terça-feira, 5 de abril de 2011

O casamento do meu filho Felipe

 

Aconteceu em algum dia do mês de setembro de 1983, há mais de 27 anos, mas para mim, parece que foi ontem. Eu tinha apenas 16 anos quando abri a porta do meu guarda-roupa e vi aquele círculo bem marcado, indicando um resultado positivo no meu teste de gravidez. Estava tocando a música “Brincar de viver” no rádio. Eu fui até a janela e vi um passarinho sair do telhado e voar para longe. Não sei porque, mas aquela cena fez eu acreditar que tudo iria ficar bem. E ficou.

Desde então esta música passou a ser a nossa música. Sempre que eu a escuto eu lembro daquele momento que mudou a minha vida para sempre.

Nem posso acreditar que aquele bebê lindo, que nasceu com 4,150kg, que as enfermeiras apelidaram de “Príncipe do Berçario”, que eu animei nos meus braços para amamentar durante 9 meses,  que eu mordi a barriguinha para arrancar gargalhadas gostosas, de quem eu troquei tantas fraldas,  hoje é um homem. O Felipe sempre foi um menino muito alegre, que acordava cedo e se vestia rapidinho para ir correndo para a casa da amiguinha Paula, filha da nossa vizinha. Saía com os cachinhos dourados ainda amassados, esfregando os olhos, mal tendo terminado o sanduíche. Adorava brincar e sempre aprendia tudo muito rápido. No tempo em que eu só trabalhava ou estudava no período da tarde, ele sempre me acordava cedinho para assistirmos juntos, tomando nescau e comendo bolacha, os desenhos do programa da Xuxa. Adorávamos assistir Thunder cats e A caverna do Dragão. O Felipe também curtia assistir Jaspion e vivia pulando pelo apartamento com a fantasia do herói. Nunca me esqueço de um Natal em que eu até chorei de emoção ao ver a alegria dele ao ganhar todos os bonecos do “Comandos em ação”, que antes eram do meu irmão. Eu embrulhei cada um deles separadamente, e o Felipe sabia que eram usados, mas ele literalmente dava pulinhos de alegria a cada um dos pacotes que abria. Fiquei pensando em quanto era fácil fazer o Felipe feliz. Não me surpreende o sucesso na profissão que escolheu depois que mudou aqui para a Nova Zelândia pois ele sempre foi muito bom em ciências exatas, o que contribuiu para que fosse um grande negociador. Aprendeu rápido o valor do dinheiro e vivia fazendo negócios com os amiguinhos. Foi sempre uma criança muito fácil, disposta, e que nunca reclamava de nada. Hoje adulto, continua sendo uma pessoa fácil de se lidar, sempre agradável, com muita disposição e determinação. O sucesso é algo inevitável na vida dele.

Ter um filho tão cedo nunca me impediu de continuar  caminhando em busca dos meus objetivos. Não vou dizer que foi sempre fácil,  mas meu filho  sempre representou para mim uma motivação para continuar meus estudos para poder dar a ele todo conforto e suporte que ele merecia e que eu tive dos meus pais.

O Felipe foi meu companheiro de viagem. Nasceu quando eu ainda era uma menina e estava presente enquanto eu fazia trabalhos ou me escabelava para estudar para as provas das duas faculdades que eu fazia em paralelo, ou quando eu reclamava do meu emprego, ou ainda quando eu ficava horas fazendo contas para tentar achar uma forma de sair do vermelho no nosso orçamento, me acompanhava nos churrascos e festinhas que eu fui, nas viagens, nas mudanças de casas e cidade, e em tantos outros desafios que foram surgindo pelo caminho. E quando eu estava cansada ou desanimada, bastava eu ganhar um sorriso ou um abraço gostoso vindo dele, que tudo parecia mais fácil. Nós crescemos juntos em muitas coisas e sempre que ouço aquela música Rock and roll lullaby eu me emociono pois me lembra a minha história com o Felipe. Esta música diz assim: “She was just sixteen and all alone, when I came to be, and we grew up together, my mama child and me…”. Mas é importante dizer que a minha história não é tão triste quanto a da música pois eu não estava sozinha. Eu tive muito apoio dos meus pais, principalmente no primeiro ano de vida do Felipe.

E esse meu menino, que ontem eu carregava prá cima e prá baixo no “bebê carona”, toda orgulhosa de ter um filho tão lindo,  se casou este ano com alguém que já há bastante tempo faz parte da família, a Anabel. Eles parecem ter sido feitos um para o outro e se complementam nas diferenças. Assim, fiquei muito feliz com esta união, que começou há 8 anos atrás, e que foi oficializada em janeiro deste ano em uma bonita cerimônia no restaurante Toscana em Curitiba. E eu não preciso dizer qual foi a música que a Anabel escolheu para a entrada do Felipe comigo na cerimônia. Imagina a minha emoção!

Outro momento emocionante da festa foi quando meu filho Julio cantou e tocou com a banda contratada para a festa, a música "Bridget Over Troubled water, como uma homenagem aos noivos.

