou os organizadores do evento a escolherem um filme como este para esta abertura. Um colega kiwi do meu trabalho sentou ao meu lado com a esposa no teatro e me senti envergonhada diante deste filme. Afinal, sou latino americana. Me apressei em dizer que os filmes brasileiros são muito melhores em muitos aspectos. Mas, para os kiwis que só foram nesta estréia, ficou está má impressão sobre os filmes latino americanos. Fazer o que?!

Vergonha da pátria amada

Hoje eu recebi um email de uma brasileira que vive em Portugal. Ela entrou em contato comigo através do meu blog. Ela e o marido, que é português, estão avaliando a possibilidade de virem para cá. No email dela ela comentou que os brasileiros não tem uma boa imagem por lá e tem muita brasileira trabalhando com prostituição.

No encontro que eu tive no JJ Murphy, os meus amigos brasileiros estavam comentando no quanto é legal conhecer brasileiros que não sejam "trouble makers", isto é, criadores de confusão/problemas. Quer dizer, mesmo os próprios brasileiros ficam com um pé atrás com outros brasileiros até conhecê-los melhor. Além disso, extra oficialmente a gente ficou sabendo que tem muito brasileiro aprontando feio aqui na NZ: estupro, acidente de carro por dirigir embriagado, tráfico de drogas,etc. Por isso a imigração vive mandando brasileiros de volta para o Brasil sem sequer deixar entrar aqui. E com isso infelizmente muitos inocentes acabam sendo prejudicados.

No Canadá a imagem dos brasileiros também é péssima e em umas danceterias eles proíbem a entrada de brasileiros e chineses. Lembro de ter lido na comunidade da Maura, um brasileiro contando que seus colegas comentaram com orgulho que roubavam papel higiênico da universidade para economizar em casa.

Outro dia fiquei chocada quando vi uma estudante brasileira que vendeu as fotos de um príncipe pegando nos peitos dela. E ela planejou isso só para ganhar dinheiro. E depois a gente reclama da imagem que a mulher brasileira tem fora do Brasil.

Vocês já viram este site: www.riobodycount.com.br? Conta o número de mortos e feridos desde fevereiro deste ano, por violência, só no Rio de Janeiro. Hoje estava em 730 mortos e 398 feridos!

Políticos corruptos, traficantes, guerra civil no Rio de Janeiro, e ainda os brasileiros fazendo feio no exterior. Que coisa mais triste saber que a imagem do nosso povo está cada vez pior em outros países. Onde é que vamos parar?!

Do que podemos nos orgulhar? De um sistema eleitoral totalmente informatizado? De ter o sistema bancário mais modermo? De ser um dos principais mercados de celulares do mundo? Acho que eu preferiria me orgulhar de coisas mais importantes...

Domingo, 15 de Abril de 2007

Felipão no New World

Uma boa notícia para vocês: o nosso Felipão conseguiu um emprego no supermercado New World como "Wine Assistant".
Ele é responsável por manter o estoque dos vinhos nas prateleiras. (Que perigo!!! ;-)
Sendo assim, ele vai se tornar um conhecedor dos vinhos neozelandeses e sempre poderá nos manter informados sobre as ofertas de vinhos neste supermercado. E como vocês sabem, que tem informação tem poder, principalmente nesta família apreciadora de vinhos.
Brincadeiras à parte, com este emprego em período integral ele poderá pedir o visto de trabalho, o que facilitará a busca por um emprego melhor. Devagarinho a nossa situação está melhorando aqui.

A Pimentinha continua esperando o visto para começar na Wishbone. E está indo toda semana no serviço de imigração fazer pressão. Espero poder ter boas novas sobre ela na próxima semana.

Encontro de brasileiros no JJ Murphy

Ontem nós tivemos um encontro com vários brasileiros no pub JJ Murphy. Foi muito legal bater um papo gostoso com o Camilo, de Porto Alegre, com o Guilherme, de Belo Horizonte, com a Cristina e toda sua família, de Brasília. Obviamente o principal assunto foi o motivo que nos trouxe para tão longe e as inevitáveis comparações entre o Brasil e a Nova Zelândia. Falamos sobre a ingenuidade do povo daqui que sequer precisa colocar teclado virtual nos "internet banking" ou armazenar as senhas criptografadas; na simplicidade dos processos de abertura de contas bancárias, compra de carros ou aluguéis de casas; da tranquilidade que é morar aqui; na educação da polícia; do ritmo mais lento e mais saudável no ambiente de trabalho. Mas é óbvio que todos também sentem saudades do Brasil... Saudades da alegria do nosso povo; saudades da nossa família; saudades de se sentir "em casa".

