domingo, 31 de julho de 2011

Viagem da Nara e do Luka

Acho que já comentei aqui que a Nara e o Luka foram para o Brasil passar 2 meses por lá. Eles foram há menos de 2 semanas e nós já estamos morrendo de saudades dos dois. Eles fazem uma falta tremenda. :-(

Mas o que eu queria comentar neste post é todo o desconforto pelo qual eles passaram durante esta viagem. Sabíamos que não seria fácil viajar com um bebê, mas nós imaginávamos que a empresa aérea e o pessoal dos aeroportos iriam dar um tratamento especial para eles considerando toda a dificuldade, principalmente aqui na Nova Zelândia onde todos estão sempre prontos para ajudar até os turistas perdidos com mapas na mão que encontram pelas pelas ruas. O que aconteceu foi tudo ao contrário do que esperávamos.

A Nara comprou a passagem pela agência Flight Center, aqui na Nova Zelândia. Ela conversou muito com a moça da agência de quem comprou a passagem, para tirar todas suas dúvidas, afinal nunca tinha viajado antes com um bebê. Ela também fez uma vasta pesquisa na internet para entender como tudo funcionava.

- Segurança do bebê

Ela ficou muito decepcionada ao saber que não existe nenhum cinto para segurar os bebês no caso de uma forte turbulência. Na aterrissagem, pouso ou turbulência, eles devem estar no colo das mães mas o cinto não pode ser colocado em volta do corpinho deles. As mães também não podem deixá-los naqueles “bebê-carona” que são amarrados ao corpo da mãe. Nem mesmo podem estar naqueles “baby slings” que parecem um lenço grande amarrado ao corpo da mãe. Em caso de uma turbulência muito forte, por mais esforço que a mãe faça, ela jamais vai conseguir segurar seu filho(a) com seus braços. É quase inacreditável a falta de segurança para os bebês nos aviões! É importante dizer que bebês pagam uma porcentagem do valor da passagem, mesmo que não ocupem um assento. A única opção que a mãe teria seria de comprar um assento para o bebê onde poderia colocar uma daquelas cadeirinhas de carro. O problema é que obviamente a criança vai passar a maior parte do tempo no colo da mãe e não na cadeirinha o que não iria ajudar muito a melhorar a situação. Eu acho que as companhias aéreas deveriam ter um outro tipo de solução que incluísse assentos especiais para mães e bebês e de preferência em um lugar separado para não incomodar os demais passageiros. Mas eu duvido que alguma empresa dessas esteja preocupada com isso.

- Desconforto da mãe

Ficamos pensando no desconforto que a Nara passaria durante toda a viagem, principalmente dependendo da pessoa que sentasse ao seu lado. Afinal, ninguém gosta de senter do lado de pessoas com crianças. E poderia ser pior ainda quando precisasse amamentar, especialmente se ela sentasse ao lado de um homem. Não seria uma situação muito agradável. Mas a moça da agência garantiu que as mamães têm tratamento especial e são sempre acomodadas naquelas poltronas que não têm outras poltronas na frente justamente porque o espaço é maior para a mãe e o bebê. Ao preencher o formulário de pedido da passagem, a moça da agência perguntou à Nara se ela queria que marcasse que ela gostaria de contar com a ajuda do pessoal da empresa aérea e ela disse que sim. Desta forma acreditamos que ela teria todo o suporte necessário. Mas infelizmente nada do que a tal da moça da agência disse se confirmou.

- Carrinho na bagagem de mão

A Nara leu na internet que é sempre bom levar aqueles carrinhos de bebê bem simples, que quando fecham parecem um guarda-chuva, para poder carregar o bebê pelos aeroportos. A moça da agência confirmou que ela poderia levar isso na bagagem de mão. Só que a Lan Chile não permitiu. Isto é, acabou sendo uma bagagem levada desnecessariamente.

- Falta de prioridade para quem está com criança pequena

Por sorte o meu irmão Francisco decidiu acompanhá-los até Auckland. Devido ao cancelamento do vôo no dia anterior a fila para o check-in estava gigantesca. Correram rumores que a Lan Chile juntou os passageiros do dia anterior com o do dia que a Nara embarcava em um mesmo vôo já que não tinha passageiros suficientes para os 2 vôos. Resultado: fila, demora e um vôo completamente lotado!

