segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Midwives e o mito do parto natural

Aqui na Nova Zelândia os partos são feitos pelas chamadas Midwives, que são profissionais com formação universitária na área. Elas acompanham a mulher durante toda a gravidez mas obviamente só são qualificadas para fazer partos normais. Caso seja necessário uma cesárea, o médico obstetra de plantão assume o comando.

Quando a Nara estava grávida ela ficou muito em dúvida sobre o que fazer. Existe uma pressão muito forte aqui para que as mulheres tenham filhos de parto natural. E quem mais faz pressão são as próprias mulheres. É como se as que optam por cesárea fossem covardes e não super mães que suportam a dor do parto para dar à luz a seus filhos. Eu deixei a Nara tomar a decisão que ela achasse melhor, mas eu sempre tive uma opinião muito formada sobre o assunto. Para mim, parto normal é coisa ultrapassada e é um absurdo deixar uma mulher sofrendo que nem um animal para ter um filho. Sei que muitas pessoas pensam diferente e cada um deve decidir o que achar melhor. O maior medo da Nara era de precisar de uma cesárea de emergência pois seria atendida por um médico que nunca viu antes e sabe-se lá quais seriam as consequências de uma cirurgia de emergência. Além disso, ela temia sofrer todas as dores do parto normal para no final ter que fazer a cesárea de qualquer forma, como acontece com muitas mulheres. Ela optou em ser atendida por uma obstetra desde o início da gravidez e no final decidiu fazer cesárea. Infelizmente neste caso, a saúde pública não paga pelo médico, apenas pelo hospital. Mesmo assim consideramos que foi barato. A Nara pagou NZ$3,000 pelo atendimento durante toda a gravidez e a própria cesárea. O valor também incluía o atendimento de um pediatra no nascimento e uma consulta com o mesmo mais tarde. A obstetra foi excelente e tudo correu muito bem e sem sofrimento. Apoiei completamente a decisão dela e hoje ela considera que não poderia ter tomado uma decisão mais acertada.

Vindo de um país onde as gravidas são acompanhadas por um médico, eu sempre achei meio arcaico esta história de midwives. Interessante é que não é só na NZ que as grávidas são acompanhadas por midwives e não médicos. Outros países desenvolvidos também seguem este mesmo sistema. Cheguei a me questionar se eu estaria com a impressão errada. Entretanto, depois que li uma reportagem na edição de Agosto de 20011 da revista neozelandeza North&South,  eu cheguei à conclusão que a eficiência deste sistema realmente deixa muito a desejar.

A reportagem começa comentando que seria muito bom que pudéssemos dar a luz como as mamães macacos, que o fazem de croque, o seu filhote nasce olhando para ela e é forte o suficiente para agarrar o corpo da mamãe e puxar seu corpinho para fora. O canal por onde o bebê sai tem o mesma forma oval da entrada até a saída e é do mesmo tamanho da cabeça do bebê dando a ele um caminho suave desobstruído para a vida. Já o canal dos seres humanos tem as dimensões variando de cima para baixo e de um lado para o outro, o que torna uma verdadeira jornada olímpica para o bebê nascer. A razão dessa diferença é justamente a evolução do ser humano, desde as modificações que ocorreram na pelvis que nos permite andar de pé, até o tamanho do nosso cérebro que nos faz termos uma cabeça muito grande em proporção ao tamanho do nosso corpo. Assim sendo, o nascimento de um bebê é difícil e sempre um risco para a maioria das mães e bebês humanos. Por isso que o ser humano, ao contrário de todos os outros animais, precisa de assistência na hora do parto. Nos últimos 21 anos na NZ, a responsabilidade por fornecer esta assistência, passou de médicos para midwives, que se auto intitulam especialistas em parto normal. A revista questiona o quanto frequente se espera normalidade em um parto. E se as coisas derem errado, as expectativas de que as midwives podem dar conta do recado colocam em risco a vida das mães e dos bebês?

