sexta-feira, 29 de julho de 2011

Diferenças culturais

Sempre comentei que é difícil traçar um paralelo de comparação entre a cultura neozelandesa e a brasileira e muito menos dizer qual é a melhor. Além disso, estando aqui há 5 anos, eu agora tenho uma opinião diferente da que tinha quando me mudei para cá. A gente vai coletando mais informações e mudando a nossa opinião sobre as coisas todos os dias.

Vou dar um bom exemplo para as minhas afirmações acima. Eu já comentei aqui que achava que a vida dos neozelandeses era muito fácil porque a maioria das pessoas tem o mínimo necessário para uma vida muito melhor do que a maioria dos brasileiros. E comentei que os jovens aqui tinham vida fácil pois recebiam “mesada” do governo e financiamento da universidade o que permitia que saíssem de casa e fossem viver com seus amigos assim que começassem a receber o auxílio do governo.

Mas a minha opinião mudou a medida que fui conhecendo os amigos kiwis do Julio. Quer dizer, eu mudei um pouco a comparação. Comparando com os jovens brasileiros da classe média, eu acho que na verdade a maioria dos jovens aqui têm uma vida bem mais “puxada” e com muito menos mimos e mordomias. Como aqui quase ninguém tem empregada ou faxineira, todos os moradores da casa tem que ajudar em todos os serviços domésticos desde cedo. E me parece que os pais são bem severos e fazem a molecada trabalhar mesmo. A maioria das famílias moram em casas e assim sempre sobra o serviço de cortar grama e cuidar do jardim para os mais jovens, entre outros serviços. E a maioria dos pais faz os filhos valorizarem o dinheiro fazendo eles lutarem por isso desde cedo. Além disso, como os serviços são muito caros por aqui, todo mundo tem que aprender a fazer de tudo um pouco desde pequenos. Às vezes, eu que uma mãe muito protetora que sou, chego a ficar com pena da moçada. Mas no fundo eu sei que isso é muito bom para eles, o que não me impede de continuar com peninha…

Quando o Julio foi ao Brasil neste ano, ele ficou impressionado com a mordomia que os amigos tinham em casa, com empregada fazendo almoço, sanduiches, lavando e passando as roupas (inclusive as dele como visita), limpando o quarto dos amigos, etc. Algo que praticamente não existe aqui.

Certo, errado, melhor, pior? Não sei, mas parece que os jovens aqui são mais humildes que os jovens da classe média e alta do Brasil, mas também me parecem mais infelizes, não sei. E aí tem o problema com o excesso de bebida. Aliás, olha que interessante. A prefeitura de Wellington para evitar o excesso de pessoas no hospital da cidade durante o final de semana, criou um programa em que algumas ambulâncias vão para a rua das “baladas” da cidade para atendimento local e também para conversar com os jovens visivelmente embriagados e convencê-los a parar de beber. Isso é o que eu chamo de não tapar o sol com a peneira e encarar o problema de frente.

Uma colega minha sul africana um dia me disse algo muito interessante. Ela me disse que quando vivemos em outro país não temos mais aquela necessidade de adesão aos padrões culturais da sociedade que vivíamos antes e também normalmente resistimos a acatar os padrões culturais do novo país. Isso nos dá uma liberdade de escolha muito interessante. Podemos redefinir os nossos próprios padrões e criamos os nossos próprios valores, individuais e que independem da influência da sociedade que vivemos. Isso não é sensacional?

9 comments:

Lis disse...

Poder de escolha dos nossos próprios valores, isso é uma grande verdade. Uma das coisas que mais me marcaram aqui na NZ foi a libertação desse "Padrão de Beleza" brasileiro. De ter que ter cabelo liso, ser magra, de bunda dura e unha feita... Chegando aqui, eu também não absorvi o estilo relaxado, short curto e estilo 80's das meninas da NZ. No fim das contas você olha pro espelho e faz um estilo próprio e, no fim das contas, acaba sendo a melhor versão de si mesma.

Quanto à tristeza... Eu tenho uma teoria de que as coisas aqui são realistas demais, que somadas com a síndrome do Tall Poppy, faz com que seja impossível trabalhar duro pra subir de vida e sonhar alto. Então o que você vive é o jeito que é, e essa falta de sonhos e motivação faz com que muitos deles sejam deprimidos...

