quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mudanças com o novo emprego e lembranças do anterior

Pois é, tenho atualizado pouco o blog principalmente porque as minhas primeiras semanas no meu emprego novo não foram nada fáceis. Nos meus últimos empregos eu sempre tinha umas semanas para ir me ambientando até que eu realmente precisasse “arregaçar as mangas”. Mas nesse emprego atual não foi assim. Tive que aprender ao mesmo tempo que assumia responsabilidades, o que me deixava exausta no final do dia. Um emprego novo onde todos falam a sua primeira língua já é um desafio, imagina só como é complicado quando você tem que se adaptar aos diferentes sotaques, memorizar nomes que não são comuns para você, aprender novos assuntos em um segundo idioma a ponto de você não saber se estão falando de alguma coisa que você desconhece ou você não está entendendo o que estão falando... Garanto que não é fácil, mas apesar de todos os desafios, eu estou gostando do meu novo emprego. Tenho me sentido útil, valorizada, tenho uma certa autonomia nos meus projetos e tenho bastante flexibilidade de horários. Descobri que estes fatores são os mais importantes em um emprego para mim. Não me importo se às vezes precisar trabalhar até mais tarde, ou mesmo em algum final de semana, desde que eu possa gerenciar meu tempo e saber quando eu preciso trabalhar mais e quando eu posso chegar mais tarde no trabalho pois não há nada urgente para fazer. Não gosto de desperdiçar meu tempo no trabalho quando não há nada para fazer ou, pior ainda, fingir que estou fazendo alguma coisa. E estando gerenciando um projeto que envolve países de diferentes fusos horários (Australia, NZ e India), ter flexibilidade é bem importante.

A minha experiência no meu emprego anterior foi bem complicada e frustrante. O ambiente do banco era extremamente político e eu dependia de decisões que ninguém queria tomar. Assim, os prazos se arrastavam e era raríssimo ter aquela sensação gostosa de ter atingido algum objetivo do projeto. Enquanto os gerentes estavam nestes jogos políticos eu ficava sem saber o que fazer ou para que lado ir. E honestamente eu sou péssima nestes jogos. Eu gosto mesmo é de objetividade e de saber o que tenho que fazer. Tendo esta segurança eu não poupo energias para conseguir alcançar objetivos. Mas sem isso eu me sinto manipulada, frustrada e a minha auto estima vai por água abaixo. Além disso, apesar de sermos chamados de gerentes de projeto, a nossa função lá era mais de assistente dos gerentes do que qualquer outra coisa já que não existiam nem processos, muito menos ferramentas de gerenciamento de projetos. Foi um ano muito complicado para mim e eu pensei até em mudar de profissão.

Além da frustração profissional, o ambiente também não era agradável de se trabalhar. Os gerentes competiam entre eles e nesta briga eles não tinham como foco o time que reportava para eles. Assim, eles jamais defenderiam alguém da sua equipe se isso não fosse conveniente para eles neste joguinho de poder. Uma vez meu gerente me disse que eu cometi uma falta grave de educação dentro da cultura kiwi. Um dos membros da equipe dele estava saindo da empresa e fizeram uma despedida para ele em uma sala de reunião. Eu cheguei um pouco atrasada e todos estavam em volta da mesa com seus copos de cerveja ou taça de vinho na mão. O rapaz que estava saindo estava discursando. Eu cheguei, me servi de vinho e continuei ouvindo o discurso. E meu gerente me disse que se servir de uma bebida enquando alguém está discursando é considerado uma grande falta de educação na NZ. Quando ele me disse isso eu fiquei muito envergonhada e arrasada. Mas depois, conversando com outros kiwis, todos me disseram que isso era uma tremenda besteira e que meu gerente só me disse isso para fazer com que eu me sentisse mal. Quer dizer, ele se aproveitou desta minha fraqueza de falta de conhecimento da cultura do país para me colocar para baixo. Desde dia em diante eu perdi meu respeito por ele. Um bom gerente é aquele que faz as pessoas do seu time se sentirem bem, motivadas e sabe indentificar as melhores habilidades dos integrantes da sua equipe para designar a cada um as tarefas/projetos em que eles podem se dar melhor. Assim as pessoas se sentem realizadas ao mesmo tempo que ele traz o sucesso para a sua equipe e consequentemente para a empresa que trabalha.