O artigo da revista então descreve vários casos de atendimentos pelas midwives mal sucedidos, alguns deles resultando na morte da mãe e/ou do bebê, principalmente pelos seguintes motivos:

  • Atrasos perigosos no diagnóstico e ação quando a gravidez ou trabalho de parto se desvia do normal;
  • Confusão entre midwives e médicos sobre quem está no comando;
  • Complicações inesperadas que ocorrem nos partos em casa ou unidades de partos normais que estão quilometros de distância de hospitais;
  • A irrealista expectativa de que não existem riscos quando a mulher é nova e saudável.

A reportagem explica que a partir de 1990 as mudanças na assistência fornecida pelo governo obrigaram as mulheres a escolher entre midwives e médicos. O valor pago aos médicos era tão baixo que muitos deixaram de atuar na área de obstetrícia, deixando às mulheres uma única opção, as midwives. Inacreditavelmente não existe nenhum banco de dados que registre os casos de insucesso a partir desta mudança. Portanto não há como avaliar o impacto desta reforma.

A médica Lynda Exto, que é co-fundadora do grupo AIM (Action to improve maternity), publicou um livro chamado “The baby business”, em que critica esta mudança e a associa com tendências preocupantes e com o retardo do declínio na mortalidade de mortes perinatais. Segundo ela. aproximadamente 600 bebês morrem por ano após 20 semanas de gestação o que significa uma taxa de 10 mortes por nascimentos. A médica comenta, “parece para mim que nos últimos 20 anos o sistema de maternidade da NZ tem sido completamente oprimido pela idéia de que o nascimento é um evento natural da vida, deixando de se focar na vida e saúde da mãe e do bebê e tem sistematicamente ignorado e negligenciado a possibilidade de erros humanos. Ainda, segundo ela, pesquisas na NZ indicam que metade dos casos de gravidez e partos requerem alguma assistência médica e que mais de 1/3 dos partos requerem intervenção. Ela mesma foi vítima do sistema de maternidade, quando há 6 anos atrás sua filha teve danos permanentes no cérebro por ter sido privada de oxigênio durante o seu nascimento, que foi assistido por duas midwives.

Peter Gluckman, um ex fisiologista perinatal que é atualmente o cientista acessor chefe do Primeiro Ministro da NZ critica o efeito da mudança que eliminou a necessidade de acompanhamento médico durante a gravidez e que se sua filha estivesse grávida, ele recomendaria que ela fosse acompanhada por um obstetra.

O ministro da saúde da NZ, quando entrevistado pela revista, diz que o governo tem focado em iniciativas possíveis de serem implementadas, entre elas o desenvolvimento de um banco de dados para registrar informações sobre os partos na NZ, mas não sabe quando a coleta dos dados irá começar. Ele também está discutindo com o “Mildwifery Concil” a possibilidade das midwives graduadas passarem um primeiro ano supervisionado nos hospitais, mas considera muito alto o impacto financeiro desta prática.

A reportagem enfim, conta muitas histórias tristes de problemas no parto e entrevista as mães que se arrependem de não terem optado por um obstetra. Uma das histórias que mais me chocou foi a do bebê Cameron Elliot, que morreu em casa depois de sofrer danos na coluna e asfixia porque sua cabecinha levou 11 minutos para sair do corpo da sua mãe. Uma outra foi do bebê Kobie que pesava 4,791kg e que também morreu neste caso porque apesar da sua cabecinha ter saído para fora, ele não conseguia respirar pois seu peito estava preso no canal de parto. Quando o especialista chegou para atender a mãe, ele precisou enfiar a cabeça do bebê para dentro para correr com ela para a sala de cirurgia e fazer uma cesárea. E eu pergunto, porque correr este risco se isso pode afetar a vida de quem mais amamos no mundo e por quem daríamos tudo no mundo para evitar que sofressem? Gastamos tanto dinheiro em seguros de carro, seguro de casa, seguro de malas, tomamos tanto cuidado para protegermos as coisas materiais para não corrermos riscos e em uma situação dessas vamos correr o risco de perder a vida da coisa mais preciosa que são os nossos filhos por causa de um mito de que o parto natural é lindo e que as midwives são as profissionais certas para assumir um risco tão grande?

