Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Diferenças culturais

Quando eu comentei com o Andreas esta semana, sobre mais um email que recebi de um brasileiro precisando esclarecer dúvidas sobre a vida aqui na Nova Zelândia, o Andreas me recomendou que eu alertasse as pessoas para as diferenças culturais.

Bem, eu não faço a menor idéia de como alguém poderá se preparar para isso, mas posso tentar descrever as principais diferenças que vivemos aqui. Só que isso dentro de um contexto bem específico: um casal de curitiba trabalhando na área de TI.

A dificuldade está no fato que não dá para fazer uma comparação linear. Não dá para dizer que este país é melhor nisso ou naquilo e tudo depende do ponto de vista de cada um. Já me disseram que eu "viajei na maionese" quando comparei Auckland com São Paulo, por exemplo. Obviamente eu sei que São Paulo é muito maior e tem muitos mais problemas, mas eu quis dizer que Auckland é a "São Paulo" do Brasil que para mim é a pior cidade do nosso país para quem quer qualidade de vida. Você paulistano que está lendo, por favor, não se revolte. Esta é apenas a minha opinião. E não me venha com aquele argumento de que São Paulo é melhor porque,você pode, por exemplo, pedir comida tailandesa às 3h da manhã. Uma paulistana uma vez me disse isso e eu fiquei pensando cá com meus botões: quando é que eu vou querer comer comida tailandesa às 3 da manhã?! Se qualidade de vida para você significa serviços 24 horas, fuja da Nova Zelândia. Um dia desses meu colega Mateus comentou que mesmo em Auckland, durante o final de semana, ele não conseguiu achar uma farmácia aberta durante a madrugada para comprar um antibiótico.

Eu considero que Wellington fornece tudo que nós precisamos. Aliás, eu acho que às vezes ter menos opções de escolha diminui a ansiedade e o stress na hora de optar. Aqui em Wellington só faltaria mesmo um lugar que vendesse café Melitta e Nescau ;-)

Lembra que eu comentei aqui no blog que os kiwis eram meio porquinhos? Pois é, já não sei mais se é isso mesmo. Fui na casa de uma kiwi que trabalha comigo e tudo estava bem organizado e limpo. A dificuldade é a seguinte: aqui neste país, ao contrário do Brasil, você não pode identificar o padrão cultural de uma pessoa pelos bens que ela possui seja casa, carro ou iPOD. Por que aqui quase todos tem casa boa, carro conservado e um iPOD ultra moderno. Mas isso não significa que esta pessoa teve uma boa educação. Então, você pode entrar em uma casa linda por fora e levar um choque quando ver a bagunça por dentro. Então, demora bem mais tempo para a gente conseguir identificar quem tem um padrão cultural parecido com o nosso.

Enquanto muitas mulheres, até as mais jovens, ainda guardam dinheiro no sutiã, a principal empresa de telefonia do país está implantando um sistema com o que há de mais moderno e interessante no mercado, segundo um colega meu que trabalha na Alcatel. Parece que a modernidade está chegando muito rápido para um povo que recentemente saiu do campo. Então, mesmo dentro das empresas mais modernas, existem pessoas mais rústicas e que tem um comportamento que aos nossos olhos parece ainda meio rudimentar. Então, nas empresas que trabalhamos até agora, parece que as regras não são bem claras, os processos não são bem definidos e muito menos os papéis das pessoas. Um gerente quer ser mais importante que o outro e ninguém consegue tomar decisões. É como se fosse tudo meio "caseiro" ainda. Com isso obviamente acabam existindo muitos conflitos mas que não são explícitos, uma vez que o neozelandês não é de dizer o que pensa. A vantagem é que eles não muito educados e a desvantagem é que você nunca sabe o que realmente está acontecendo, principalmente porque ainda não sabemos "ler" as pessoas através do comportamento, dos "sinais", das "deixas", como fazíamos no Brasil e que levamos uma vida inteira para aprender.