Por outro lado, uma vez ele veio me perguntar o que eu achei de um treinamento que tivemos, que por sinal eu achei uma tremenda perda de tempo e considerei o instrutor um picareta. Mas eu procurei ser bem educada no meu feedback. Eu disse que o instrutor parecia não dominar bem o assunto e que eu tinha achado desagradável quando um dos participantes do treinamento estava fazendo uma apresentação para o instrutor dar feedbacks do que estaria certo e errado, e enquando o participante falava o tal do instrutor estava lendo e respondendo mensagens no celular dele. Meu gerente disse que isso era normal, que poderia acontecer mesmo. Quer dizer: se servir de vinho em uma festinha enquanto alguém fala é algo imperdoável mas um instrutor muito bem pago ficar lendo e respondendo emails enquanto um aluno está se apresentando para ele é totalmente aceitável?!

Mas para falar a verdade o meu gerente era o menor dos meus problemas.Eu acho mesmo que ele era inexperiente em um cargo de gerente mas no fundo era uma boa pessoa. O pior mesmo era ficar no meio de interesses conflitantes entre diversos gerentes e ser prejudicada para justificar a incompetência de outras pessoas.

O mais interessante é que eles tentam melhorar o ambiente. Todas às sextas no final da tarde nós tínhamos um momento de relax para batermos papo enquanto tomávamos vinho, cerveja e beliscávamos alguns aperitivos, uma vez por mês tínhamos o “cake club” quando algumas pessoas traziam bolos e salgadinhos para o café da tarde, tínhamos vários “morning teas”, team meetings para discutir como melhorar as coisas na nossa área, um dia por ano quando trabalhávamos juntos como voluntários e algumas campanhas para melhorar a saúde dos empregados quando assistíamos palestras, participávamos de competições, etc etc, mas nada disso ajudava a fazer as pessoas se sentirem mais felizes no ambiente de trabalho. E eu nem sei explicar porque e nem como eles poderiam mudar isso. É uma pena pois tinha de tudo para ser um lugar excelente para se trabalhar.

A minha colega Janine compartilhava da mesma opinião que eu e todas estas dificuldades atrapalharam até a nossa amizade. Acho que cansamos de ficar reclamando sempre dos mesmos assuntos... E ela era muito menos tolerante do que eu e enfrentava mesmo o gerente falando quase tudo que ela pensava, nem parecia uma kiwi. Eu às vezes tinha até medo do que ela iria dizer e chegava a ficar com pena dele. Mas não porque ela estivesse mentindo ou que ele não merecesse. É que nestes momentos ficava evidente a inexperiência dele. Mas a Janine é uma pessoa muito forte e bem ambiciosa e acredito que em breve ela vai conseguir um cargo importante por lá.

Mas, como tudo na vida, este emprego também deixou algumas poucas boas lembranças. E são estas que eu quero guardar.

Foi muito bacana, por exemplo, o treinamento que fizemos em Melbourne, na Australia. Além do treinamento em si ser legal, foi uma ótima oportunidade para conhecer uma cidade nova.

IMG_0344

Uma outra boa lembrança foi justamente quando o Brasil perdeu a copa para a Holanda. Um dos meus colegas, o Jason, torcia para a Holanda e ficou bem desanimado quando soube que o time dele jogaria contra o Brasil nas quartas de final. Apesar de eu não ser muito fã de futebol e nem ser uma torcedora fanática (torço para que o Brasil vença outras batalhas mais importantes), eu me senti quase que orgulhosa vendo o desânimo dele. Pelo menos neste aspecto meu país era o melhor do mundo. E o orgulho subiu na minha cabeça quando eu fiquei fazendo um monte de brincadeirinhas nos dias que antecederam o jogo. Assim sendo, eu mereci chegar no dia seguinte à derrota do Brasil, e encontrar a minha mesa toda decoradas de laranja. Na verdade eu curti bastante a brincadeira, quase me senti em casa pois parecia brincadeira que brasileiro faz,  e passei o dia usando os apetrechos que o Jason deixou para mim.