Quando falamos sobre a polícia daqui nós comentamos que quando o Felipe foi parado pela polícia por estar a 63km/h em uma área com limite de 50 km/h, a primeira coisa que o policial educadamente perguntou foi se o Felipe teria algum motivo especial para estar andando tão rápido. Depois explicou qual era o limite permitido e deu uma multa para ele. O Camilo contou que em Auckland, depois de ter acabado de estacionar, chegou um policial conversar com ele que rapidamente desceu do carro. O policial então pediu para ele entrar no carro já que estava chovendo e ele iria se molhar. Ele tentou argumentar dizendo que o policial também estava se molhando e que por respeito, ele preferia continuar ali, mas mesmo assim o policial insistiu que ele entrasse no carro. Depois de todos os documentos terem sido apresentados o policial explicou que o carro tinha sido alugado por outra pessoa anteriormente mas que estava tudo ok e quase pediu desculpas para ele.

Enquanto tomávamos umas Tui's (cerveja), comentei com eles que, apesar da Alemanha ser um país que oferece muita qualidade de vida ao seu povo, quando eu perguntei para alguns alemães que moram aqui se eles gostariam de voltar a morar lá, eles foram muitos seguros em responder que não. Já quando se faz a mesma pergunta para qualquer brasileiro, TODOS respondem que um dia ainda querem voltar, apesar da situação do país. O Gustavo, que vive em Hamilton, comentou comigo que viu uma pesquisa mostrando que o povo brasileiro é o que tem mais dificuldade em se adaptar a viver longe do seu país e o que tem mais apego à pátria. É muito complicado entender porquê.

Fico pensando que se nós temos tanto amor assim pelo nosso país, porque a maioria dos brasileiros é tão individualista, tão acomodada, porque a maioria do povo não faz nada para tentar fazer do Brasil um país melhor para os brasileiros e sequer se dispôem a conversar sobre os problemas.

A Cristina deu uma ótima definição para a comparação entre o Brasil e a Nova Zelândia:

- O Brasil é uma merda. Mas é legal.
- A Nova Zelândia é legal. Mas é uma merda.

Não dá para discordar. E muito menos para explicar.

O Guilherme me contou sobre um acidente que ele e a namorada sofreram no Brasil nestes trechos de reforma nas estradas em que eles não colocam nenhuma, absolutamente nenhuma sinalização. Felizmente eles não se machucaram mas o carro teve perda total. Quando o Guilherme soube que um carro já tinha capotado no mesmo trecho, ele tentou, em vão, alertar os órgãos responsáveis. Infelizmente nem sequer foi possível identificar quem seria o responsável. A empresa responsável pelo concerto responsabilizou a prefeitura que responsabilizou o DNER, que responsabilizou a prefeitura... Enquanto isso, várias pessoas continuavam se machucando e morrendo por causa disso.

Aqui na Nova Zelândia, quando existe uma obra na estrada, a sinalização inicia 5 Km antes da obra. Todos os cuidados são tomados para que ninguém se machuque. Na nossa conversa, o Guilherme e eu chegamos à triste e inquestionável conclusão que no Brasil a vida do ser humano não tem valor. Estou até agora pensando nisso.

Ficamos conversando sobre os diversos casos de assassinatos no Brasil como aquele em que dois jovens foram sequestrados enquanto acampavam e o rapaz levou um tiro na cabeça enquanto a menina era estuprada diversas vezes antes de ser degolada; ou aquele da família que foi queimada viva em Bragança Paulista; ou ainda o mais recente do menino que foi arrastado até morte pelas ruas do Rio de Janeiro. Em cima das ruas que estiveram manchadas de sangue, alguns dias depois, os cariocas pulavam carnaval. Comentei com ele que eu acho que o pior não é morrer. Afinal, pode ser até uma questão de destino em que, independente de onde você estiver, isso vai acontecer naquele momento. Ou não. ninguém sabe. Mas o pior, na minha opinião, é viver a vida com medo.

Apesar de tantos lamentos, o nosso encontro foi muito legal e, tenho certeza, o início de uma longa amizade.