Então, dentro desta realidade empresarial, já vimos 3 casos de profissionais que atrapalham o andamento dos projetos, por serem centralizadores, não aceitarem compartilhar informações com outros, provavelmente por medo de perder o emprego. Claro que este tipo de comportamento é de um profissional extremamente inseguro e que está tão cego e mergulhado na empresa que trabalha por anos a fio, que não consegue enxergar que o país está cheio de ofertas de empregos e com escassez de profissionais. Aliás, os 3 casos que citei, são de pessoas que estão há mais de 10 anos na mesma empresa, algo muito comum aqui na Nova Zelândia. Outra coisa que assusta é o quanto as coisas aqui demoram para acontecer. Projetos que no Brasil seriam de semanas, aqui são de meses. Talvez justamente pela falta de pessoas para fazer o trabalho e também porque as pessoas não trabalham mais do que 8 h por dia.

Mas aí eu me pergunto: se o ambiente profissional aqui está tão atrasado, se falta mão-de-obra especializada, com toda esta lentidão para as coisas acontecerem, se o povo não é nem de falar o que pensa, como é que as coisas aqui funcionam tão bem?!

Aqui tudo é desburocratizado e muito simples (seria este o segredo?). Mas o fato é que eles podem se dar a este luxo pois aqui ainda existe honestidade. Então, eu posso alugar um apartamento em 10 minutos sem apresentar nenhum documento, posso pedir para o cara do supermercado deixar as compras na porta da casa quando não tem ninguém lá para recebê-las, posso conseguir o código do alarme da casa, que foi esquecido e disparou, apenas ligando para a imobiliária e dando meu endereço, posso pedir a senha da minha conta bancária, que foi esquecida, apenas indo na agência e pedindo para ver a senha na tela do computador, posso deixar a chave de casa na caixinha do correio para o técnico ir dar uma olhada na máquina de lavar louça que estragou e tantas outras coisas. É inacreditavelmente incrível o quanto a vida é simplificada quando não precisamos nos preocupar em nos proteger dos outros.

A grande maioria das pessoas sai do trabalho antes das 17h por acreditarem que a família vem em primeiro lugar. Os pais dividem igualmente as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos. Tem várias mulheres que conheci aqui que trabalham e o marido fica em casa cuidando das crianças. Por outro lado, para quem se preocupa tanto com a família, é muito estranho ver como os jovens saem muito cedo de casa para morarem sozinhos, inclusive com ajuda financeira do governo. O Julio foi na casa de uma menina de 15 anos que mora sozinha aqui no centro. Eu acho que este estilo de vida explica tantos jovens saindo bêbados dos bares da Cortenay Place.

Ter uma empregada doméstica ou ir à manicure, cabelereiro toda semana, é um luxo ao qual a maioria das pessoas aqui não pode se dar, pois é muito caro. Só para dar uma idéia: consulta em um clínico geral: NZ$65, pedicure: NZ$40, corte de cabelo: NZ$85. Mas por que isso acontece? Porque estes serviços são valorizados tanto quanto outros. Porque a diferença entre os maiores e os menores salários não é astronômica como no Brasil. Porque aqui tem tanto emprego, que é possível escolher com o que se quer trabalhar (estou falando de residentes ou de pessoas que tem visto). Porque aqui o mundo é mais justo.

A consequência disso é que muitos jovens perdem o interesse de ir para a universidade. Aliás, fiquei sabendo que os kiwis podem trabalhar na Inglaterra até completarem 29 anos. Isso estimula muitos jovens a aproveitarem esta fase para passar uma temporada na Europa. Depois, acabam voltando para cá para formar família e, independente do trabalho que conseguirem, sempre terão uma vida confortável. Então, para que "perder" tempo com faculdade? Obviamente que isso não é bom pois vai diminuindo o nível cultural da população. Por outro lado, eles não vão para a universidade por opção, o que é bem mais justo do que no Brasil que as pessoas não vão para a universidade por que precisam trabalhar ou porque não podem pagar uma universidade privada ou ainda porque não podem pagar um cursinho para passarem no vestibular de uma pública. Vale dizer também, que o nível de muitas universidades brasileiras e do ensino básico, também não contribui para fazer do Brasil um país de pessoas com mais cultura.