E mesmo estando com um bebê de colo, nenhuma prioridade foi dada a eles que ficaram 3 horas na fila. Ficaram se alternando para ir ao banheiro, comer, dar de comer para o Luka e ficar com ele no colo. Fico imaginando o que a Nara faria se estivesse sozinha…

- Falta de ajuda aqui na Nova Zelândia

Quando a Nara foi passar pelo raio-x para o embarque para Santiago, depois de ter passado as 3h na fila, os auto falantes anunciavam que era a última chamada para o vôo dela. Como ela estava com uma mochila pesada nas costas e com o Luka no colo, ela teve dificuldades para tirar a mochila para colocar na esteira do raio-x. Absolutamente ninguém se ofereceu para ajudar. O mesmo aconteceu na hora de colocar a mochila de volta nas costas. Aí ela saiu correndo para não perder o avião com todo o peso da mochila, do Luka e mais uma bolsa, mesmo o atraso não ter sido provocado por ela. Não seria da LanChile, colocar alguém para acompanhar a Nara, especialmente sabendo que ela teria que ir às pressas para o avião devido a um atraso que a própria empresa era responsável?!

- No avião

Colocaram a Nara sentada em uma poltrona comum. Por sorte duas brasileiras muito simpáticas que adoravam crianças se sentaram ao lado dela e se dispuseram a ajudá-la no que ela precisasse. Mas, se estas poltronas de aviões já são super apertadas para uma pessoa sozinha, imagine quando você tem uma criança no seu colo! E quando o passageiro da frente reclinava a poltrona ficava ainda mais complicado. Uma das comissárias veio perguntar à Nara onde era realmente o lugar dela porque ela não poderia ir sentada ali com um bebê. Ela disse que aquela era mesmo a poltrona que tinham designado para ela. Ao levantar o problema com outra comissária, ela foi instruída que a Nara teria que ficar ali mesmo. Não sabemos porque, mas desconfiamos que não tinham mais poltronas disponíveis para mães com bebês. O interessante foi que no vôo do Chile para o Brasil, a comissária deste vôo falou que a Nara tinha que sentar naquelas poltronas que não têm outras na frente pois as demais não tem uma máscara de oxigênio extra para crianças de colo. Agora ficamos imaginando se isso era só naquela aeronave ou se na que levou eles de Auckland para o Chile era a mesma coisa.

Enfim, a Nara não conseguiu dormir a viagem inteira, de Auckland para o Brasil. O Luka se comportou muito bem, pouco chorou, brincou e dormiu bastante, mas para a mamãe dele foi demais de cansativo. É inacreditável pagar um preço tão alto nestas passagens aéreas e ter este tipo de tratamento, quase desumano.

- No Brasil

Chegando no Brasil as coisas mudaram e ela recebeu muito mais suporte. Até a mulher da imigração saiu de trás do balcão e veio segurar o Luka para a Nara poder achar o passaporte na bolsa.

- Conclusão

Mais uma vez fiquei indignada com tanta falta de consideração destas empresas aéreas pelos seus clientes. E o pior é que não há absolutamente nada que possamos fazer. Viajar de avião é sempre uma loteria que depende de um monte de coisas totalmente fora do nosso controle. É revoltante.

Sobre o restante, infelizmente desta vez os neozelandeses nos decepcionaram. Talvez eles façam isso por causa desta história de igualdade dos sexos, de que as mulheres não precisam dos homens, etc. Talvez isso deixe as pessoas constrangidas na hora de oferecer ajuda. Ou então pode ter sido só azar da Nara de ter as pessoas erradas por perto quando precisou. Ou ainda pode ser só falta de consideração pelo problema alheio mesmo. É difícil acreditar nesta última hipótese considerando o quando que as pessoas são sempre solícitas aqui. Nem sem se comentei no blog, mas quando teve o terremoto em Christchurch, várias famílas de Auckland e de Wellington colocaram anúncios na internet abrindo a porta das suas casas para abrigar as pessoas de Christchurch que perderam suas casas na ocasião. Eu fiquei impressionada com a soliedariade deles.