Sábado, 7 de Abril de 2007

Páscoa na Nova Zelândia

Sim, aqui também se comemora a páscoa e também tem a tradição dos ovos de chocolate. Mas nem se compara com o que acontece no Brasil onde vemos os mercados com ovos até o teto, literalmente. Aqui quase nem se vê os ovos de chocolate. O que é uma benção para quem está querendo/precisando perder peso ;-)

Tivemos feriado ontem, sexta-feira e também teremos na segunda. Infelizmente não pudemos viajar já que ainda não terminamos de pagar as passagens aéreas e a mobília da casa.

Falando em mobília, queria aproveitar para comentar que nós só compramos o básico para vivermos com conforto. E honestamente, ninguém precisa mais que isso. Lembro que no Brasil eu sofria por nunca sobrar dinheiro para colocar todos os móveis embutidos no quarto dos meninos e no meu, nem para decorar a minha sala como eu gostaria. Hoje já acho isso uma grande besteira. Afinal, quanto mais investimos em uma casa, mas difícil será sairmos dela para qualquer nova oportunidade que surja em outra cidade ou em outro país. Parece que sem querer vamos fincando âncoras que nos prendem a um lugar e nos impedem de vivermos tantas outras oportunidades interessantes.

O Julio entrou de férias por 3 semanas. Aqui a quantidade de dias de férias por ano é praticamente igual a do Brasil, só que é distribuída ao longo do ano em diversos curtos períodos de férias. Obviamente ele está adorando a idéia.

Últimas novidades

Oi pessoal!

Estou me sentindo um pouco mais confiante no meu trabalho, o que é um grande alívio para mim. Me dei conta que não dominar o idioma tem suas vantagens. Uma delas é que seres falantes como eu, aprendem a observar e ouvir mais. E isso faz com que a gente enxergue as coisas com muito mais clareza. Então está fácil para eu perceber os erros que as pessoas estão cometendo neste projeto. Na verdade, estou podendo confirmar as idéias de alguns autores que escrevem livros na minha área. Muito provavelmente, se eu estivesse gerenciando o mesmo projeto no Brasil, já estaria tão envolvida, participando e dando as minhas opiniões, que não teria esta grande oportunidade de aprendizado. Então, esta dificuldade que estou atravessando, está trazendo mais sabedoria à minha vida, o que é muito bacana pois me sinto crescendo, evoluindo como ser humano.

Na semana passada eu recebi o boletim escolar do Julio e ele só tirou notas boas, o que me deixou muito orgulhosa. Como eu já havia comentado, uma das disciplinas que ele escolheu foi informática e a princípio eu achei que seria muito fácil para ele e que não acrescentaria muito no processo de aprendizagem. Mas estou impressionada pois o curso é muito melhor do que eu esperava. Os alunos treinam nas aulas para tirar uma certificação Microsoft chamada ICDL que consistem em 7 exames. Ele já passou em 3 deles. Cada aluno tem seu ritmo e quando mais estudar, mais cedo terminará esta certificação. A professora comentou que o Julio é muito bom em informática mas poderia ter o processo acelerado se não ficasse desperdiçando o tempo em joguinhos durante a aula. Coisas de adolescentes... Depois que eles terminarem estes exames, estudarão outros tópicos como programação, criação de websites, gráficos, etc. Achei o processo bem profissional e riquíssimo para o curriculum dele.

A Ana conseguiu um "job offer" de um café bem legal chamado Wishbone para trabalhar como atendente. Chegou a fazer um teste trabalhando lá por 2 horas e obviamente eu fui conferir, me passando por uma cliente qualquer. A nossa Pimentinha parecia uma kiwi, lindinha de roupinha preta, rabinho de cavalo e falando em inglês com os clientes. Eu não tinha divulgado isso ainda aqui porque na verdade, a contratação dela depende do visto. Ela levou toda a documentação da empresa no setor de imigração, que inclui diversos anúncios que a empresa fez para provar que não conseguiu um neozelandês para a vaga. O pessoal da imigração informou que ela teria que deixar a documentação e o processo levará cerca de 1 mês pois eles também precisarão tentar achar um kiwi para a vaga, antes de dá-la para um estrangeiro. O problema é que a empresa só segurará a vaga até dia 15 deste mês. Então, ainda não podemos comemorar... :-( Isso é um problema pois para poder se candidatar ao visto a pessoa precisa de um job offer e nenhuma empresa fará um se tiver que esperar por 1 mês para poder ter a pessoa trabalhando. Realmente é desanimador... Por outro lado as lojas, cafés e mercados estão cheias de cartazes procurando pessoas para trabalhar. Dá para entender?