Um outro motivo que contribui para os kiwis não fazerem curso superior, é que aqui as universidades só oferecem cursos de graduação durante o dia. Então, eles ficam até espantados quando a gente comenta que no Brasil muitas pessoas trabalham o dia todo e à noite ainda vão para a faculdade. O que, cá entre nós, é realmente muito cansativo e não permite que o estudante aprenda tudo que deveria aprender. No final das contas o mercado fica cheio de profissionais fracos.

No país onde você pode comprar um bom carro pela bagatela de 1.000 dólares mas precisa pagar o absurdo de 8 dólares por 1Kg de tomate, as coisas são muito organizadas e não existe muito stress. Não tem serviços 24 horas, as lojas fecham às 17:30, não tem grandes boates para se ir e os ingressos para qualquer show que venha a ter, esgotam rapidamente. Mas tem muita opção de bar, café, restaurantes e cinemas. Em Wellington, por exemplo, tem tanto restaurante e café, que se você for em um diferente a cada dia, você não consegue conhecer todos em 1 ano. Nesta cidade de 300 mil habitantes tem pelo menos uns 8 cinemas grandes, cada um com diversas salas. Falando em cinema, é engraçado pois às vezes os filmes estréiam antes aqui e outras vezes estréiam antes no Brasil. Não sei qual é a lógica disso.

Aqui também tem muita opção de turismo, mas é importante dizer que não é nada barato viajar pelo país. Os hotéis são caros, as diversões são caras, a travessia do ferry para a ilha sul é cara, os aluguéis de carros também não são baratos. Mas, como a gasolina tem um preço acessível, não existe pedágio e as estradas são bem conservadas, sempre existe a opção de viajar de barracas. Entretanto, mesmo para ficar em camping, é importante reservar antes pois o pessoal aqui viaja muito! Claro, eles podem já que tem dinheiro, tempo, segurança e uma estrutura excelente para viajar para qualquer canto do país. Por estrutura me refiro a conservação e boa sinalização das estradas, trens, passagens aéreas baratas, centros de turismo em cada cidade um pouquinho maior, que dão orientação, oferecem mapas e guias gratuitos, bons hotéis e campings, etc. O casal dono da empresa para qual trabalho, ele escocês, ela sueca, que vivem aqui há 20 anos e são muito bem sucedidos, sempre viaja no final do ano com os dois filhos, com um motorhome, que dá a eles muita liberdade de locomoção. Para nós que adoramos viajar, isso é sensacional. Só não podemos curtir o turismo por aqui este ano porque ainda estamos pagando contas do Brasil e as despesas com a mudança :-(

Uma propaganda meio enganosa sobre a NZ é que é é o país dos esportes radicais. Eu não conheço ninguém, até agora, que os pratique. Acho que isso é mais para turistas de outros países porque é muito caro e não parece encantar os neozelandeses. Pelo menos não os que eu conheço.

Apesar dos neozelandeses ainda terem um pouco de discriminação com relação aos estrangeiros, a gente percebe que existe um sentimento neles de inferioridade, principalmente com relação à Inglaterra e à Austrália. Por isso a grande maioria dos jovens faz questão de pelo menos passar uma temporada fora daqui para conhecer estes países. Acho que eles mesmos se sentem meio que vivendo no campo aqui pelo fato de ser muito pequeno e com pouca gente.

Falando nisso é realmente interessante pois a população é tão pequena que a gente vive esbarrando em conhecidos aqui pelo centro, onde a maioria trabalha. No ônibus a gente vê sempre os mesmos rostos que já parecem velhos conhecidos.