Abraços!

Jeanine Almeida disse...

Oi Lis. Exatamente! Quando voltei visitar o Brasil este ano depois de tanto tempo longe, fiquei chocada com tanta pressão que existe sobre as mulheres para atender o padrão de beleza e ser igual as atrizes das novelas. Aí todo mundo usando o mesmo estilo de cabelo, o mesmo estilo de roupa da moda. É tão bom estar longe disso né? E também longe de outras futilidades como por exemplo se preocupar em ter uma casa super bem mobiliada dentro dos padrões atuais (isso também tem padrão e também vem das novelas e revistas). Hoje eu gosto mesmo é de coisa barata e prática que eu não me preocupe em deixar para trás se decidir me mudar para outro canto do mundo. Este desapego é uma grande libertação! :-)

Rodolpho disse...

Queria saber uma coisa.. a fruta chamada Physalis realmente é muito comum aí? Li que se encontram facilmente nos jardins das casa e se considera até feio ter... pela facilidade que se desenvolve... grande diferença para cá que é uma fruta vendida a R$4,50 cada 100 gramas, senda a Colombia grande exportadora para o bloco europeu onde é usada em doces finos.
abraço!

Gláucia Lima disse...

Olá Jeanine!

Há alguns meses venho acompanhando seu blog, pois em janeiro do próximo ano (se Deus quiser), pretendo passar férias ai...

Fico feliz de saber que as pessoas da NZ de maneira geral não estão tão preocupadas com aparencia como no Brasil. Eu mesma já estou cansada de todas essas exigências de cabelo liso perfeito, corpo perfeito, roupas desconfortáveis, mas que todos usam para esta na moda. E ainda ser criticada se resolver não seguir essa "moda"...

Abraços!

Jeanine Almeida disse...

Oi Gláucia, pois é, é muito bom ser livre para ser o que a gente quer ser! :-)
Um abraço!

Jeanine Almeida disse...

Oi Rodolpho, sabia que eu nunca ouvi falar nesta fruta? Mas isso não quer dizer que não exista aqui. Vou prestar mais atenção e caso eu veja por aí eu te conto. Um abraço!

deiacrismelo disse...

Ola. Eu ate gosto do fato de aqui nao ter essa obsessao com a aparencia, mas tambem acho que nao precisa ser 8 ou 80, sair da obsessao pro total descaso. Acho que e preciso um equilibrio, onde trabalhava as meninas achavam coisa de outro mundo escovar os dentes depois do almoco, me olhavam como se fosse maluca. As mulheres andam sem sapato na rua, no banco,no mercado em qualquer lugar, o pe ja tem uma sola propria de tao sujo, acho isso horrivel. Ja moro aqui a 5 anos e isso ainda me chama atencao quando vejo. Mas cada um com a sua cultura ne? Mas acho que tem coisas que nao e questao de ligar pra aparencia ou nao mas sim questao de higiene. Grande aabraco!

Felipe Binotto disse...

hahaha Sola propria de tao sujo foi boa. Concordo. As mulheres aqui perderam a feminilidade. Olhando somente os pes parece que trabalharam a vida toda numa fazenda. lol

teste disse...

Ei, Jeanine! Tudo bem?
Achei seu blog quando pesquisei por "nova zelandia carteira motorista" no Google. O primeiro da lista! :)

Bom, eu estou indo trabalhar em Wellington, no final de Fevereiro, em uma empresa na Grey Street.
Consegui a vaga pela AIESEC, uma organização MUITO bacana que proporciona experiências ótimas pros membros.
Tá, chega de "merchan"!

Como vi que você está em Wellington, e eu não conheço ninguem aí além do pessoal dessa organização e meus contratantes, gostaria de bater um papo com você, afim de diminuir meu choque cultural e pra ver como foi sua experiência de vida na terra do kiwi.

É possível?
Vc tem um tempinho livre entre os dias 27/02 e 02/03?

Se possível, me manda um email no jlcadastros]@[gmail.com, por favor ok?

Abraços e parabéns pelo blog, me deu dicas muito valiosas!