A Leninha, minha amiga casada com um alemão que veio fazer mestrado aqui, veio com visto de trabalho, já entregou seu CV em vários lugares e até agora não recebeu nenhuma ligação. Parece que as empresas aqui realmente tem muito preconceito em contratar estrangeiros para este tipo de vaga.

Então, vamos continuar na torcida e espero que logo, logo eu possa colocar aqui a foto da Pimenta atendendo os clientes na Wishbone e de preferência uma do nosso Felipão também trabalhando em um lugar legal.

Cadeiras de rodas no ônibus

Oi pessoal!

Lembra que eu comentei com vocês anteriormente que eu achava muito legal a estrutura que a cidade de Wellington tem para atender as pessoas que andam em cadeira de rodas? Pois é, mas uma curiosidade ainda me intrigava. Eu via que os ônibus tinham um lugar especial para estas pessoas mas eu não sabia como elas subiriam no ônibus. Na última quinta-feira eu descobri. O motorista desce do ônibus, baixa manualmente uma rampinha na porta, ajuda o passageiro a se acomodar, fecha a rampa e só então continua a viagem. Na descida é a mesma coisa.

Quem conhece o sistema de tubos de Curitiba pode estar pensando que o esquema aqui é muito atrasado. De fato é bem menos moderno que o de Curitiba. A diferença é que aqui o passageiro desce do ônibus e consegue andar por toda a cidade, entrar nas lojas, cafés, etc. Já em Curitiba, apesar do super moderno sistema, o passageiro não vai muito longe pois as calçadas não estão preparadas para atender quem não anda com as duas pernas. Não é muita hipocrisia? Mas ainda sim é muito bonito de falar sobre o ligeirinho e a preocupação em atender o deficiente físico. Piada...

Quando eu estive nos parques da Disney e vi tanta gente andando prá lá e para cá de cadeiras de rodas, eu na minha santa ignorância fiquei pensando nos motivos para ter tanto deficiente físico nos EUA. Muito mais que no Brasil, pensei eu. Obviamente não precisei refletir muito para chegar à conclusão que a única diferença é que lá os deficientes físicos podem sair de casa e ir aos parques, portanto podemos vê-los. Já no Brasil não é que existam menos, é que nós não os vemos nas ruas já que eles têm muita dificuldade para sair de casa.

Domingo, 1 de Abril de 2007

Fazendo uma comida bem brasileira na NZ

Quando decidimos vir para a Nova Zelândia, fiz várias pesquisas sobre o país. Uma delas obviamente foi sobre a alimentação. Em várias comunidades do Orkut vi o pessoal se queixando da falta de um feijãozinho e um pão de queijo.

Depois deste tempo vivendo aqui, concluo que quem passa vontade dessas coisas ou é porque não sabe procurar, ou é porque tem preguiça de cozinhar. Apesar de não ter a mesma variedade de opções que temos no Brasil, nos mercados neozelandeses é possível encontrar praticamente tudo que precisamos para fazermos uma comidinha bem brasileira em casa. A única coisa que não encontrei até hoje foi o nosso requeijão cremoso. Aqui tem cream cheese mas não é a mesma coisa. Outra reclamação que eu tenho é com relação à variedade dos iogurtes que é muito menor que no Brasil.

Então, para os interessados, vai umas dicas: feijão preto se encontra no mercado New World perto Te Papa; o polvilho para o pão de queijo a gente compra nas lojas FoodVille com o nome Tapioca Flour. Se alguém precisar da receita, me manda um email: jeaninealmeida@yahoo.com.

Segue a prova para confirmar o que eu disse:




Alguém quer um prato mais brasileiro do que este: feijão preto com arroz, salada e carne?



E olha aí um pãozinho de queijo delicioso e crocante que nós brasileiros amamos! A combinação do pãozinho brasileiro com estes cafés cremosos e deliciosos servidos aqui na Nova Zelândia, fica perfeita!
Também estava errada a informação de que aqui não tem os produtos para cabelos que nós mulheres costumamos usar no Brasil. Li até que seria difícil encontrar modelador de cachos. Baseada nessa informação, trouxe diversos tubos de shampoos e condicionadores. Usei espaço da minha mala à toa e perdi dinheiro. Além do fato de que aqui tem uma grande variedade destes produtos, ainda o preço é mais baixo que no Brasil.