  IMG_0136

 IMG_0130 

Outro momento gostoso foi uma festa que fomos após um evento muito bacana promovido pelo PMI (Project Management Institute) da Nova Zelândia. O evento terminou com todos os participantes sendo ensinados a tocar tambor e todos no mesmo ritmo, mostrando a importância do espírito de colaboração da equipe! Todos tinham que acompanhar o líder que ensinava sem falar, só através de gestos enfatizando a importância de uma liderança inspiradora. Foi até emocionante. Infelizmente não tirei fotos deste momento, mas tirei uma foto da Eliane, cantora brasileira que estava cantando bossa nova no evento e outra mais tarde com a Janine na festa que encerrou o evento.

IMG_0217IMG_0208

Tivemos também um passeio nas vinículas na região de Martinborough, perto aqui de Wellington. Fomos de ônibus e a turma organizou muitas brincadeiras pelo caminho. Teve até um joguinho de “tasting” de cerveja em que tínhamos que adivinhar qual era a cerveja que estávamos provando. Eu perdi feio… Depois lanchamos em uma vinícula e provamos vários vinhos em outras. Foi difícil me controlar para não beber demais. Morro de medo de dar um vexame entre colegas de trabalho. Mas eles não parecem se importar e a maioria solta a franga mesmo. Eu me controlo o máximo para evitar uma ressaca moral no dia seguinte. :-)

Outra boa lembrança foi quando fomos fazer um trabalho voluntário em uma ilha aqui perto chamada Somes Island. Estava um dia lindo e o passeio foi bem gostoso. Começamos o dia tomando um café saboroso e depois pegamos o barco rumo à ilha.

  DSC01623

 DSC01631

 DSC01634

Outra brincadeira que eu gostava por lá, é que o nosso grupo tinha um mascote chamado Russel que era um ursinho de pelúcia. Cada pessoa que fazia uma viagem interessante levava o Russel junto para tirar umas fotos do rapaz em diversos lugares do mundo. Ele tinha até um album de fotografia. Quando fomos ao show do U2 levamos ele com a gente:

DSC00573   DSC00479 DSC00571 

No final do ano passado quando a maioria do pessoal sairia de férias, foi feita uma votação para onde o Russel iria. O Brasil só não ganhou por unanimidade porque o meu gerente não votou nele. Assim, carreguei o bichano comigo para as minhas férias no Brasil.

Tiramos muitas fotos e quando voltei, logo recebi a minha proposta para o novo emprego, então eu decidi caprichar em um videozinho para mostrar para esta turma com quem convivi durante 1 ano, um pouquinho das coisas bonitas do meu país e mostrar que o Brasil não se resume em futebol e carnaval. Apresentei este video em uma das nossas reuniões de equipe. Fiquei feliz pois todos adoraram.

3 comments:

Cuba disse...

Se o Russel gostou tanto quanto eu do Bar do Alemão, ele volta com certeza pro Brasil=)

Beijoss,
amor,
Cubinha.

Lis disse...

Uma vez eu ouvi dizer que kiwi tem "Síndrome de Woody Allen" - mora em um lugar lindo, tem de tudo, mas tá sempre deprimido. Eu passei por isso que você passou, e acho que muita gente aqui deve passar: saber que se você é pior do que eles, o mundo se abre... mas tenta ser melhor pra ver o que é andar na contra mão... No fim das contas, eu só tenho a pensar que isso tudo é excesso de insegurança. Eles são inseguros demais e tem auto estima baixa demais pra precisar colocar gente pra baixo pra se destacar...
Uma pena.

DAVID disse...

" O imigrante tem obrigacao de ser 10 vezes mmelhor do que o nativo"