Resumindo, as diferenças são grandes e a adaptação pode ser difícil. Afinal, os brasileiros vêm para cá com costumes muito diferentes. E demora muito para entender o novo mecanismo de funcionamento das coisas e das pessoas. O jeito que enxergamos as coisas precisa mudar. Mas é muito importante que a gente não se esqueça que nós escolhemos a Nova Zelândia quando decidimos vir morar aqui, mas a Nova Zelândia também nos escolheu quando nos deu o visto. Porque este país precisa dos imigrantes qualificados. Então, a gente respeita a cultura deles e colhe o que tiver de melhor, mas também não precisamos deixar de usar o que de bom aprendemos em nosso país.

A Nova Zelândia têm acolhido pessoas de muitos países diferentes. E, salvo exceções, são pessoas boas buscando uma vida melhor que não puderam ter em seu país de origem. E a influência destes povos faz com que este país mude muito rapidamente. E espero que sempre para melhor.

Diante de todo este cenário, ficou claro como é difícil explicar as diferenças?

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Churrasco brasileiro 2

Para quem estranhou que eu não atualizei o blog neste final de semana, adianto que tive um bom motivo. É que no sábado fizemos um churrasco aqui em casa e acabei exagerando no vinho... :-( e passei o domingo, junto com o Andreas e o Felipe, curtindo uma ressaca...



Ao lado a minha linda amiga Leninha e meu filhão.


Obviamente não fui só exagerei, pois começamos às 6 da tarde e o último convidado ficou até as 3 da madruga!







Para variar estava tudo uma delícia: a comida, o papo, a música e desta vez até o clima estava melhor pois não estava ventando.


A Cristina trouxe uma farofa maravilhosa!!! (Preciso confessar que acabei comendo um pouco da farofa no café da manhã de domingo - quer mania mais brasileira?!)


Na foto ao lado, a Cristina ao meu lado, e a Angela e a Leninha.













A casa ficou cheia, do jeito que a gente gosta. E aqui na Nova Zelândia, dá para repetir o churrasco sempre, pois fazemos ao estilo kiwi: cada um traz a sua carne e sua bebida.



Me dei conta que a nossa vida social aqui é mais agitada e animada que era no Brasil. E é incrível como a gente acaba se unindo e se apegando aos nossos conterrâneos quando estamos longe da nossa terrinha.



O que também fez um ENORME sucesso foi a torta de chocolate que a Andréa trouxe. Nem sobrou para eu provar... :-( Também, olha aí ao lado: O Camilo não teve dúvidas, lambeu o prato!!!





Aqui estamos assistindo um vídeo de turismo no Brasil que a Cristina trouxe. Bem, foi uma gargalhada só quando a pessoa que apresenta o vídeo diz que o Brasil é um país seguro...




Ao lado de camisa xadrez, o amigo kiwi do Andreas, chamado Mike.





Na foto abaixo apresento o Gustavo, brasileiro que atualmente mora em Hamilton e o Guilhermo, nosso vizinho espanhol que por sinal é casado com uma francesa.














Aqui a prova sobre o que meia duzia de cervejas pode fazer: O Andreas e o Zé (marido da Cristina) esqueceram as divergências sobre o Brasil e relaxaram para aproveitar a festa...;-)







Olha um alemão tremendo de frio na Nova Zelândia!!! Este é o Timo o marido da Leninha.
Guilherme e Ana batendo aquele papo!
Aqui, depois de ter tomado muito vinho e algumas cervejas, não tive dúvida: coloquei o cd do "Só para contrariar" e tirei o espanhol para dançar!!!
Acho que contrariei mesmo pois a partir daí o pessoal começou a ir embora...









Ao lado além dos já conhecidos, Camila, amiguinha do Julio.






Como vocês podem perceber, a piada que a Cristina contou era mesmo muito boa.








Espero que a Daphne não fique com ciúmes mas eu também tirei o Guilherme para dançar um pagodinho. Ele protestou bastante, ficou repetindo o quanto odiava pagode mas, como sempre, foi um gentleman e optou por não contrariar a dona da casa... ;-)


Enfim, mais uma vez, curtimos o nosso encontro e ainda não chegamos à uma conclusão sobre como salvar o Brasil. Sendo assim, teremos que repetir o evento mais uma porção de vezes.

Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Coisas da Nova Zelândia

Domingo, quando estávamos na casa da Cristina e do Zé, ele nos contou um fato que aconteceu com ele aqui em Wellignton, que eu preciso compartilhar com vocês.

Ele contou que estava passeando pela cidade e sacou 50 dólares em um caixa eletrônico. Só foi perceber que esqueceu o dinheiro no caixa, quando já estava no mercado. Ele optou por não comentar isso com ninguém pois se sentiu até envergonhado com a situação.

Pois bem, na semana seguinte ligaram do banco para a Cristina perguntando se ela teria sacado este dinheiro neste caixa específico. Ela disse que não, mas comentou que poderia ter sido o seu marido. Então ligaram para ele e depois que ele confirmou o acontecido, informaram que o dinheiro estava disponível para ele ir buscar no banco.

O que aconteceu foi que a pessoa que usou o caixa depois do Zé, viu o dinheiro, levou no banco e relatou o ocorrido. Eles pesquisaram a transação bancária anterior a deste cliente e descobriram que era a conta da Cristina e do Zé.

Dá pra acreditar? Só aqui mesmo neste país...

Domingo, 13 de Maio de 2007

Julio Neozelandês

Para quem tá com saudades...




Feijoada no dia das mães

Hoje fomos almoçar na Cristina para comemorarmos o dia das mães. Ela nos convidou para uma feijoada depois de eu ter comentado com ela que o Felipe andava com vontade de uma feijoadinha.

Tudo estava uma delícia! E alguns ingredientes precisaram ser improvisados pois não existem por aqui. O charque foi feito por Zé, marido da Cristina. Ele salgou a carne alguns dias atrás para o nosso almoço.





Aqui não existe couve, mas a Cristina utilizou as folhas do Brócolis para fazer um refogado substituto. E se ela não tivesse comentado, nós jamais perceberíamos pois tanto a aparência, quanto o sabor eram de couve. Olha que mesa farta e bem brasileira!











Olha o Julio com o novo corte de cabelo bem neozelandês.

Aqui nesta foto, o filho e o sobrinho da Cristina.










O Zé e o Vinicius







Aí o Zé e o Andreas, que estava saboreando uma caipiroska.

Para fechar com chave de ouro, nada como tomar um cafezinho bem brasileiro! E por coincidência era da mesma marca que eu costumava usar no Brasil: Melitta. Que delícia!

Ao lado a Cristina e eu, que depois do churrasco assistimos a um DVD do grupo Só para Contrariar, apesar dos protestos do Andreas.

Enfim, foi um dia muito gostoso, e deu para matar um pouquinho da saudade de coisas que adoramos do Brasil.

Carro novo






Depois de terem trabalhado por 3 semanas no mercado, o Felipe e a Pimentinha puderam comprar o seu primeiro carro.

Dá para acreditar um carro desses, Mitsubishi, 2.0, automático, ar condicionado, vidros elétricos, até com bússola eletrônica, por 2.500 dólares?!

Enfim, os dois estavam super faceiros e animados devido à nova aquisição.

Dêem uma olhada no carro e vejam se eles não tem razão.

Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

Enquanto isso, no Brasil...

Ontem eu ni no Globo uma noticia de um jornalista que denunciou aliciamento de menores em Porto Ferreiro, na região de Sorocaba, e foi assassinado. O esquema de aliciamento envolvia quatro empresários, cinco vereadores e um garçom e a denúncia foi feita em 2003. O garçom é o único que permanece preso. Os outros estão em liberdade. Um desses vereadores, mesmo quando estava preso, foi um dos mais votados em 2004. Confiram:
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/05/06/295644075.asp

Achei esta notícia interessante pois resume diversas feridas do nosso país: violência, terror, corrupção, prostituição infantil, impunidade e ignorância.