Eu procurei fazer um resumo aqui, mas a reportagem aborda muitos outros aspectos sobre o assunto.

Para mim é óbvio que o governo economiza muito dinheiro tendo midwives acompanhando as mulheres grávidas no sistema público ao invés de médicos. E considero que é muita ingenuidade das mulheres considerarem que as midwives são a melhor opção de atendimento. Se tudo correr bem, elas podem até achar que foi a melhor opção. O problema é que não há como saber se tudo vai correr bem. E no caso de um imprevisto as consequências podem ser muito sérias e irreversíveis.

Vamos tentar analisar a situação racionalmente. Como gerente de projetos eu aprendi a tratar os riscos de acordo com a sua pontuação, que é calculada considerando probabilidade e consequência. Se a probabilidade é baixa e a consequência também, normalmente a decisão tomada é aceitar os riscos. Mas neste caso, em que a probabilidade é de pelo menos 30% e a consequência pode ser dramaticamente alta, qualquer um faria de tudo para diminuir ao máximo o risco. Nesta situação isso significaria ter acompanhamento por um obstetra.

No seu livro Lynda Exton diz o seguinte:

“Ser um especialista em parto normal é como ser um metereologista que é especialista só em tempo bom”

Acho que esta frase diz tudo.

13 comments:

Rejane Borges disse...

Olá, Jeanine, como vai?
Meu nome é Rejane Borges, sou jornalista e moro em Sao Paulo. Eu estou indo para NZ no segundo semestre do ano que vem e estou ajeitando tudo por aqui..malas, documentos legais, escola (vou estudar tb) e, principalmente, mente e coraçao pra me desapegar de tudo e seguir em frente com essa experiencia nova. Gostaria de trocar algumas figurinhas com vc, mas nao percebi seu email para contato em nenhum lugar do blog. Vc poderia me passar, por favor?
Meu email é rejaneborges81@gmail.com
Agradeço seu tempo e atençao, desde já. Parabéns pelo blog, é muito útil! Beijos,
Rejane Borges

I know my children. disse...

Querida Jeanine! Eu concordo com você, plenamente! Pena eu não ter informação sobre o que é uma cesariana, desde o meu primeiro filho. Pra você ter uma idéia, depois das 12 horas mais longas de minha vida, com dores insuportáveis, o obstetra optou pela cesárea. Só que ele demorou demais para fazer isso, o que colocou em risco as nossas vidas. Foi um horror. O Nícolas teve sofrimento fetal agudo, por causa disso. E eu peguei uma infecção hospitalar, de quebra. Graças a Deus, o Nico não ficou com nenhuma seqüela. Depois de quebrar a promessa de nunca mais ter filhos, optei por cesárea, sem nem pestanejar, para ter os meus outros dois. E tudo foi perfeito. Inclusive a minha recuperação foi infinitamente mais rápida. E o felizardo também ficou bem faceiro, já que as crianças nasceram pesando 3.850, 4.100 e 4.500 kg. ;D . Super beijo e até a próxima, querida Estrela!

Ana disse...

Oi Nine
Adorei seu post. Apesar de não conhecer a fundo sobre como funciona o trabalho das midwives e depois de ler seu post vejo que fiz a escolha certa.
Não sei se é porque viemos de um país com a cultura diferente, mas pra mim tem que ser um médico para cuidar da minha saúde. Saúde para mim está em primeiro lugar, até porque sem ela não somos nada.