O casal criou um website onde eles contam a história deles e compartilham muitas fotos com os amigos e a família. O endereço do website, muito bacana por sinal, é:

www.anabelefelipe.com

Aliás, desde o convite de casamento até a cerimônia, tudo foi muito creativo e diferente.

Vejam a caricatura feita para o convite. Reparem que a representação do globo mostra dois países: a Nova Zelândia e o Brasil. E os noivos paraquedistas estão com alguns acessórios do casamento, a gravata, o véu e o bouquet. E o noivo tem ainda no ombro um kiwizinho, passáro símbolo da Nova Zelândia. Não ficou demais?

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Abaixo as fotos de todo o evento, que por sinal, ficaram maravilhosas.

Ensaio no Museu Oscar Niemeyer:

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Preparação da noiva:

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Bolo de casamento:

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Cerimônia:

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A festa:

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Ensaio “Trash the dress”

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E para comemorar este ano tão especial, que meu primeiro filho se casou, eu juntei umas fotos e criei um vídeo só para lembrar a nossa história juntos.

 

11 comments:

Adna disse...

Sem palavras...amei!

Josane Mary disse...

Oi, Jeanine! tudo certinho?
Encontrei o seu blog no “Mundo Pequeno”, e vim fazer uma visitinha! Que tudo esteja 100% com você!
Repido o que foi dito no comentário acima: sem palavras!
E acescento: emocionantíssima história. PARABÉNS!

Também sou expatriada; sai do Brasil em 2000 e fui para os USA estudar na Harvard, onde estudei até 2002. Desde 2003, moro na Holanda - sou casada com um holandes.
O choque cultural existe e acaba sendo benéfico - de uma maneira ou de outra -. Sou da opinão que existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do planeta! Nós é que temos que ressignificá-las à nossa moda!
Será uma alegria se visitar o meu cantinho virtual, que é: http://josanemary.wordpress.com/mevrouw-jane/

E será uma outra alegria, se quiser ler o prefácio do meu livro: Mevrouw Jane (o prefácio não foi feito por mim, mas por um outro escritor, um já reconhecido no mundo literário). Se gostar – ou não - por favor, deixe um comentário; vou adorar ler a sua opinião!

Tenha um ótimo dia!
Grande abraço.
Josane Mary

almeida_gisele disse...

Nossa !!!!Parece que foi ontem que meu anjinho me acordava passando a pontinha do dedinho no meu rosto e falando que me amava para logo em seguida dizer: "Vamos brincar Tia Lele".Espertinho desde pequeno.

Lord disse...

Wonderful! Of anyone present in this story, became indifferent, but which has great affection and always want to see it well! Lots of luck forever.

Jeanine Almeida disse...

Não entendi seu comentário Lord. Poderia se explicar melhor? Quem é você?

Jeanine Almeida disse...

Oi Lele, pois é o tempo passa muito rápido né? E o nosso menino sabia direitinho como conseguir tudo de nós. Na verdade até hoje ele sabe! ;-) Beijos

Jeanine Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jeanine Almeida disse...

Meu pai me mandou um email que me fez dar muita risada:
"Excelente filha! Muito bom o seu blog, narrando a restropectiva sobre sua vida com o Felipe. Realmente é para marcar, mesmo!!!!! É pena que vc esqueceu de citar quando na época dos cabelos com cachinhos, que eu me lembro muito bem, ele era um "fogueteiro", pois vivia estourando bombinhas e tracks, na
rua, no jardim e até na caixa do correio, lembra? Até hoje a caixa está empapuçada."

E isso é pura verdade! Acho que só porque eu sempre tive um medo terrível de fogos, o Felipe adorava bombinhas e um dia exagerou no tamanho da "bombinha" e estorou a caixa de correio do predio do meu pai. E até hoje ela está toda estropiada mesmo, como uma lembrança das artes do Felipe. rsrsrsrsrs

Carla disse...

Só emoção com suas palavras e descrição da história de mãe e filho.
Grande beijo!!

Levy Júnior disse...

Parabens que casamento e pela linda historia. Que Deus abencoe sempre toda sua família.
Abraco,
Levy Junior

Talita Rabello Cezar disse...

Oi Jeanine.
Eu e meu marido estamos acompanhado seu blog há algum tempo...
Parabéns pelo casamento de seu filho.
Estamos desejando nos mudar do Brasil. Cansados desse jeitinho brasileiro... Queremos qualidade de vida para nossa família. Temos três filhos. Um casal de gêmeos, Caio e Júlia que completarão 7 anos em maio e o caçula com 4 anos, Enzo.
Meu marido chegou na NZ dia 21/04 e está em Queenstown. Queremos fazer tudo certinho. Um amigo brasileiro (residente) o recebeu e estará apresentando meu marido para alguns amigos.
Sei que ele saiu daqui com uma quedinha por Dunedin, rsrsrs.
Como ainda não há nada certo, claro que a ansiedade é bem grande mas esperamos que Deus abra uma porta de emprego para ele e que em breve eu possa reencontrá-lo, ai de preferência.
Um grande abraço
Talita
talitarcezar@gmail.com
paulinhofo@gmail.com