Outra notícia de revanche foi a de um juiz cuja família, mulher e filhos, foi assassinada. O juiz tinha sido ameaçado pelo crime organizado por causa das suas sentenças. Confiram:
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/02/12/294535773.asp

No nosso churrasco de sábado, o Guilherme comentou que às vezes se sente egoísta por não ter ficado no Brasil e tentar mudar a stuação. Esta notícia nos transmite a mensagem de que não dá para tentar mudar o país sem correr o risco de perder sua família ou a própria vida. Os que acham que eu estou exagerando deveriam ler mais o jornal para acordar para a realidade.

Que país é esse?!

Nova Zelândia – oficialmente o quarto melhor lugar do mundo para as mamães

Além da Nova Zelândia estar entre os quatro países com menos corrupção no mundo, este país também está entre os 4 que oferecem melhores condições de vida para as mães., conforme o relatório “Save the Children's annual State of the World's Mothers” liberado hoje de uma organização americana.

A pesquisa foi feita em 140 países e considerou como critérios, saúde, educação e status econômico. Isso inclui mortalidade maternal, uso de contraceptivos, licença maternidade e outros.

Os primeiros lugares ficaram com: Suécia, Islândia e Noruega. A Nova Zelândia ficou especialmente bem colocada em expectativa de vida da mulher (82 anos), percentual de mulheres que usam contraceptivos modernos (72%) e no topo para o número de anos de educação formal (21 anos).

A taxa de mortalidade infantil é de 6 por 1000, colocando a Nova Zelândia em uma posição melhor que a Austrália, o Canadá e os Estados Unidos mas pior que Inglaterra Japão e países escandivavos. Só para vocês saberem, o Brasil tem uma taxa de mortalidade infantil de 33 por 1000...

Quem estiver interessado, pode consultar o site: http://www.savethechildren.org/

Sábado, 5 de Maio de 2007

Churrasco bem brasileiro no Churton Park




Hoje tivemos um churrasco muito gostoso só com brasileiros aqui em casa.
Vieram: Leninha e Timo, Douglas e Katarina, Camilo e Angela, Guilherme, Roberta e nós da casa.

O Camilo, como gaucho, tomou conta da churrasqueira. Ainda bem pois este não é um dos fortes do Andreas...

Foi muito legal, queria que tivesse durado mais. Todos queriam falar ao mesmo tempo, compartilhar o que tem vivido aqui, compartilhar as frustrações, desejos, sonhos, angústias, mas em uma mesma língua, em que todos os presentes eram capazes de entender.

É muito gostoso estar com pessoas que sabem sobre o que você está falando, quando comenta da angústia que sente quando pensa na família que deixou para trás, quando pensa na dificuldade em voltar, quando comenta sobre o que sente falta ou do que foge.

Alguns falaram que nunca, jamais desejam voltar, outros falaram do quanto sentem falta do país amado.

Não houve um consenso e eu nem esperava por isso. Sei que todos aqui estamos em um grande dilema entre esta nova realidade que vivemos e tudo que deixamos no nosso passado.

Comentamos que é muito comum esquecermos apenas do que é ruim e sentirmos falta apenas do que é bom da nossa terra.

Também comentamos o quanto este país é "universal" pois aqui existem pessoas de diversos países mas cada um ainda dentro da sua cultura, o que permite para os mais "abertos", aprender a expandir a visão sobre o mundo, procurando entender como cada cultura enxerga o mundo de maneira diferente.

No nosso churrasco tivemos maionese e arroz bem brasileiro, filézinho, e até uma carne que parecia com picanha.


Também tomamos cerveja e muito vinho neozelandês. Ouvimos Simone, Zelia Duncan, Tom Jobim e Marcelo D2 para matarmos as saudades da música brasileira, que eu ainda considero a melhor do mundo!



















Leninha e eu sentindo o vento e o frio de Wellington no nosso caloroso encontro.