Desde que cheguei aqui na NZ, quando falava que queria engravidar, algumas amigas já me falavam que aqui não seria um bom lugar para eu ter bebê. Uma dessas amigas comentou como foi sua trágica experiência, ela engravidou e estava com dificuldades de segurar a gravidez. Ela entrou em contato com um obstetra no Brasil que receitou um remedio para segurar a gravidez e muito repouso. Quando ela foi a midwife aqui e pediu este remedio, a midwife falou que não iria receitar nada, e que nem repouso adiantaria, que se fosse pra o bebe viver ia viver e se fosse para morrer, iria morrer. E foi o que aconteceu, ela não conseguiu segurar a gravidez e perdeu a criança e com medo de ir para o hospital daqui e acontecer coisa pior ela preferiu ter todo o aborto em casa, sofrendo de dores terríveis. Depois ela engravidou novamente, pegou o primeiro voo pro Brasil e só voltou depois do bebê ja ter 1 ano.
Outra amiga que também teve acompanhamento com midwife, quase perde o filho na hora do parto, justamente por essa briga,"agora é hora de quem obstetra ou midwife?" Depois de horas de tentativa de parto natural sem sucesso, já iam tentar o forceps, quando de repente perderam os batimentos cardiacos do bebê. Só então que correram para fazer a cesariana. No final deu certo e o bebê ainda tava vivo. Mas essa historia poderia ter um final triste.
Enfim, por essas e outras eu decidi optar pelo obstetra. Sei que riscos sempre tem, mas quando se pode escolher por correr menos risco por que não fazer? Ainda mais quando se trata da pessoa mais importante da sua vida,os filhos.
Bem, mas cada pessoa tem sua concepção sobre o que é melhor para si, principalmente mãe. E cada uma tem que escolher a opção que maior lhe traga segurança, pq isso é fundamental para a gestação.

Inteligência de Mercado disse...

Olá Jeanine,

Muito interessante seu post e os depoimentos.
Não tinha a menor noção de como era esse processo na NZ.
Tive 2 partos naturais, por opção. Há 30 anos.
Totalmente tranquilos e sem nenhuma surpresa desagradável. Sou adepta desse procedimento, mas tenho o bom senso de aceitar que há que se respeitar os parâmetros. Um bebê, como foi citado de 4,700, não tem a menor condição de ser normal. Permitir isso é quase um crime.

As parteiras fazem parte de tradição cultural do Brasil. Elas são de um tempo onde as mulheres tinham outras atividades, o corpo não era sedentário e portanto podia ter mais chance de ter um bom movimento muscular na hora do parto. Falo isso de maneira totalmente intuitiva.
Seu último parágrafo foi perfeito: Há que se considerar as probabilidades e as consequências, sempre. Adorei isso!

Envio abaixo o link do trailer de um documentário que levanta essa discussão no Brasil para quem tiver interesse.

http://www.youtube.com/watch?v=3B33_hNha_8&feature=youtu.be

Abs e felicidades para os bebês e as mamães!

Lis disse...

Eu tenho PAVOR de precisar de médico na NZ, imagina então de ter filho aqui. Penso em ter filho em um ou dois anos, é capaz até de ir pra Wellington pra consultar com o mesmo obstetra da Nara Haha
O Pavor do sistema daqui é muito grande.
Ou é isso, ou é ir pro Brasil... :/

Excelente post!

Camila Sanches disse...

Adoreiii...Parabéns

Ralph disse...

Ué, mas não é a Nova Zelandia um país de primeiro mundo que tem os melhores hospitais e medicos do mundo ? Eu ja fiz duas cirurgias aqui e nunca tive nenhum problema.
Nota - foram medicos particulares. Se voce for depender de hospital publico entao é melhor ir para o Brasil se tratar.

Jeanine Almeida disse...

Oi Maristela. Obrigada pelos seus comentários e pelo vídeo para ajudar as mamães a decidirem o que acham melhor. Beijos

mãe da Sandra disse...