Enfim, acho que pessoas boas e ruins, educadas e mal educadas existem em todos os lugares do mundo.

14 comments:

Cris Campos disse...

Oi Jeanine,

Entendo sua indignação, até porque no Brasil mães com bebês de colo tem preferência, mas a falta de ajuda não é só na Nova Zelândia, o Brasil é que é exceção. Não acredito que seja uma questão de falta de solidariedade também, mas sim a tal história do "espaço pessoal" e do "cada um por si", tão diferentes aqui e lá.

Imagino o quanto a Nara tenha se batido com o Luka nesses voos!! Espero que a volta seja mais tranquila, já que agora ela tem um pouquinho mais de experiência. :)

Talvez seja legal ela dar uma lida nesses posts de uma mãe que viaja todos os anos do Canadá ao Brasil com duas crianças pequenas. Aqui ela dá dicas para viagens longas de avião com bebês: http://flaviamandic.blogspot.com/2011/07/viagem-de-aviao-com-bebes-primeira.html
Tem outros três posts, dicas pra bebês maiorzinhos e pra crianças até 5 anos. Super útil!

Conheço outros blogs de mães viajantes também. Se quiser me manda um email que eu te passo depois. É sempre melhor ver a opinião de quem já passou por isso do que de um agente de viagens que tudo o que quer é vender uma passagem!

Espero que ajude...

Beijinho xx
Cris

David Bagnall disse...

Nao acho q a culpa seja dos Kiwis.O problema Janine e q infelismente so se tem 2 cia aereas para o Brasil e o pior e q sao de paizes q nao vai la muito com a cara de brasileiros infelismente.Acho eu q ou vc paga primeira classe ou rezar para q com a copa e os jogos olimpicos isso mude para bem MELHOR( Air NZ,Qantas) e ai sim teremos um bom tratamento.

Jeanine Almeida disse...

Oi Cris, obrigada pelas dicas. Vou repassar para a Nara. A volta com certeza vai ser melhor pois a minha mãe virá junto para cuidar do neto nos próximos 6 meses!
Você tem razão, eu acho que está mais relacionado com respeito do que qualquer outra coisa. Mas pensando com a cabeça de brasileiros a gente não acha isso legal. Bom se a gente pudesse criar uma nova nação só com as coisas boas de todas as culturas né? Difícil, afinal o conceito de "boas" é bem relativo e cada povo pensa diferente. Um beijo!

Jeanine Almeida disse...

Oi David, esta falta de opções é mesmo um problema. Também não entendo como não temos vôos diretos para o Brasil que é um país bem maior que o Chile ou a Argentina. Bem, só nos resta torcer para isso mudar. Um abraço!

Karina e Sylvão disse...

Oi Jeanine,

Há meses tenho lido seu blog. Quis Lê-lo desde o início, todos os posts e comentários também. Me identifiquei muito com sua forma de pensar e agir. Empolguei-me com suas conquistas (como se fossem minhas...). Fiquei triste quando você estava no meio daquela crise... ou quando teve que sair daquela casa linda... Quantas e quantas vezes eu quis fazer parte daqueles churrascos com o pessoal... Não é curioso como a gente, mesmo sem querer, acaba “pegando carona” nas histórias das pessoas?

Quando era adolescente sonhava em morar em outro país. Então, você vai “ficando adulto”, o tempo vai passando e as prioridades começam a bater a nossa porta. Mas aquela vontadezinha de morar em um país melhor sempre rodeia os nossos sonhos... Aí você junta isso + 1/3 de todo seu salário indo para os bolsos dos políticos + falência da saúde pública + povo alienado que só pensa em carnaval e futebol + Custo Efetivo Total a. a. de 424,91% do cartão de crédito + violência + apatia do povo e adivinha qual o resultado desta equação? Pois é... A única vontade que dá é a de ir embora.

Hoje tenho 39 anos, sou Analista Programador .NET, moro com minha noiva(Karina), que conhece bem a vida de vocês de tanto eu falar, e queremos morar na “Nova Disneylândia”. Sei que hoje, já não está tão encantada assim... Mas ainda acredito que está melhor do que aqui... Temos planos de ir para NZ no final do ano que vem. Enquanto isso, eu vou melhorando meu inglês, guardando dinheiro e pesquisando empregos no SEEK. Enfim, gostaríamos de manter contato com você, a fim de tirarmos algumas dúvidas (se possível, é claro... ). Meu email é sylvao@hotmail.com.