Terça-feira, 1 de Maio de 2007

WOF

Aqui na Nova Zelândia existem umas medidas de segurança bem interessantes para evitar acidentes de carro. Uma delas é a exigência de renovar o que eles chamam de WOF, a cada 6 meses para carros mais velhos e a cada 1 ano para carro mais novos. Para renová-lo, é necessário submeter o carro a uma avaliação mecânica e pagar pelo concerto dos itens que o mecânico considera importantes para a segurança.

Com isso, os carros que rodam pelo país, mesmo os mais antigos, estão dentro da manutenção que evita acidentes.

Isso é um procedimento fácil de se implantar e, na minha opinião, muito útil. Mas o funcionamento deste esquema depende muito da integridade do mecânico que não pode se aproveitar da situação para recomendar serviços desnecessários e nem para afrouxar a exigência de serviços realmente indispensáveis.

Medicina na Nova Zelândia

Algumas pessoas tinham comentado comigo que a área de medicina é meio atrasada aqui, em relação ao Brasil.

Uma kiwi comentou comigo que teve septicemia quando fez uma cesárea há uns 6 anos atrás. Ela também me disse que aqui os médicos obstetras não são cirurgiões, portanto se a mulher precisar de uma cesárea, não será ele que vai operá-la. No caso dessa kiwi, na hora de dar a luz não tinha nenhum cirurgião disponível o que obrigou o obstetra a improvisar uma cesariana. O resultado obviamente foi que ela ficou com uma cicatriz horrível. Outro comentário que esta kiwi fez que me deixou estarrecida foi que aqui se considera que amamentação é uma prática ultrapassada.

Uma amiga comentou que o marido foi ao hospital com dores de cabeça e, apesar de todos os sintomas indicarem ao contrário, os médicos insistiam em colher o líquido da espinha para eliminar a possibilidade de meningite. Além do procedimento ser doloroso, para fazê-lo o paciente precisaria ser internado e gastaria alguns mil dólares. Ao se recusar fazer o procedimento, ele precisou assinar uma declaração dizendo que se morresse o hospital não poderia ser responsabilizado. Ao chegar em casa, eles optaram em ligar para o Brasil e fazer uma consulta por telefone com um médico amigo da família, que rapidamente identificou o problema como sendo sinusite.

Semana passada eu pude fazer uma pequena e inicial avaliação dos médicos daqui. Meu ouvido, além de estar totalmente tampado, estava doendo. O meu primeiro problema foi que eu não pude ir a um otorrino. Aqui você primeiro precisa passar pelo clínico geral que decidirá se você será ou não encaminhada a um especialista, já que eles tem carência destes profissionais e inclusive me disseram que é necessário entrar em uma fila de espera para ser atendido por eles. Então, os clínicos gerais fazem esta “triagem” inicial. Paguei NZ$65 pela consulta, o que até não me pareceu tão caro considerando que paguei o mesmo valor por um corte de cabelo e pagaria mais ou menos isso para fazer pé e mão no salão. O consultório era bem simples e a doutora demorou um pouco para achar aquele aparelhinho para olhar dentro do ouvido. Primeiro ela saiu da sala para procurar e depois ela voltou e achou-o perdido nas gavetas dela. Ela diagnosticou meu problema como uma infecção e me deu um remedinho para pingar e antibióticos por 7 dias. Isso não foi nenhuma surpresa para mim. Passados 5 dias, como meu ouvido continua tampado, eu pensei em voltar lá. Entretanto, acabei desistindo da idéia quando descobri que terei que pagar novamente... Aqui é assim, não importa se o seu problema foi ou não resolvido. Precisando revisitar o médico, você terá que pagar novamente.

Obviamente que não posso chegar à nenhuma conclusão definitiva sobre a área de medicina na NZ, apenas através desta simples experiência. Mas posso dizer que começou mal. E posso acrescentar que passei a ficar morrendo de medo que algum de nós precise de algum atendimento médico mais grave.