Uma outra perspectiva...
Acho que o normal é ter parto natural como o próprio nome diz. Respeito, no entanto, as mulheres que optam pela cesárea.
A pressão pelo parto normal se dá pela idealização de um processo sem o uso de drogas (anestésicos, antibióticos etc) e/ou então a possibilidade de segurar o bebê imediatamente após o nascimento. Também há o temor da cirurgia e um pós-parto com necessidade de muita assistência.
Não sei como é passar por uma cesárea, mas posso falar do meu parto normal que foi uma experiência maravilhosa. Optei pela médica, mas fui acompanhada durante o parto por uma midwife que foi incrível. No pós-parto fui visitada por outra midwife que me ajudou a superar as dificuldades do início da amamentação e do começo da maternidade.

Poder segurar minha bebê assim que nasceu foi muito especial. Quando meu marido cortou o cordão umbilical ela já estava mamando já que não era necessário nenhum outro procedimento como o de sugar o líquido dos pulmões como em caso de cesárea.

Do meu grupo de mães, cerca de vinte mulheres, três precisaram de cesárea, nenhuma de emergência, todas encaminhadas pela própria midwife na hora do parto. Considero o sistema de midwives bem sucedido e acho controverso culpá-las por um declínio das estatísticas sem dados concretos. Por exemplo mortalidade de bebês após 20 semanas de gestação poderia ser uma falha dos radiologistas pois são os mesmos os exames pedidos pelos obstetras e pelas midwifes.
Deve-se considerar o crescimento do país nas últimas décadas oquê influencia as estatísticas.
No Brasil, muitas mulheres no sistema público, acabam dando a luz no corredor, sozinhas e sem nenhuma anestesia porque não há médico disponível para todas.
Na Nova Zelândia, diferentemente do Brasil, há muita informação disponível e muito poder de escolha também. Praticamente todas as mulheres dão a luz no sistema público e pode-se planejar o parto e decidir-se sobre o uso drogas, acompanhantes durante o parto, cordão umbilical, placenta etc pode-se até optar por cesárea, pagando, neste caso, apenas o médico.
Escolhas estas que vieram com o novo sistema.
Vindo de uma cultura diferente não conseguimos dar o crédito que as midwifes merecem, mas o que vivenciei com minhas amigas kiwis é que elas recebem das midwifes um acompanhamento muito mais humano durante a gravidez. Muitas são visitadas em casa e podem ligar para a midwife a qualquer hora, tudo pago pelo sistema público de saúde. As midwifes são muito respeitadas na NZ.

Sobre o livro:
Link com review do livro que tem dois diferentes pontos de vista:

http://www.rnzcgp.org.nz/assets/documents/Publications/JPHC/March-2009/Book-reviews.pdf

Quanto a frase da autora do livro “Ser um especialista em parto normal é como ser um metereologista que é especialista só em tempo bom”.

A parte “ser um especialista em parto normal”(…) poderia ser substituída por “ser um GP no centro medico”(…) pois eles também só encaminham para o hospital ou especialista em casos sérios. Mesmo assim eu gostava muito do meu GP na NZ.

Para encerrar, sugiro um vídeo fantástico que recebi de uma amiga e propõe uma boa reflexão sobre diferentes pontos de vista.

http://www.ted.com/talks/lang/pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Jeanine Almeida disse...

Oi Fabiana. Obrigada pela sua contribuição aqui no meu blog. Eu acredito que é sempre muito importante termos diversos pontos de vista antes de decidirmos qual será o nosso. Assim, achei bem legal você expressar a sua opinião. Só para constar, eu acredito que as midwives realizam um trabalho maravilhoso com as mamães durante e depois do parto. Só não acredito que isso dispense o acompanhamento médico. Eu também não concordo com a sua comparação entre GPs e midwives pois os GPs cursam uma universidade de medicina por pelo menos 5 anos, isso sem contar o período de residência nos hospitais. Já as midwives cursam por 3 anos um curso politécnico sem necessidade de fazerem residência antes de começarem a trabalhar. Beijocas.

CheapIntercambios.com.br disse...

muito bom seu blog continue assim. vc tem twitter? abc, Hugo

Jeanine Almeida disse...

Oi Hugo, não tenho twitter não vc consegue me encontrar no Facebook. Um abraço.

Nara Thaís Regailo disse...