Muita paz e sucesso para vocês!!!

Sylvão

Gláucia Lima disse...
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Eli Renato disse...

Olá Janine,

Parabéns pelo blog, fiquei pelo menos 2 horas hoje, lendo seus posts e falta muita coisa, como você escreve!.

Sou de Curitiba. Eu e Minha noiva estamos analisando para qual país Imigrar, Australia, NZ ou Canadá.

Uma coisa que gostaria que você postasse informação, se possível, é de como ter um filho ai na NZ, de antes à depois do nascimento, eu e minha noiva queremos ter um filho, porém estamos na dúvida se teremos aqui no Brasil ou no país que escolhermos.

Obrigado pelos posts.

Mônica Hernandes disse...

oi tudo gostei muito do seu blog, estou pensando em ate fazer um pra mi rsrs..bem minha historia esta muito parecida com a sua estou pensando em me mudar para a nova zelandia,para estudarmos tenho um filho de 4 anos mais estamos indo com visto de turista sera bem dificil, então ira meu marido primeiro e assim que ele conseguir um lugar para ficar irei com meu filho gostaria de uma opiniao sua poderia me ajudar?

Jeanine Almeida disse...

Oi Monica. Me passa seu email aqui no meu blog que eu entro em contato com vc. Bjs

wellington santos disse...

Olá. Gostei muito de ler sobre vc e sua família e fiquei mais felíz quando descobri que vc´s são profissionais da área tecnológica e mais ainda "Projet Manager" que foi uma das cadeiras mais difíceis que enfrentei na Faculdade. Parabéns a todos vc´s fiquem com Deus. Ass: Wellington Santos
"tecnologowellington.blogspot.com"

David Bagnall disse...

Jeanine cd vc ?? E tao gostoso ler o seu blog...Volta logo Bjkas

Jeanine Almeida disse...

Oi Eli
Se você tiver um filho aqui após ter a residência, seu filho poderá ter um passaporte neozelandês, como meu sobrinho Luka tem.
Aqui ainda existe aquela história de atendimento pelas parteiras, "midwives", o que eu considero algo bem ultrapassado. Mas parece que não é só aqui que é assim. No Canadá e na Inglaterra o esquema é o mesmo.
Se vocês tiverem visto de trabalho de 2 anos ou mais, ou visto de residência, todo o atendimento é público.
Mas existe uma boa opção para quem quer ser acompanhado por um obstetra. Você pode pagar para sua esposa ter acompanhamento durante toda a gravidez e o parto/cesarea feito por um obstetra. O valor que a Nara pagou foi em torno de NZ$3000 por tudo. O hospital é por conta do governo se você atender os requisitos de visto citados acima. Esse valor também cobre anestesia e cesárea, se for o caso. Também cobre uma primeira avaliação de um pediatra.
Depois do nascimento o seu nenê é acompanhado por uma midwife que vai à sua casa pesá-lo, ensinar a mamãe a amamentar, tirar dúvidas e garantir que a criança está sendo bem cuidado. A midwife acompanha o nenê por umas semanas e depois o acompanhamento é feito pela Plunket, tudo gratuitamente.
Espero ter esclarecido suas dúvidas.
Um abraço

Jeanine

Gláucia Lima disse...

Oi Jeanine,

Você tem andado sumida... estou com saudades dos seus textos. Apareça.
Bjs

Giulliana Eline disse...

Olá Jeanine...há dois dias tenho "devorado" seu blog e estou adorando. Parabéns e obrigada! Vc ajuda muito, esclarece muita coisa, alimenta sonhos, mas também coloca nossos pés no chão. Meu esposo e eu temos planos de procurar um lugar mais tranquilo, menos corrupto e violento para viver, temos, então pesquisado bastante sobre a Nova Zelândia, o que me fez esbarrar no seu maravilhoso blog.

Será que poderia me corresponder com você para ter maiores esclarecimentos sobre a "vida real" na Nova Zelândia? Obrigada...abraços!

giulliana.eline@gmail.com

Giulliana Eline Carvalho.