Decidir entre parto normal e cesárea foi muito difícil. Lembro que eu ficava perguntando para todas as minhas amigas como tinham sido as suas experiências e ficava muito tempo pesquisando no Dr Google. Aqui na NZ parece que as mulheres sentem prazer em contar como o parto delas foi difícil, parece que ficam comparando quem sofreu mais, e quanto mais sofrido foi, mais "mulher" elas foram.
Antes de engravidar, eu tinha a plena certeza que faria cesárea. Entretanto, depois que engravidei comecei a repensar se esta seria a decisão certa. Conforme a gravidez foi se desenvolvendo e as mulheres começaram a me perguntar sobre o parto (se seria em casa ou no hospital) eu comecei a sentir a pressão em ter que escolher o parto normal.
Logo no começo da gravidez tive dificuldades em encontrar uma midwife, já que não tem midwives suficiente para tantos bebês vindo ao mundo aqui na NZ ;-) Quando finalmente encontrei uma, tive uma decepção quando tentei avisá-la que me atrasaria para minha primeira consulta porque a minha carona não tinha dado certo. A midwife foi super firme e disse que se eu não chegasse na hora marcada ela não poderia me atender mais porque estava com a agenda lotada. Não sei se foi porque eu estava super sensível (com os hormônios loucos), mas chorei muito pensando em como seria ter um acompanhamento de uma midwife que eu mal sabia o que era e ainda grossa daquele jeito. Foi então que tomei a melhor decisão de todas, ser acompanhada por uma obstetra. Liguei para a Fabiana que já tinha falado muito bem da médica dela e lá fui eu, e não me arrependo nem um pouco.
Durante a gravidez ouvi histórias e mais histórias sobre o bom e o ruim do parto normal e da cesárea. Resolvi fazer minha pesquisa, assisti vídeos e cheguei a conclusão de que a cesárea era o que eu queria, embora eu continuasse sentindo a pressão das neozelandesas quando eu comentava sobre a minha opção. Elas diziam que eu estava fazendo besteira, que a cirurgia era muito complicada, etc...
Durante a minha gravidez, eu tinha outra colega de trabalho que também estava grávida e ainda a filha de outra colega. As duas são kiwis e queriam parto normal. Para resumir o desfecho da história, no caso de uma delas o bebê estava meio que sentado e nasceu "de ré", isto é, puxaram ele por uma das perninhas, depois o corpinho e daí a outra perna. Felizmente hoje o bebê é super saudável, mas imaginem a dor da mãe e a do bebê naquele momento e tudo o que poderia ter dado errado. A outra moça ficou 24 horas em trabalho de parto e teve que fazer uma cesárea de emergência no final de toda aquela dor. Hoje quando conversamos sobre o assunto, eu sou a única que posso falar que tive um parto muito tranquilo e rápido. Tudo foi planejado, todos estavam a espera do Lukinha, a médica estava lá me orientando, o anestesista ao meu lado, e toda aquela equipe maravilhosa, incluindo uma midwife super querida que cuidava de mim e me ajudou a dar o 1o. mama para o Luka. Tudo deu certo!!
Acho que se eu fosse esperar para ter o Luka naturalmente, eu teria surtado imaginando tudo o que poderia dar errado na hora do parto. A opção pela cesárea me trouxe uma paz de espírito muito grande, uma tranquilidade de que tudo estava sendo feito e planejado da melhor maneira possível para receber o ser mais precioso da minha vida. Além disso eu tive pre eclampsia e assim se tornou mais importante ainda o acompanhamento de um obstetra.
A recuperação foi muito tranquila, ainda mais porque tive a ajuda da super sogrinha!!
Só para deixar claro, eu não sou contra o trabalho das midwives. Elas foram ótimas comigo no hospital. Eu tive plena confiança nelas para cuidarem de mim e do meu bebê, muito mais do que teria em uma enfermeira. Mas não acho que elas substituem o obstetra. Na minha opinião elas são na verdade um complemento.